![]() |
![]() |
|
|
PAPA BENTO XVI ANGELUS Domingo, 4 de Dezembro de
2005 Queridos Irmãos e Irmãs!
A Virgem é Aquela que permanece à escuta, sempre pronta a fazer a vontade de Deus. A este tema, como também à relação entre verdade e liberdade, o Concílio Vaticano II dedicou uma atenta reflexão. Em particular, os Padres conciliares aprovaram, precisamente há quarenta anos, uma Declaração relativa à questão da liberdade religiosa, isto é, ao direito das pessoas e das comunidades de poderem procurar a verdade e professar livremente a sua fé. As primeiras palavras que dão o título a este documento são "Dignitatis humanae": a liberdade religiosa deriva da dignidade singular do homem que, entre todas as criaturas desta terra, é a única capaz de estabelecer uma relação livre e consciente com o seu Criador. "De harmonia com a própria dignidade diz o Concílio todos os homens, que são pessoas dotadas de razão e de vontade livre... são levados pela própria natureza e também moralmente a procurar a verdade, antes de mais a que diz respeito à religião" (DH, 2). O Vaticano II reafirma assim a doutrina católica tradicional pela qual o homem, enquanto criatura espiritual, pode conhecer a verdade e, por conseguinte, tem o dever e o direito de a procurar (cf. ibid., 3). Com este fundamento, o Concílio insiste amplamente sobre a liberdade religiosa, no respeito das legítimas exigências da ordem pública. E este ensinamento conciliar, depois de quarenta anos, permanece ainda de grande actualidade. De facto, a liberdade religiosa ainda está longe de ser bem garantida em toda a parte: nalguns casos, ela é negada por motivos religiosos ou ideológicos; outras vezes, mesmo sendo reconhecida por escrito, é impedida concretamente pelo poder político ou, de maneira mais dissimulada, pelo predomínio cultural do agnosticismo e do relativismo. Rezemos para que todos os homens possam realizar plenamente a vocação religiosa que leva inscrita no próprio ser. Maria nos ajude a reconhecer no rosto do Menino de Belém, concebido no seu seio virginal, o divino Redentor que veio ao mundo para nos revelar o rosto de Deus.
|
|