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JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 26 de Março de 1980

 

O ciclo do conhecimento-geração e a perspectiva da morte 

1. Aproxima-se do fim o ciclo de reflexões com que procurámos seguir a observação de Cristo que nos foi transmitida por Mateus (Mt. 19, 3-9) e Marcos (Mc. 10, 1-12): Não lestes que o Criador, desde o principio, os fez homem e mulher e disse: «Por isso, o homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne»? (Mt. 19, 4-5). A união conjugal, no Livro do Génesis, é definida como «conhecimento»: Adão conheceu Eva, sua mulher. Ela concebeu e deu à luz... e disse: «Gerei um homem com o auxilio do Senhor» (Gén. 4, 1). Procurámos já, nas nossas precedentes meditações, esclarecer o conteúdo daquele «conhecimento» bíblico. Com ele o homem, isto é ,o varão e a mulher, não só impõe o próprio nome, como fez impondo o nome a outros seres vivos (animalia) tomando assim posse deles, mas «conhece» no sentido de Génesis 4, 1 (e doutras passagens da Bíblia), isto é, realiza o que o nome «homem» exprime: realiza a humanidade no novo homem gerado. Em certo sentido, portanto, realiza-se a si mesmo, quer dizer, o homem-pessoa.

2. Deste modo, fecha-se o ciclo bíblico do «conhecimento-geração». Este ciclo do «conhecimento» é constituído pela união das pessoas no amor, que lhes permite unirem-se tão intimamente entre si que se tornam uma só carne. O Livro do Génesis revela-nos plenamente a verdade deste ciclo. O homem, varão e mulher, que, mediante o «conhecimento »de que fala a Bíblia, concebe e gera um ser novo, semelhante a ele, a quem pode impor o nome de «homem» («gerei um homem»), toma, por assim dizer, posse da humanidade mesma, ou melhor, retoma-a em posse. Todavia, isto acontece de modo diverso de quando tomou posse de todos os outros seres vivos (animalia), de quando lhes impôs o nome. Com efeito, então tinha-se ele tornado o senhor deles, tinha começado a cumprir o conteúdo do mandato do Criador: Enchei e dominai a terra (Cfr. Gén. 1, 28).

3. Pelo contrário, a primeira parte do mesmo mandato crescei e multiplicai-vos, enchei a terra (Gén. 1, 28) encerra outro conteúdo e indica outro elemento. O varão e a mulher neste «conhecimento», em que dão início a um ser semelhante a eles, do qual podem ambos dizer, é o osso dos meus ossos, e a carne da minha carne (Gén. 2, 24), são quase juntamente «raptados», juntamente colocados ambos de posse da humanidade que eles, na união e no «conhecimento» recíproco, querem exprimir novamente, tomar novamente de posse, tirando-a deles mesmos, da própria humanidade, da admirável maturidade masculina e feminina dos seus corpos e enfim — através de toda a sequência das concepções e das gerações humanas desde o princípio —  do mistério mesmo da Criação.

4. Neste sentido, pode-se explicar o «conhecimento» bíblico como «posse». É possível ver nela algum equivalente bíblico do «eros»? Trata-se aqui de dois âmbitos conceituais, de duas linguagens: bíblica e platónica; só com grande cautela podem elas ser interpretadas uma pela outra (1). Parece, ao contrário, que na revelação original não está presente a ideia da posse da mulher por parte do homem, ou vice-versa, como de um objecto. Por outro lado, é sabido que, baseados na pecaminosidade contraída depois do pecado original, o homem e a mulher devem reconstruir, com canseiras, o significado do dom recíproco desinteressado. Este será o tema das nossas próximas análises.

5. A revelação do corpo, encerrado no Livro do Génesis, especialmente no capítulo 3, mostra com impressionante evidência que o ciclo do «conhecimento-geração», tão profundamente radicado na potencialidade do corpo humano, foi submetido, depois do pecado, à lei do sofrimento e da morte. Deus-Javé diz à mulher: Aumentarei os sofrimentos da tua gravidez, os teus filhos hão-de nascer entre dores (Gén. 3, 16). O horizonte da morte abre-se diante do homem, juntamente com a revelação do significado gerativo do corpo no acto do «conhecimento» recíproco dos cônjuges. E eis que o primeiro homem, varão, impõe à sua mulher o nome de Eva, porque ela seria mãe de todos os vivos (Gén. 3, 20), quando já ele tinha ouvido as palavras da sentença, que determinava toda a perspectiva da existência humana «dentro» do conhecimento do bem e do mal. Esta perspectiva é confirmada pelas palavras: Voltarás à terra de que foste criado; porque tu és pó e em pó te hás-de tornar (Gén. 3, 19).

O carácter radical dessa sentença é confirmado pela evidência das experiências de toda a história terrena do homem. O horizonte da morte estende-se a toda a perspectiva da vida humana sobre a terra, vida que foi inserida naquele original ciclo bíblico do «conhecimento-geração». O homem que violou a aliança com o seu Criador, colhendo o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, é por Deus-Javé apartado da árvore da vida: Agora é preciso que ele não estenda a -mão para se apoderar também do fruto da árvore da vida, comendo do qual, viva eternamente (Gén. 3, 22). Deste modo, a vida dada ao homem no mistério da criação não foi tirada, mas restringida pelo limite das concepções, dos nascimentos e da morte, além disso agravada pela perspectiva da pecaminosidade hereditária; é-lhe, porém, em certo sentido, novamente dada como encargo, no mesmo ciclo sempre a repetir-se. A frase Adão uniu-se («conheceu») Eva, sua mulher. Ela concebeu e deu à luz (Gén. 4, 1) é como selo impresso na revelação original do corpo no «princípio» mesmo da história do homem sobre a terra. Esta história forma-se sempre de novo na sua dimensão mais fundamental quase desde o «princípio», mediante o mesmo «conhecimento-geração», de que fala o Livro do Génesis.

6. E assim cada homem traz em si o mistério do seu «princípio» intimamente ligado à consciência do significado generativo do corpo. Génesis 4, 1-2 parece calar-se sobre o tema da relação que medeia entre o significado generativo e o significado esponsal do corpo. Talvez agora nem seja tempo nem haja lugar para esclarecer esta relação, embora na futura análise isso pareça indispensável. Será necessário, então, levantar de novo as perguntas relacionadas com o aparecimento da vergonha no homem, vergonha da sua masculinidade e da sua feminilidade, anteriormente não experimentada. Neste momento, todavia, isto passa para segunda ordem. No primeiro plano mantém-se, na verdade, o facto de «Adão se ter unido («conhecido») a Eva, sua mulher e ela ter concebido e dado à luz» Este é verdadeiramente o limiar da história do homem. É o seu «princípio» na terra. Sobre este limiar o homem, como varão e mulher, tem a consciência do estado generativo do próprio corpo: a masculinidade encerra em si o significado da paternidade e a feminilidade o da maternidade. Em nome deste significado, um dia dará Cristo resposta categórica à pergunta que lhe fizerem os fariseus (Mt. 19; Mc. 10). Nós, todavia, penetrando o simples conteúdo desta resposta, procuramos ao mesmo tempo pôr em realce o contexto daquele «princípio», a que se referiu Cristo. Nele mergulha as raízes a teologia do corpo.

7. A consciência do significado do corpo e a consciência do seu significado generativo tomam contacto, no homem, com a consciência da morte, de que trazem em si, por assim dizer, o inevitável horizonte. Todavia, sempre volta na história do homem o ciclo «conhecimento-geração», em que a vida luta, sempre de novo, com a inexorável perspectiva da morte, e sempre a domina. É como se a razão desta inflexibilidade da vida, que se manifesta na «geração», fosse sempre o mesmo «conhecimento», com que o homem ultrapassa a solidão do próprio ser e, mais ainda, de novo se decide a afirmar tal ser num «outro». E ambos, homem e mulher, o afirmam no novo homem gerado. Nesta afirmação, o «conhecimento» bíblico parece adquirir uma dimensão ainda maior. Isto é, parece inserir-se naquela «visão» de Deus mesmo, com que termina a primeira narrativa da criação do homem acerca do «varão» e da «mulher» feitos «à imagem de Deus»: Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa (Gén. 1, 31). O homem, não obstante todas as experiências da própria vida, não obstante os sofrimentos, as desilusões de si mesmo, a sua pecaminosidade, e não obstante, enfim, a perspectiva inevitável da morte, coloca todavia, sempre de novo o «conhecimento» no «início» da «geração»; ele, assim, dir-se-ia que participa naquela primeira «visão» de Deus mesmo. Deus Criador «viu..., e toda a sua obra a considerou muito boa». E, sempre de novo, confirma ele a verdade destas palavras.

***

Nota

1.  Segundo Platão, o «eros» é o amor sedento do Belo transcendente e exprime a insaciabilidade tendente ao seu eterno objectivo; eleva, portanto, sempre o que é humano para o divino, que é o único a ser capaz de saciar a ansiedade da alma aprisionada na matéria; é amor que não recua diante do maior esforço, para atingir o êxtase da união; portanto é amor egocêntrico, é cobiça, embora dirigida para valores sublimes (cfr. A. NYGREN, Erôs et Agapé, Paris 1951, vol. 11, pp. 9-10).

No decorrer dos séculos, através de muitas transformações, o significado do «eros» foi abaixado até assumir notas meramente sexuais. Característico é, a este propósito, o texto de P. Chauchard, que parece mesmo negar ao «eros» as características do amor humano:

«La cérébralisation de la sexualité ne réside pas dans'les trucs techniques ennuyeux, mais dans la pleine reconnaissance de sa spiritualité, du fait qu'Erôs n'est humain qu'animé par Agapé et qu'Agapé exige l'incarnation dans Erôs» (P. CHAUCHARD, Vices des vertus, vertus des vices, Paris 1963, p. 147).

A comparação do «conhecimento» bíblico com o «eros» platónico revela a divergência das duas concepções. A concepção platónica baseia-se na ansiedade do Belo transcendente e na fuga da matéria: a concepção bíblica, pelo contrário, dirige-se à realidade concreta e alheia-se do dualismo do espírito e da matéria, como também da hostilidade específica contra a matéria («E Deus viu que isto era bom»: Gén. 1, 10.12.18.21.25).

Ao passo que o conceito platónico de «eros» ultrapassa o alcance bíblico do «conhecimento» humano, o conceito contemporâneo parece demasiado restrito. O «conhecimento» bíblico não se limita a satisfazer o instinto ou o gozo hedonístico, mas é acto plenamente humano, dirigido conscientemente para a procriação, e é também a expressão do amor interpessoal (cfr. Gén. 29, 20; 1 Sam. 1, 8; Sam. 12, 24).


Anúncio da visita à África

É-me grato, hoje, comunicar oficialmente a nova viagem apostólica, que tinha já sido anunciada no início do mês passado, por ocasião da Audiência especial concedida aos Representantes das comunidades das várias Nações Africanas, residentes em Roma. Trata-se da visita à Africa, que, acolhendo o convite feito pelos respectivos Episcopados e vários Chefes de Estado, realizarei de 2 a 12 do próximo mês de Maio, e, se Deus quiser, me levará a seis diversos Países daquele grande e promissor Continente: Zaire, República Popular do Congo, Quénia, Gana, Alto Volta e Costa do Marfim.

Agradeço cordialmente, também, ao Episcopado e às Autoridades civis dos outros Paises, cujo convite, gentilmente feito, não me é possível atender. Desejo assegurar-lhes que apreciei o seu gesto e que, com esta minha visita, me proponho homenagear toda a Africa e exprimir o meu sincero afecto a todos os habitantes daquele querido Continente.

O adjectivo apostólico, com o qual logo qualifiquei esta viagem, claramente indica qual seja a intenção essencial que move os meus passos. A finalidade, de facto, consiste em corresponder à minha missão de ministério universal e também em me encontrar com os Pastores e Fiéis daquelas florescentes comunidades, há tempo iluminadas pela fé em Cristo, que hoje se apresentam abertas ao sopro do seu Espírito: Recordarei, a propósito, que dois daqueles Países — o Zaire e o Gana — celebram este ano o centenário da evangelização: é necessário, portanto, o reconhecimento que, da parte da Igreja, se inspire nos sentimentos de alegria, satisfação e esperança pelo vigoroso desenvolvimento que a semente da Palavra de Deus teve naquelas regiões, encontrando ali o "bom terreno" que — como explica a parábola evangélica — garante abundantes frutos (Cfr. Lc 8, 11, 15; Mt 13, 23).

Por outro lado, como poderia esquecer o secular e generoso esforço, tão frequentemente levado até ao heroísmo e ao martírio, que numerosos grupos de Missionários e Missionárias — Sacerdotes, Religiosas e Leigos — envidaram no vasto Continente?

E como poderia, além disso, esquecer o impulso dado pelo Magistério pessoal e pelo ministério dos Sumos Pontífices deste século, para um mais intenso e incisivo trabalho em terras de África? Entre tantos exemplos, desejo pelo menos recordar a Encíclica Fidei donum do Papa Pio XII (1957), que deu vida a várias iniciativas benéficas, e também a obra do meu Predecessor mais próximo, Paulo VI, de sempre venerada memória, que, tendo presente a Constituição conciliar Ad Gentes, em Outubro de 1968, dirigiu uma calorosa Mensagem ao Episcopado e aos Povos da África, efectuando em seguida uma importante viagem ao Uganda.

É do coração que faço votos por que, com o auxílio do Senhor, a minha visita possa contribuir para o incremento da fé cristã naquelas regiões que estão brancas para a ceifa (Jo 4, 35), e, ao mesmo tempo, estimule todas as populações do Continente a trabalharem, com empenho confiante e decidido, pelo autêntico progresso humano ao serviço da fraternidade e da paz.


Pesar pela morte de D. Romero

Neste particular momento de perturbação e de ansiedade, convido-vos a unirdes-vos à minha dor e oração, por causa do assassínio do Arcebispo de San Salvador, D. Oscar Arnulfo Romero y Galdamez. A notícia de que o Prelado tinha sido barbaramente assassinado durante a celebração da Santa Missa, chegou ontem: ele foi ferido mortalmente no momento mais sagrado, durante a função mais excelsa, mais divina.

Todos estamos sem palavras, perante uma tal violência, que não se deteve nem mesmo diante dos umbrais de uma Igreja, para levar a termo o seu cego programa de morte.

Caríssimos irmãos e irmãs, deixai que o Papa exprima todo o seu pesar por este novo episódio de crueldade, loucura e ferocidade. Foi morto um homem, que se acrescenta à já tão numerosa sequência de vitimas inocentes: foi morto um Bispo da Igreja de Deus, no exercício da sua missão santificadora, ao oferecer a Eucaristia (Cfr. Lumen Gentium, 26). É um irmão no Episcopado que foi extinto, e por isso não só a sua Arquidiocese, mas toda a Igreja está sofrendo por uma tal iníqua violência, que se acrescenta a todas as outras formas de terrorismo e de vingança, que hoje no mundo degradam a dignidade do homem — pois a vida de cada homem é sagrada! —  exterminam a bondade, a justiça, o direito, e sobretudo ofendem o Evangelho e. a sua mensagem de amor, de solidariedade e de fraternidade em Cristo.

Para onde vai o mundo? E repito ainda hoje: para onde vamos?

Não se melhora a sociedade, nem se eliminam os contrastes ou se constrói o amanhã com a barbárie. A violência destrói. Não substitui valores, mas corre para a beira de um abismo: o profundo abismo do ódio.

Somente o amor constrói, somente o amor salva!

Ao renovar o meu amargurado apelo a fim de que em todas as Nações finalmente triunfe a concórdia da paz operosa, reafirmo o meu pesar por esta nova e trágica acção sanguinária; e particularmente exprimo a minha participação de afecto e de oração à querida Igreja de San Salvador, enviando a todos, Bispos, sacerdotes e fiéis, a minha Bênção de irmão e de pai.


Saudações

A uma peregrinação de Cagliari (Itália)

Desejo dirigir uma calorosa saudação à peregrinação da Arquidiocese de Cagliari; ela vem acompanhada pelo Arcebispo D. Giuseppe Bonfiglioli, encontrando-se também presente o seu predecessor, Cardeal Sebastiano Baggio.

Caríssimos Irmãos e Filhos, agradeço-vos esta visita, que me é particularmente querida porque testemunha a fé e a dedicação não só dos Calharitanos, mas também de toda a nobre ilha da Sardenha; a dez anos de distância da visita ali realizada pelo inesquecível Papa Paulo VI. Espero que a vossa presença em Roma contribua quer para consolidar cada vez mais a vossa adesão ao Senhor, aqui onde se conservam os túmulos dos primeiros Apóstolos e Mártires, quer para aumentar o sentido da vossa pertença à grande comunidade eclesial, da qual este agrupamento é já, de per si, sinal eloquente. Faço votos por que a vossa vida de cada dia seja acompanhada da alegria de uma fé autêntica, que se torne também estimulo e força para superar todas as dificuldades que a existência nesta terra reserva a cada um de nós.

O Senhor vos proteja sempre, juntamente com Nossa Senhora de Bonaria. Da minha parte, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica a fim de que sirva de conforto para vós e para todos os que vos são queridos, especialmente os que sofrem, as crianças e todos os que se encontram em necessidades particulares.

A uma peregrinação de Pompeia (Itália)

Merece uma palavra particularmente afectuosa a numerosa peregrinação da Prelatura de Pompeia, acompanhada pelo Bispo D. Domenico Vacchiano, juntamente com a Delegação Pontifícia, com o Presidente da Câmara da Cidade e com a Junta Municipal. Sei que também se encontra presente a Banda Musical dos Alunos das Obras do Santuário. Para todos, indistintamente, a minha cordial saudação.

Caríssimos, a vossa presença hodierna faz-me recordar com prazer o meu encontro convosco o ano passado no mês de Outubro, e da entusiástica recepção que nessa ocasião me reservastes. Agradeço-vos sinceramente esta visita que une idealmente o célebre Santuário de Nossa Senhora do Rosário com esta Sede Pedro num único acto de devoção a Nosso Senhor Jesus Cristo, que está no centro da nossa comum fé cristã e que tanto Maria como Pedro, de modos diversos, amaram, serviram e testemunharam. Aos numerosos jovens que se encontram entre vós, faço votos paternais por que saibam estimular todos os dias o seu entusiasmo num contacto confidente com Jesus e com Sua Mãe, de modo a implantarem fundamentos sólidos para uma vida de empenho sério em favor da sociedade e da Igreja.

Para todos faço votos de prosperidade cristã e de todo o bem; seja disso penhor a minha Bênção Apostólica, que de coração vos concedo, convidando-vos a torná-la extensiva a todos os que vos são queridos.

A peregrinação paroquial de Portovenere (Itália)

A afectuosa saudação que vos dirijo caríssimos participantes na peregrinação paroquial de Portovenere, deseja ser uma resposta cordial à visita que quiseste: fazer-me, na alegre ocorrência do 850º aniversário da dedicação da vossa igreja de São Lorenço, realizada pelo meu predecessor Inocêncio II. Estou informada da vossa actividade, inspirada pelos ensinamentos do Evangelho, e também da vossa devoção ao Apóstolo Pedro. Faço votos por que as solenes manifestações em programa, favoreçam cada vez mais a vossa orientação para Cristo, nosso Salvador, e o empenho de dar sempre generoso testemunho, a Ele e ao seu Evangelho.

Com a minha Bênção Apostólica, que concedo de coração a vós e àqueles que vos são queridos.

Ao Coro dos "Intonati e stonati" de Siena (Itália)

Dirijo agora à "`Associação Coral" de Siena, que alegrou esta Audiência, uma saudação e uma palavra de cordial apreço. Filhos caríssimos, é digna de louvor a finalidade que guia o vosso empenho: tornar proveitosos para o canto coral também aqueles a quem a natureza não favoreceu particularmente. Não há nisto um símbolo e uma lição para todos os outros sectores da vida? A generosidade, a humildade e a constância podem ajudar a levar a um "acorde" pacificador, que se revela, depois, fonte de alegria para todos. Desejo, pois, que sejais apóstolos de paz e de acordo em família, na escola e em todos os ambientes em que vos encontrardes.

Com a minha Bênção Apostólica!

A vários grupos de jovens

E agora uma palavra para os jovens. Caríssimos; sede bem-vindos! A vossa presença, tão alegre e espontânea, testemunha que a Igreja é jovem e está projectada para o futuro. Sede conscientes das vossas responsabilidades: a mensagem de Cristo está confiada à vossa generosidade e ao vosso entusiasmo. Vós deveis levá-la para o novo milénio, que se delineia no horizonte. É uma mensagem empenhativa: anuncia a redenção mediante a cruz, a vida e a alegria através do sofrimento e da morte; anuncia Cristo crucificado, morto e ressuscitado.
Se quereis ser disso testemunhas críveis, empenhai-vos em encarná-la antes de tudo na vossa vida: quem de vós se aproxima deve poder recolher nas vossas palavras, nos vossos gestos, em tudo aquilo que sois, um reflexo do rosto luminoso de Cristo ressuscitado. Jesus quer caminhar convosco pelos caminhos do mundo, que se apresentam nestes anos difíceis: não vos esqueçais disso! Dou-vos a minha Bênção Apostólica.

A dois grupos do Movimento dos Focolares

Saúdo com imenso prazer os dois numerosos grupos, aqui presentes, que fazem parte do Movimento dos Focolares, e que participaram, há dias, no Centro Mariapoli de Rocca di Papa, num congresso sobre a caridade, na qual se devem inspirar como ideal de vida, animando o ambiente paroquial e social com o testemunho concreto do amor mútuo e procurando ser o seu fermento de comunhão e de unidade.

Caríssimos, ao dizer-vos o meu cordial obrigado pela vossa visita e pelos vossos sentimentos de dedicação, exorto-vos a continuardes no empenho de oferecer testemunho genuíno de vida cristã.

O Redentor confirme os vossos generosos propósitos com a sua graça, em penhor da qual concedo a minha Bênção.

Aos Doentes Caríssimos Doentes!

Como sempre, chegue até vós a minha saudação sempre sincera e afectuosa.

Como infelizmente na sociedade actual há tanta violência, dirijo-me de modo especial a vós, a fim de que, nestes dias santos que nos aproximam da Páscoa, olheis para o Crucifixo para cooperar com amor mais intenso na Redenção da humanidade, segundo os misteriosos mas sempre sapientes desígnios da Providência.

A minha Bênção vos acompanhe.

Aos jovens Casais

Caríssimos jovens Casais!

Viestes à Audiência do Papa nesta circunstância para vós tão bela e encantadora do matrimónio; sede bem-vindos e aceitai a minha saudação e os meus mais cordiais votos de felicidade.

Ao iniciardes agora a vossa nova vida, levai para o mundo o vosso amor e a vossa fidelidade com alegria e coragem, como um ramo de oliveira e uma lâmpada acesa em sinal de paz e de fraternidade.

De todo o coração invoco sobre vós a bênção do Senhor.

Aos Representantes do Movimento Internacional de Apostolado e de Ambientes Sociais Independentes

Tenho o prazer de saudar os Membros do "Bureau du Mouvement International d'Apostolat des Milieux Sociaux Indépendants". Formulo os melhores votos, queridos Amigos, para a Assembleia geral que estais a preparar e que terá por tema: "Sinais dos tempos — Anúncio de Jesus Cristo". Sim, as pessoas dos meios em que estais naturalmente inseridos têm, às vezes, grandes responsabilidades humanas que monopolizam as suas preocupações; é ali que Jesus Cristo lhes deve ser anunciado, por meio de leigos cristãos que estão junto deles, que souberam renovar e fortificar as próprias convicções de fé, que as afirmam, e que testemunham com a sua vida o espírito do Evangelho. Agradeço-vos o trabalho que realizais ao serviço do Movimento, e levai a todos os vossos colegas do MIAMSI o encorajamento do Papa que os abençoa de todo o coração.

Aos paroquianos de Montmartre (França)

Tenho também a dizer urna palavra sincera aos paroquianos de Saint Pierre de Montmartre e ao seu pároco.

Felicito-vos por amardes a vossa bela igreja romana, tão rica de recordações, e por quererdes embelezá-la ainda mais, oferecendo-lhe três portas de bronze esculpidas por Tommaso Gismondi e fundidas em Anagni, em honra de São Pedro, de São Dionísio, primeiro Bispo de Paris, e da Virgem Maria. Os meus parabéns ao artista que empregou neste tríptico o melhor do seu talento e da sua fé! E obrigado a todos por me terem dada a alegria de benzer estes trabalhos!

Permiti-me também que vos encoraje a construir constantemente a vossa comunidade paroquial. Que cada um se torne cada vez mais responsável da sua unidade na caridade, do seu avanço nos caminhos da fé concretamente vivida e dignamente celebrada, da sua atenção evangélica por aqueles que vivem ou passam pela célebre colina de Montmartre! Peço ao Senhor que vos ampare e abençoe.

 

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