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MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS JOVENS E ÀS JOVENS
DO MUNDO POR OCASIÃO DO 
IV DIA MUNDIAL DA JUVENTUDE 1989

 

«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo. 14, 6).

 

Queridos Jovens!

1. Sinto muita alegria em estar mais uma vez entre vós para anunciar a celebração do IV Dia Mundial da Juventude. No meu diálogo convosco, com efeito, este Dia ocupa um lugar privilegiado, porque me oferece a feliz oportunidade de dirigir a palavra aos jovens não só de um País, mas de todo o mundo, para dizer a todos e a cada um de vós que o Papa vos olha com muito amor e muita esperança, que vos escuta com muita atenção e quer corresponder às vossas expectativas mais profundas.

O Dia Mundial de 1989 terá como ponto central Jesus Cristo, como nosso Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo. 14, 6). Por conseguinte, deverá tornar-se para todos vós o Dia de uma nova, mais amadurecida e mais profunda descoberta de Cristo na vossa vida.

Ser jovens constitui já de per si uma riqueza singular, própria de cada um dos jovens e de cada uma das jovens (cf. Carta aos Jovens e às Jovens do mundo, 1985, n. 3). Esta riqueza consiste, entre outras coisas, no facto que a vossa é uma idade de muitas descobertas importantes. Cada um e cada uma de vós descobre em si mesmo a própria personalidade, o sentido da própria existência, a realidade do bem e do mal. Descobris também todo o mundo que vos circunda – o mundo dos homens e o mundo da natureza. Ora, entre estas numerosas descobertas não deve faltar uma, que é de importância fundamental para cada ser humano: a descoberta pessoal de Jesus Cristo. Descobrir Cristo sempre de novo e sempre melhor é a aventura mais maravilhosa da nossa vida. Portanto, por ocasião do próximo Dia da Juventude, desejo propor a cada um e a cada uma de vós algumas questões muito importantes e indicar-vos as respostas.

- Já descobriste Cristo, que é o Caminho?

Sim, Jesus é para nós um caminho que conduz ao Pai – o Caminho único. Quem quer alcançar a salvação deve encaminhar-se por este caminho. Vós, jovens, com muita frequência vos encontrais na encruzilhada, sem saber que caminho escolher, para onde ir; há muitos caminhos errados, muitas propostas fáceis, muitas ambiguidades. Nestes momentos não esqueçais que Cristo, com o seu Evangelho, com o seu exemplo, com os seus mandamentos, é sempre e exclusivamente o caminho mais seguro, o caminho que leva a uma felicidade plena e duradoura.

- Já descobriste Cristo, que é a Verdade?

A verdade é a exigência mais profunda do espírito humano. Sobretudo os jovens são sequiosos da Verdade acerca de Deus e do homem, da vida e do mundo. Na minha primeira encíclica Redemptor hominis escrevi: «O homem que quiser compreender-se a si mesmo profundamente – não apenas segundo imediatos, parciais, não raro superficiais e até mesmo só aparentes critérios e medidas do próprio ser – deve, com a sua inquietude, incerteza e também fraqueza e  pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo» (n. 10). Cristo é a Palavra de verdade, pronunciada por Deus mesmo, como resposta a tantos interrogativos do coração humano. É Aquele que nos desvela plenamente o mistério do homem e do mundo.

- Já descobriste Cristo, que é a Vida?

Cada um de vós deseja ardentemente viver a vida na sua plenitude. Viveis animados por grandes esperanças, por tantos bons projetos para o futuro. Não esqueçais, porém, que a verdadeira plenitude da vida só se encontra em Cristo, morto e ressuscitado por nós. Só Cristo é capaz de preencher até ao fim o espaço do coração humano. Só Ele dá a força e a alegria de viver, e isto apesar de todos os limites e obstáculos exteriores.

Sim, descobrir Cristo é a mais linda aventura da vossa vida. Mas não basta descobri-l´O só uma vez. Cada descoberta que se faz d´Ele, torna-se um convite a procurá-l´O cada vez mais, a conhecê-l´O ainda melhor mediante a oração, a participação dos sacramentos, a meditação da Sua Palavra, a catequese, a escuta dos ensinamentos da Igreja. É, esta, a nossa tarefa mais importante, como tinha compreendido muito bem São Paulo, quando escrevia: «Para mim, o viver é Cristo» (Fil. 1, 21).

2. Da nova descoberta de Cristo – quando é autêntica – nasce sempre, como consequência direta, o desejo de O levar aos outros, ou seja, um empenho apostólico. Esta é, precisamente, a segunda linha diretriz do próximo Dia da Juventude.

Toda a Igreja é destinatária do mandato de Cristo: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda a criatura» (Mc. 16, 15). Toda a Igreja, por conseguinte, é missionária e evangelizadora, vivendo em contínuo estado de missão (cf. Decr. Ad Gentes, 2). Ser cristão significa ser missionário-apóstolo (cf. Decr. Apostolicam actuositatem, 2). Não basta descobrir Cristo – é preciso levá-l´O aos outros!

O mundo de hoje é uma grande terra de missão, até nos países de antiga tradição cristã. Em toda a parte, hoje, o neopaganismo e o processo de secularização constituem um grande desafio à mensagem evangélica. Mas, ao mesmo tempo, apresentam-se também nos nossos dias novas ocasiões para o anúncio do Evangelho; nota-se, por exemplo, uma crescente nostalgia do sagrado, dos valores autênticos, da oração. Portanto, o mundo de hoje precisa de muitos apóstolos – sobretudo de apóstolos jovens e corajosos. A vós, jovens, compete de modo particular a tarefa de testemunhar a fé hoje e o empenho de levar o Evangelho de Cristo – Caminho, Verdade e Vida – ao terceiro Milénio cristão, compete a tarefa de construir uma nova civilização que seja civilização de amor, de justiça e de paz.

Para cada nova geração são necessários novos apóstolos. E aqui surge uma especial missão para vós. Sois vós, jovens, os primeiros apóstolos e evangelizadores do mundo juvenil, atormentado hoje por tantos desafios e ameaças (cf. Decr. Apostolicam actuositatem, 12). Principalmente vós podeis sê-lo, e ninguém vos pode substituir no ambiente de estudo, de trabalho e de recreação. São muitos dos vossos coetâneos que não conhecem Cristo ou que não O conhecem suficientemente. Portanto, não podeis ficar calados e indiferentes! Deveis ter a coragem de falar de Cristo, de testemunhar a vossa fé mediante o vosso estilo de vida inspirado no Evangelho. São Paulo escreve: «Ai de mim se não evangelizar» (1 Cor. 9, 16). Verdadeiramente, a messe evangélica é grande e são precisos muitos operários. Cristo confia em vós e conta com a vossa colaboração. Por ocasião do próximo Dia da Juventude convido-vos, portanto, a renovar o vosso empenho apostólico. Cristo precisa de vós! Respondei à sua chamada com coragem e com o ardor próprio da vossa idade.

3. O famoso Santuário de Santiago de Compostela, na Espanha, constituirá um ponto de referência bastante importante para a celebração deste Dia em 1989. Como já vos anunciei, depois da celebração ordinária da vossa festa – no Domingo de Ramos – nas Igrejas particulares, marco-vos um encontro precisamente naquele Santuário, aonde irei, peregrino como vós, a 19 e 20 de Agosto de 1989; estou certo que não faltareis ao convite, como não faltastes ao inesquecível encontro de Buenos Aires, em 1987.

O encontro de Santiago terá, contudo, a participação de toda a Igreja universal, será um momento de comunhão espiritual também com os que entre vós não poderão estar fisicamente presentes. Em Santiago os jovens representarão, de facto, as Igrejas particulares de todo o mundo, e o «Caminho de Santiago» e o impulso evangelizador serão património de todos vós.

Santiago de Compostela é um lugar que desempenhou um papel de grande importância na história do cristianismo e, por conseguinte, já de per si transmite a todos uma mensagem espiritual muito eloquente. Este lugar foi nos séculos «ponto de atracão e de convergência para a Europa e para toda a Cristandade... A Europa inteira encontrou-se a si mesma à volta da memória de São Tiago, nos séculos em que ela se edificava como continente homogéneo e unido espiritualmente» (cf. «Ato Europeísta» em Santiago de Compostela, de 9 de Novembro de 1982, em Insegnamenti V/3, 1982, pp. 1257-1258).

Junto de túmulo de São Tiago queremos aprender que a nossa fé é historicamente fundada e, portanto, não é algo de vago nem de passageiro: no mundo de hoje, marcado por um forte relativismo e por uma forte confusão de valores, devemos sempre recordar que, como cristãos, somos realmente edificados sobre o alicerce dos Apóstolos, com Cristo por pedra angular (cf. Ef. 2, 20).         

Junto do túmulo do Apóstolo, queremos também acolher de novo o mandato de Cristo: «Sereis Minhas testemunhas... até aos confins do mundo» (Act. 1, 8). São Tiago, que foi o primeiro a selar o seu testemunho de fé com o próprio sangue, é para todos nós um exemplo e um mestre excelente.

Santiago de Compostela não é só um santuário, mas é também um caminho, ou seja, uma densa rede de itinerários de peregrinação. O «Caminho de Santiago» foi durante séculos um caminho de conversão e de extraordinário testemunho da fé. Ao longo deste caminho surgiam os monumentos visíveis da fé dos peregrinos: as igrejas e numerosos hospícios.

A peregrinação tem um significado espiritual muito profundo e pode constituir já de per si uma importante catequese. Com efeito – como nos recordou o Concílio Vaticano II – a Igreja é um povo de Deus que caminha «em busca da cidade futura e permanente» (cf. Const. Lumen Gentium, 9). Hoje, no mundo, a prática da peregrinação conhece um período de renascimento, sobretudo entre os jovens. Vós sois entre os mais sensíveis a reviver, hoje, a peregrinação como «caminho» de renovamento interior, de aprofundamento da fé, de fortalecimento do sentido da comunhão e da solidariedade com os irmãos, e como meio para descobrir as vocações pessoais. Estou certo que graças ao vosso entusiasmo juvenil o «Caminho de Santiago» receberá este ano um novo e rico desenvolvimento.

4. O programa deste Dia requer muito empenho. Para recolher os seus frutos é, portanto, necessária uma específica preparação espiritual sob a guia dos vossos pastores nas dioceses, nas paróquias, associações e movimentos, quer para o Domingo de Ramos, quer para a peregrinação a Santiago de Compostela, em Agosto de 1989. No início desta fase preparatória, dirijo-me a todos e a cada um de vós com as palavras do apóstolo Paulo: «Progredi na caridade... comportai-vos como filhos da luz» (Ef. 5, 2.8). Entrai neste período de preparação com estas disposições de espírito!   Caminhai, pois, digo-o a todos vós, jovens peregrinos do «Caminho de Santiago». Procurai encontrar, durante os dias da peregrinação, o espírito dos antigos peregrinos, corajosas testemunhas da fé cristã. Neste caminho aprendei a descobrir Jesus que é o nosso Caminho, Verdade e Vida.

Quero, por fim, dirigir uma palavra especial de encorajamento aos jovens da Espanha. Desta vez sereis vós a oferecer hospitalidade aos vossos irmãos e às vossas irmãs, provenientes de todo o mundo. Desejo-vos que este encontro em Santiago deixe traços profundos na vossa vida e seja para todos vós um poderoso fermento de renascimento espiritual.

Queridos jovens, queridas jovens, concluo esta Mensagem com um abraço de paz que desejo enviar a todos vós, onde quer que estejais. Confio o caminho de preparação e de celebração do Dia Mundial da Juventude de 1989 à especial protecção de Maria, Rainha dos Apóstolos, e a São Tiago, venerado nos séculos no antigo Santuário de Compostela. A minha Bênção Apostólica vos acompanhe, em sinal de encorajamento e dos meus bons votos, ao longo de todo o itinerário.

Do Vaticano, a 27 de Novembro de 1988.

Johannes Paulus PP. II

 

(L’Osservartore Romano, Edição semanal em português, Ano XIX, n. 52 [996], 25 de Dezembro de 1988, revisto segundo o novo acordo ortográfico)



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