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VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II
 AO ZIMBÁBUE, BOTSUANA, LESOTO,
SUAZILÂNDIA E MOÇAMBIQUE (10 A 19 DE SETEMBRO)

HOMILIA DO SANTO PADRE
DURANTE A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
 NO «ESTÁDIO DE MACHAVA»

Maputo, 18 de Setembro de 1988

 

Senhor, salvai-me pelo vosso nome, e com o vosso poder fazei-me justiça” (Sl 54, 53, 3).

Amados irmãos e irmãs

REUNIDOS HOJE nesta cidade, que é a capital do vosso País, queremos rezar juntos pela Justiça e pela paz.

Todos suspiramos pela paz: a paz no nosso íntimo, a paz nas famílias, a paz na comunidade nacional e a paz no mundo exterior. Mas a paz, sendo um dom de Deus, é necessário implorá-la com a oração; por outro lado, é preciso tornar-nos receptivos em relação a ela, “merecê-la”, de certo modo, percorrendo os caminhos da justiça, e da participação activa no bem comum. Onde faltar a justiça, não subsiste o bem comum e a paz da sociedade passa a estar ameaçada de dentro.

Sinto uma grande alegria por estar hoje convosco, nesta aprazível cidade de Maputo. Saúdo, com afecto fraterno, o Senhor Cardeal Arcebispo que me acolhe, Dom Alexandre José Maria dos Santos – o primeiro Cardeal nativo de Moçambique – os demais Cardeais, Arcebispos e Bispos presentes, em especial os das Dioceses sufragâneas de Xai Xai e Inhambane; saúdo as Excelentíssimas Autoridades e as forças vivas da Igreja – Sacerdotes, Religiosos e Religiosas, Seminaristas e Leigos – e todos os moradores de Maputo. Sei que se encontram aqui populações provenientes de todas as províncias do País, por motivos de trabalho, de estudo ou de sobrevivência. A todos desejo “graça e paz”: “o fruto da justiça é produzido na paz”(Tg 3, 18).

2. Elevemos a Deus o nosso brado, com as palavras do Salmista usadas na Liturgia de hoje:

Ouvi, ó Deus, a minha oração. Atendei às palavras da minha boca. Levantaram-se contra mim os arrogantes e os violentos atentaram contra a minha vida, não têm Deus em sua presença” (Sl 54 (53), 4-5).

Nestas palavras do Salmista está expressa uma convicção: a convicção de que a justiça e a paz só podem habitar no coração do homem, se ele tiver a Deus diante de si. E as mesmas realidades – a justiça e a paz – só poderão desenvolver-se entre os homens e entre as nações, quando os homens e as nações puserem diante de si Deus, “que criou o mundo e tudo o que nele se encontra, e é o Senhor do céu e da terra” (At 17, 24).

3. Esta verdade encontra a sua confirmação, em primeiro lugar, no próprio Jesus Cristo.

Cristo sofreu a injustiça humana. Aquele que anunciava a Boa Nova e que fazia o bem a todos, foi condenado à morte de cruz; e essa morte foi infamante e cruel.

Essa morte injusta tornou-se uma prova definitiva da sua justiça, da sua santidade. E constituem um testemunho para esta prova as palavras já contidas no Livro da Sabedoria.

Ouçamos, de novo, o que aí se lê:

“Vejamos se as suas palavras são verdadeiras; verifiquemos como vai sair-se com as suas atitudes. Se esse justo é filho de Deus, Deus estará a seu lado e o livrará das mãos dos seus adversários. Experimentemo-lo com ultrajes e torturas, para conhecermos a sua mansidão e apreciarmos a sua paciência. Condenemo-lo à morte infamante, pois ele diz que será socorrido” (Sb 2, 17-20).

Jesus Cristo estava bem consciente desta provação definitiva, à qual iria ser submetido pelos homens, aos quais tinha sido enviado. Com efeito, Ele próprio disse alguma vez aos discípulos: “O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens. Estes hão-de matá-lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará (Mc 9, 31).

4. A Igreja reza pela justiça e pela paz, em toda a parte e para todos; e fá-lo com os olhos fixados na Cruz e na Ressurreição de Cristo. Mas a Igreja não se limita a rezar, com este espírito; ela também procura ensinar e agir em favor da justiça e da paz.

A prova, aquela prova vitoriosa a que o próprio Cristo se submeteu, oferecendo a própria vida em sacrifício pelos pecados do mundo, é algo que sempre e em toda a parte, em todas as épocas e em todos os países, nos induz a esperar que poderá ser vencido o mal multiforme que se opõe à justiça e à paz, no homem e entre os homens, com diversas dimensões e em diversos âmbitos sociais.

A provação que foi aceita por Cristo – a injustiça de que se tornou Vítima e a vitória por Ele alcançada pelo poder de Deus – leva-nos a esperar que, com o mesmo Poder, os homens e as sociedades, podem construir e reconstruir a justiça e a paz na sua vida e na terra.

5. Estamos, todavia, diante de uma realidade que exige um esforço constante. É preciso vigiar sobre aquilo que se esconde no coração do homem, corrompido pela concupiscência que o leva ao pecado.

Um exemplo disto é-nos apresentado na passagem do Evangelho de São Marcos lida hoje: aqueles homens que viviam mais perto de Jesus, os Apóstolos, discutem “entre si, sobre qual deles seria o maior” (Mc 9, 34)  no “reino” que Ele viera anunciar.

Partindo dessa discussão, Cristo ensina aos discípulos o modo de exercitar a autoridade na Igreja e também o modo de ser Igreja: não como quem domina, mas como quem serve. Apresenta-se a si proprio como modelo, na missão de instaurar o Reino de Deus, de fundar a Igreja, de que é o Chefe e Legislador supremo: Ele veio servir e não ser servido (Cfr. Mt 20, 28); não se impõe, mas serve por amor, até ao ponto de der a vida (Cfr. Jo 15, 3). É esta a sua forma de ser o primeiro.

Assim o entenderam, depois, São Pedro, com palavras (Cfr. 1 Pd 5, 1) e com o exemplo; e São Paulo que, “não estando submetido a ninguém, faz-se servo de todos... por amor de Jesus (Cfr. 1 Cor 8, 19 ss); e os demais Apóstolos. Quem não toma esta atitude de serviço abnegado, além de carecer de uma das disposições essenciais para o exercício da autoridade, expõe-se a ser arrastado pela ambição do poder, pela soberba e pela tirania.

No fundo, toda a autoridade, porque baseada na natureza humana, pertence à ordem estabelecida por Deus (Cfr. Gaudium et Spes, 74), pertence, por conseguinte, à ordem querida por Jesus Cristo: “Se alguém quer ser o primeiro, há-de ser... o servo de todos” (Mc 9, 35).

6. Refere-se ao mesmo assunto também a segunda Leitura, tirada da Carta do Apóstolo São Tiago. Nela se contém uma apresentação sucinta, mas completa, de dois tipos de sabedoria: uma capaz de tornar o homem dócil a Deus e benévolo para com o próximo; e outra, no pólo oposto, que fecha o coração humano a Deus e aos outros homens.

Estes dois tipos de sabedoria, naturalmente, têm origem diversa, como diversas são também as suas manifestações e os seus frutos. De alguma forma, Santo Agostinho quis sintetizar isto mesmo, com a apologia dos dois amores: o amor de si mesmo, levado até ao desprezo de Deus, que constrói a “cidade” da terra; e o amor de Deus levado até ao esquecimento de si próprio, que constrói a “cidade” do céu (Sto. Agostinho, De Civitate Dei, XIV, 28: PL 41, 436).

7. Um “zelo intolerante”, proveniente do apego às próprias ideias, até ao facciosismo, que se manifesta em aspereza de modos, intolerância e “espirito de discórdia”, é sinal de ambição, que gera os contrastes, procurando impor-se aos demais. Criando as divisões, opõe-se à verdade: não atende às exigências da verdade de Deus, que é Deus de paz e não de aflição, com desígnios de prosperidade e de um futuro de esperança para todos (Cfr. Jr 29, 11); aliás, como escreviam a seu tempo os Senhores Bispos moçambicanos, “Deus é a verdadeira Paz e fonte da Paz”. Eliminar Deus e o mundo sobrenatural é “passar por cima daquilo que constitui um dos elementos fundamentais da cultura dos povos africanos” (CEM, Viver a fé no Moçambique de hoje, 1976).

As divisões e os contrastes são frutos produzidos pelo homem “terreno”, ainda sob o domínio da tríplice concupiscência, que o impele para o mal: homem ainda não transformado pelo Espírito (Cfr. 1 Cor 2, 14; Rm 8, 7), que ainda não se firmou na “liberdade para a qual Cristo nos libertou” (Cfr. Gl 5, 1). E por isso desobedece a Deus, continua a voltar as costas a Deus, aceitando o domínio do “pai da mentira” (Cfr. Jo 8, 44), o demónio que, como “príncipe das trevas” (Cfr. Cl 1, 13), se tornou por meio do pecado (e continua a tornar-se cada vez mais) o “príncipe deste mundo” (Cfr. Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11).

E quando o homem “desobedece a Deus e recusa submeter-se ao seu poder, a natureza rebela-se contra ele; e já não o reconhece como “senhor”, porque ele ofuscou em si a imagem divina” (Sollicitudo Rei Socialis, 30). E torna-se joguete das paixões desordenadas.

8. O mesmo Autor sagrado enumera algumas destas paixões desordenadas, fonte de divisões e de contrastes:

– a “cobiça”, que leva muitas vezes ao crime, é obstáculo à comunhão fraterna e à eficácia da oração;

– a “insatisfação” dos apetites desgregados, que leva ao ódio, que pode ser mortal (Cfr. 1 Jo 3, 15), ou à “inveja”, que faz sofrer diante do bem alheio e provoca contendas violentas;

– as “guerras” e os “conflitos

– que nesta passagem parecem referir-se directamente às desavenças entre os fiéis, como reflexo de factos sociais, em conexão com a vida eclesial (Cfr. Gl 5, 15)– estão num contexto de doutrina cujo conteúdo é válido para as relações no seio de uma comunidade nacional e também em âmbito internacional.

Os desequilíbrios, o mal-estar e os conflitos que afligem o mundo moderno, estão relacionados com um desequilíbrio íntimo, que se enraíza no coração dos homens (Cfr. Gaudium et Spes, 10). À luz da fé, este desequilíbrio chama-se pecado, abuso da própria liberdade, a partir do pecado original. No plano das relações interpessoais o pecado, que é ruptura com Deus, segundo a Sagrada Escritura coincide sempre com atitudes de egoísmo, orgulho, ambição, inveja e ódio; estas geram, por sua vez, a corrupção, o hedonismo e a superficialidade no relacionamento mútuo; e daí, as injustiças, as dominações, e as violências, a todos os níveis, e as situações conflituosas entre os indivíduos, os grupos sociais e os povos (Cfr. Gl 5, 14-21).

Nesta linha de pensamento, insere-se o que tive ocasião de explanar na Exortação “Reconciliatio et Paenitentia” (n. 16) e reassumia na recente Encíclica “Sollicitudo Rei Socialis” (n. 36), sobre situações que a Igreja denuncia como situações de “pecado social”, enquanto envolvem comportamentos colectivos.

9. Estamos aqui reunidos a rezar, para que também em Moçambique a “justiça seja um fruto produzido na paz”; a rezar, para que o mal-estar que se ausculta nesta comunidade nacional, ceda o lugar ao empenho pelo desenvolvimento “do homem todo e de todos os homens”.

Chegam-nos ecos, efectivamente, de uma situação que, reconhecendo embora esforços feitos e prenúncios de melhoria, se apresenta alarmante no aspecto económico, cujas causas não estarão, por certo, só em deficiências de administração, onde se apontam, aliás, sinais positivos de retomada; há também as calamidades naturais e, nalgumas zonas, o flagelo da guerra. E a sofrer as consequências, mais dolorosamente, são os desprotegidos; as suas necessidades e miséria crescente podem der azo ao “sentimento de desespero, que predispõe para o desinteresse pela vida nacional, impelindo muitos para uma espécie de “emigração” psicológica” (Sollicitudo Rei Socialis, 15).

No aspecto social, parece continuar em aberto a questão da instrução e educação das gerações que sobem na vida; e é sempre aí que se joga o futuro da Nação e da Igreja. Depois, a indigência, o desemprego, o medo que paralisa a vontade e a inteligência das pessoas e a desolação, sempre maus conselheiros, e que tão gravemente atingem este Povo moçambicano, incidirão negativamente, por certo, nos comportamentos humanos. E o facto de não se poder trabalhar tranquilamente, para granjear o sustento, e as sérias dificuldades com que se embate a distribuição dos escassos víveres e produtos, são índices de que com a violência nada se constrói e muito se perde.

A família desagregada e ameaçada nas suas estruturas de base, por causa da guerra, das deslocações forçadas e da necessidade de buscar refúgio noutros lugares e noutros países, sofre um impacto devastador, que arresta consigo outros males: alcoolismo, criminalidade e amoralidade.

10. Ora isto pesa negativamente numa jovem Nação, em que é normal sentirem-se problemas de crescimento e a carência da ainda não aprimorada educação civil e política. O Concílio Vaticano II insistiu na importância de “cuidar-se muito da educação cívica e política, hoje tão necessária, quer para o conjunto da população, quer sobretudo para os jovens” (Gaudium et Spes, 75). São estes o futuro da Nação. São estes que podem construir e consolidar algo que a Igreja considera muito importante: estruturas mais humanas, mais justas e mais respeitadoras dos direitos das pessoas, em que assente a solidez duma Nação. No entanto, “a Igreja está consciente de que ainda as melhores estruturas, ou os sistemas melhor idealizados, depressa se tornam desumanos, se as tendências inumanas do coração das pessoas não forem sanadas, se não houver a conversão do coração e da mente da parte daqueles que vivem nessas estruturas ou as dirigem” (Evangelii Nuntiandi, 36).

11. Educação política e conversão, no sentido indicado, sugerirão, certamente, programas de renovamento; mas estes precisam de referir-se a algum programa político, o qual seja nítido e favoreça a elevação social da população. E para se chegar à clareza de programas políticos, parece impor-se enveredar pelo caminho do diálogo para a reconciliação, que faça cessar o espargimento de sangue de irmãos e purifique o ambiente do ódio e do desamor. Não deixo de incentivar, com todo o respeito, os esforços que forem envidados neste sentido.

O homem consegue suportar com firmeza a dor, as privações e até, temporariamente, a miséria, enquanto isso é acompanhado pela esperança; mas não quando se lhe apresenta uma situação sem saída para soluções eficazes. Nesta Santa Missa, reunidos para rezar, imploremos de Deus, Pai bondoso, que se apresentem essas soluções, a fim de se prover a multidões de crianças sem alimento, sem instrução e educação; de jovens desesperados ou alienados; de camponeses sem terra ou sem segurança para a cultivar; de braços prontos para o trabalho, mas sem emprego, sem salário e sem futuro; de famílias dispersas ou sem capacidade de acolher todos os seus membros; de pessoas que não podem encontrar reparo nas leis, de per si protecção para todos. E podemos esperar que tais soluções eficazes aparecerão, quando os homens forem mais homens, pelos homens e para os homens, iluminados pela “justiça, como fruto produzido na paz, para aqueles que praticam a paz” (Tg 3, 18).

Desde o início da nova situação que se seguiu à independência, os Senhores Bispos moçambicanos, preocupados com as codições do País e desejosos de pôr ao serviço da comunidade a experiência da Igreja católica, com documentos e contactos, diligenciaram por demonstrar a própria disponibilidade e dar a contribuição que está ao seu alcance, para o bem comum. Estou certo de que, atentos à sorte da Nação, continuarão, com humildade e simplicidade, a percorrer o mesmo caminho, mantendo um diálogo construtivo, entre si e com os demais igualmente empenhados pelo bem comum e pelo progresso moral e civil.

12. Pedindo a Deus que continuem a abrir-se aqui horizontes à esperança penso também na comunidade internacional. A consciência crescente da interdependência entre os homens e os povos, como valor positivo e moral, terá de superar os obstáculos à solidariedade, que não são apenas de ordem económico-política; dependem de atitudes mais profundas que, para o ser humano, se configuram em valores absolutos.

Mas que todos aqueles que, em relação aos seus semelhantes, são responsáveis, duma maneira ou doutra, por uma “vida mais humana”, inspirados ou não por uma fé religiosa, se dêem conta: da necessidade de uma mudança de atitudes espirituais; da urgência de tornar efectiva a interdependéncia, como categoria ética, a ditar a solidariedade: e de que essa, a solidariedade, mais do que um sentimento de vaga compaixão, é “determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum. Todos nós, verdadeiramente, somos responsáveis por todos” (Sollicitudo Rei Socialis, 38) .

E aqui renovo o meu apelo à solidariedade mundial para com Moçambique: solidariedade que terá de começar pela “paz de fora”, ideológica, militar e económica, porque, hoje em dia, também a paz ou é de todos ou não é de ninguém. E isto exige a convergência de intentos; exige, enfim, que uma nova filosofia se instaure nas relações internacionais, inspirada na solidariedade e na esperança, para que o desenvolvimento, na justiça e na paz, seja realidade.

13. Prosseguindo a nossa oração, vamos pedir que seja concedido aos homens comportarem-se segundo a sabedoria que vem de Deus (Cfr. 1 Cor 1, 4), a qual exclui a desordem moral e toda a espécie de desordem social. Aberta à transcendência e à dignidade do homem, ela exprime-se em atitudes de justiça e de benevolência para com todos: “é antes de tudo recta nas intenções; em seguida, portadora de paz, compreensiva, condescendente, cheia de compaixão e de benefícios, imparcial e sem hipocrisia” (Tg 3, 17).

Esta sabedoria já foi descrita no Antigo Testamento (Cfr. Sb 7, 22) , explicitada nas bem-aventuranças (Cfr Mt 5, 1ss) e nos escritos de São Paulo (Cfr. 1 Cor 13, 4 ss). É a sabedoria dos pacíficos, que se empenham por estabelecer e consolidar a paz, promovendo a justiça, o antídoto da desordem moral e social: “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 7).

14. Ouvimos no Evangelho de hoje as palavras de Cristo, a que desejo referir-me no final desta meditação. O divino Salvador “pegando numa criança”, colocou-a no meio deles – no meio dos seus discípulos que tinham estado a discutir – abraçou-a e disse-lhes: “Quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-me a mim. E quem me acolher, não me acolhe a mim, mas Aquele que me enviou”(Mc 9, 36-37).

Também eu, neste momento, desejo abraçar com o olhar e com o coração, todas as crianças, aqui presentes, e as demais que se encontram no inteiro território de Moçambique.

Em particular, quero abraçar aquelas que – por diversas causas e em diversas circunstâncias – sofrem; quantas se tornaram vítimas da situação penosa do País e da sociedade.

E, à semelhança de Cristo, desejo dizer a todos:

Olhai para estes seres inocentes! Olhai para os vossos próprios filhos! Acolhei-os em nome de Cristo! Em nome de Cristo, empenhai-vos em favor da justiça e da paz, para que estas crianças não mais se tornem vítimas da injustiça e do ódio! Trabalhai em favor da justiça e da paz, a fim de preparardes um futuro melhor para os vossos próprios filhos! Para as crianças em todo o Moçambique!

Sim, acolhei estas crianças em nome de Cristo! Ou melhor: nelas, acolhei o próprio Cristo! Acolhei Aquele que Deus-Pai enviou ao mundo, para que o mundo fosse salvo por Ele. Acolhei Cristo! E que Ele se torne para vós a Verdade e a Vida, que conduzem pelos caminhos da justiça e da paz todos aqueles que O acolhem de coração sincero.

Abri, de par em par, as portas do coração a Cristo!

Amém!

© Copyright 1988 - Libreria Editrice Vaticana

 

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