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MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI
AOS MEMBROS DAS PONTIFÍCIAS ACADEMIAS
POR OCASIÃO DA X ASSEMBLEIA PÚBLICA

Terça-feira, 15 de Novembro de 2005

 

Senhor Cardeal
Venerados Irmãos no Episcopado
e no Sacerdócio
Prezados irmãos e irmãs

É-me grato transmitir uma especial saudação a todos vós, que participais na X Assembleia Pública das Pontifícias Academias, momento importante do caminho anual de compromisso de cada uma das Pontifícias Academias, e meta significativa do caminho percorrido em conjunto. Com efeito, o Conselho de Coordenação entre as Pontifícias Academias foi instituído precisamente há dez anos, pelo servo de Deus João Paulo II, com a finalidade de imprimir um novo impulso à vida e às actividades das mesmas Academias. Dirijo um pensamento afectuoso ao Senhor Cardeal Paul Poupard, Presidente do Conselho de Coordenação entre as Pontifícias Academias, enquanto lhe agradeço o compromisso com que tem levado a cabo esta sua responsabilidade, seguindo primeiro a reforma das Academias e, sucessivamente, o seu desenvolvimento segundo uma finalidade específica: oferecer à Igreja, assim como ao mundo da cultura e das artes, um renovado projecto de autêntico humanismo cristão, válido e significativo para os homens e as mulheres do terceiro milénio. Além disso, saúdo os Cardeais, os Irmãos no Episcopado, os Embaixadores, os Sacerdotes, os Responsáveis e os Representantes das Pontifícias Academias, que intervieram na presente Assembleia Pública.

Este encontro solene, que vê protagonistas a Pontifícia Academia de s. Tomás de Aquino e a Pontifícia Academia de Teologia, realiza-se à volta de um tema Cristo, Filho de Deus, homem perfeito, "medida do verdadeiro humanismo" que me é particularmente querido, considerando a sua centralidade e essencialidade, tanto na reflexão teológica como na experiência de fé de cada um dos cristãos. A cultura contemporânea, profundamente assinalada por um subjectivismo que não poucas vezes termina no individualismo extremo ou no relativismo, impele os homens a tornarem-se a única medida de si mesmos, perdendo de vista outros objectivos que não sejam aqueles centrados no próprio eu, que já se tornou o único critério de avaliação, tanto da realidade como das próprias opções. Deste modo, o homem tende a fechar-se cada vez mais em si mesmo, a encerrar-se num microcosmos existencial asfixiado, em que não têm mais lugar os grandes ideais abertos à transcendência, a Deus. No entanto, o homem que se supera a si mesmo, e não se deixa aprisionar no limitado espaço do seu egoísmo, é capaz de uma consideração genuína do próximo e da criação. Assim, ele torna-se consciente da sua característica essencial de criatura em contínuo devir, chamada a um crescimento harmonioso em todas as suas dimensões, a começar precisamente pela interioridade, para chegar à realização completa daquele projecto que o Criador imprimiu no mais profundo do seu ser.

Certas tendências ou correntes culturais têm em vista colocar os homens numa situação de inferioridade, de infância ou de adolescência prolongada. A Palavra de Deus, ao contrário, estimula-nos com determinação à maternidade e exorta-nos a comprometer-nos com todas as nossas forças em prol de uma elevada medida de humanidade. Ao escrever à comunidade de Éfeso, são Paulo exortava os cristãos a não se comportarem como os pagãos, "no vazio da sua mente, obscurecidos no pensamento e alienados da vida de Deus" (4, 17-18). Os verdadeiros discípulos do Senhor, pelo contrário, longe de permanecerem na condição de crianças, levadas de um lugar para outro por qualquer vento de doutrina (cf. Ef 4, 14), esforçam-se por chegar à estatura do "homem perfeito, à medida completa da plenitude de Cristo" (Ef 4, 13). Por conseguinte, o homem perfeito segundo o qual se mede o humanismo autêntico é Jesus Cristo, Filho de Deus, entregue pelo Pai à humanidade para restabelecer a sua imagem deturpada pelo pecado. É com Ele que todos os homens se devem confrontar; é para Ele que, com a ajuda da graça, eles devem tender com todo o seu coração, com toda a sua mente e com todas as suas forças, para realizar plenamente a sua existência e para responder com alegria e entusiasmo à excelsa vocação inscrita no seu coração (cf. Gaudium et spes, 22). Por este motivo, dirijo-me particularmente a vós, estimados e ilustres Académicos, para vos exortar a fomentar com entusiasmo e com paixão, cada qual no seu próprio campo de estudo e de investigação, a construção deste novo humanismo. Vós tendes a tarefa de propor novamente, com a competência que vos é própria, a beleza, a bondade e a verdade do Rosto de Cristo, em que cada homem é chamado a reconhecer os seus traços mais autênticos e originais, o modelo que deve ser imitado cada vez melhor. Portanto, esta é a vossa árdua tarefa, a vossa missão sublime: indicar Cristo ao homem contemporâneo, apresentando-o como a verdadeira medida da maturidade e da plenitude humana.

Caríssimos amigos, seguindo a tradição inaugurada pelo meu venerado Predecessor, sinto-me feliz por confirmar o Prémio das Pontifícias Academias, instituído há dez anos para encorajar o compromisso de jovens estudiosos, artistas e instituições, que dedicam a sua actividade à promoção dos valores cristãos. Acolhendo, por conseguinte, a proposta formulada pelo Conselho de Coordenação, é-me grato atribuir o Prémio das Pontifícias Academias ao Dr. Giovanni Catapano, de Pordenone, pela obra: "O conceito de filosofia nos primeiros escritos de Agostinho. Análise das passagens metafilosóficas do Contra Academicos ao De vera religione", em que é atentamente investigada a concepção filosófica do "primeiro" Agostinho, nos seus aspectos mais originais. Além disso, por sugestão do mesmo Conselho de Coordenação, como sinal de estima e de encorajamento, desejo entregar uma Medalha do Pontificado a outros dois estudiosos: o Dr. Massimiliano Marianelli, de Lama (Perúsia), pela obra: "A metáfora reencontrada. Mitos e símbolos na filosofia de Simone Weil"; e o Rev.do Prof. Santiago Sanz Sánchez, originário de Talavera de la Reina (Toledo), pela dissertação intitulada: "A relação criação-aliança na teologia contemporânea: status quaestionis e reflexões filosófico-teológicas". Enfim, gostaria de manifestar a todos os Académicos, e especialmente aos membros da Pontifícia Academia de s. Tomás de Aquino e da Pontifícia Academia de Teologia, o meu profundo apreço pela actividade realizada, e expressar os bons votos para um renovado e generoso compromisso nos campos teológico e filosófico.

Com estes sentimentos, enquanto confio cada um de vós, assim como a vossa preciosa obra de estudo e de investigação criativa, à protecção maternal da Virgem Maria, Mãe de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, concedo-vos a todos uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 5 de Novembro de 2005.

PAPA BENTO XVI

© Copyright 2005 - Libreria Editrice Vaticana

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