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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
DURANTE O ENCONTRO COM OS JOVENS EMPRESÁRIOS
 ITALIANOS DA "CONFINDÚSTRIA"

 Sábado, 6 de Maio de 2007

Caros amigos

Obrigado por esta vossa visita, que me é particularmente grata:  a cada um de vós dirijo a minha cordial saudação. Em primeiro lugar, saúdo o vosso Presidente, o Dr. Matteo Colaninno, e agradeço-lhe as amáveis palavras que me dirigiu em nome de todos vós. Estendo o meu pensamento aos Representantes nacionais, regionais e provinciais do Movimento dos Jovens Empresários, assim como a todos os membros da vossa Agremiação, que se distingue pelo facto de ser um Movimento de pessoas e não simplesmente uma organização de empresas.
Deste modo, deseja-se pôr em evidência a responsabilidade do empresário, chamado a oferecer uma contribuição peculiar para o desenvolvimento económico da sociedade. Com efeito, o nível de bem-estar social de que hoje goza a Itália não seria pensável sem o contributo dos empresários e dos dirigentes, "cujas funções", como recorda o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, "revestem uma importância central do ponto de vista social, porque se inserem naquela rede de vínculos técnicos, comerciais, financeiros e culturais, que caracterizam a moderna realidade da empresa" (n. 344).

Neste nosso encontro, gostaria de expor também algumas breves considerações relativas ao vosso papel nos âmbitos da vida económica. Aproveito a referência de um famoso e frequentemente citado texto do Concílio Vaticano II:  "As empresas económicas recorda o Concílio são associações de pessoas, quer dizer, de homens livres e autónomos, criados à imagem de Deus. Por isso, com o devido respeito pelas funções de cada um proprietários, administradores, gerentes ou trabalhadores e salva a necessária unidade na direcção, deve promover-se a participação activa de todos na gestão da empresa, segundo formas que serão determinadas com acerto" (Constituição pastoral Gaudium et spes, 68).

Cada empresa há-de ser considerada, em primeiro lugar, como um conjunto de pessoas, que deve ser respeitada nos seus direitos e na sua dignidade. A este propósito, foi com prazer que tomei conhecimento do facto de que o vosso Movimento, ao longo destes anos, se comprometeu em salientar com vigor a centralidade do homem no campo da economia. A este respeito, é significativo o vosso primeiro Congresso nacional de 2006, sobre o tema:  A Economia do Homem. Efectivamente, é indispensável que a última referência de cada intervenção económica seja o bem comum e a realização das legítimas expectativas do ser humano. Em síntese, a vida humana e os seus valores devem constituir sempre o princípio e a finalidade da economia.
Nesta perspectiva, adquire o seu justo valor a função do lucro, como primeiro indicador do bom funcionamento da empresa. O Magistério Social da Igreja reconhece a sua importância, sublinhando ao mesmo tempo a necessidade de tutelar a dignidade das pessoas que a vários níveis estão comprometidas nas empresas. Mesmo nos momentos de maior crise, o critério que governa as opções empresariais não pode ser a mera promoção de um maior lucro.

A este propósito, o supramencionado Compêndio afirma:  "Os empresários e os gerentes não podem ter em consideração exclusivamente a finalidade económica da empresa, os critérios da eficácia financeira, as exigências da gestão do "capital", como conjunto de meios de produção:  cabe-lhes também como dever específico o respeito concreto pela dignidade humana dos empregados que trabalham na empresa". "Estes últimos acrescenta o texto constituem o "património mais precioso da empresa", o factor determinante da produção. Nas grandes decisões estratégicas e financeiras, de compra ou de venda, de reorganização  ou  de  fechamento  de  instalações,  na  política  das  fusões,  não  se pode  limitar  exclusivamente  a  critérios de natureza financeira ou comercial" (n. 344).

É necessário que a actividade de trabalho volte a ser o âmbito em que o homem possa realizar as suas próprias potencialidades, fazendo frutificar as capacidades e o engenho individuais, e depende em grande parte de vós, empresários, a criação das condições mais favoráveis para que isto aconteça. É verdade, tudo isto não é fácil, uma vez que o mundo do trabalho está assinalado por uma crise vigorosa e persistente, mas estou persuadido de que não poupareis esforços em vista de salvaguardar a ocupação de trabalho, de modo particular dos jovens. Com efeito, para construir o próprio futuro com confiança, eles devem poder contar com uma fonte de sustento segura para si mesmos e para os seus entes queridos.

Ao lado da centralidade do homem na economia, a vossa reflexão ao longo destes anos enfrentou outros argumentos de grande actualidade, como por exemplo o tema da família no interior da empresa italiana. Diversas vezes tive a possibilidade de reiterar a importância da família alicerçada no matrimónio, como elemento-chave da vida e do desenvolvimento de uma sociedade. Trabalhar em favor das famílias significa contribuir para renovar o tecido da sociedade e assegurar as bases também de um autêntico desenvolvimento económico. Outro importante tema que sublinhastes é o complexo fenómeno da globalização. Fenómeno este que, se por um lado alimenta a esperança de uma participação mais geral no desenvolvimento e na difusão do bem-estar, graças à redistribuição da produção em escala mundial, por outro, apresenta diversos riscos vinculados às renovadas dimensões das relações comerciais e financeiras, que caminham na direcção de um incremento do fosso entre a riqueza económica de poucos e o crescimento da pobreza de muitos.

É necessário, como pôde afirmar de maneira incisiva o meu venerado Predecessor João Paulo II, "assegurar uma globalização na solidariedade, uma globalização sem marginalização" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 1998, n. 3).

Prezados amigos, o Senhor ilumine as vossas mentes e revigore a vossa vontade, para que possais cumprir a vossa missão, como um serviço precioso à sociedade. Com estes sentimentos, enquanto asseguro uma particular lembrança na oração para cada um de vós e para as vossas actividades, abençoo-vos de todo o coração, juntamente com as vossas famílias e os vossos entes queridos.

 

© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana   

 

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