The Holy See
back up
Search
riga

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
 AO SENHOR MANUEL ESTEVEZ PEREZ
NOVO EMBAIXADOR DE CUBA JUNTO DA SANTA SÉ
 POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO
 DAS CARTAS CREDENCIAIS

Segunda-feira, 21 de Junho de 1982

 

Senhor Embaixador

É-me grato dar as boas-vindas a Vossa Excelência neste acto de apresentação das Cartas Credenciais, como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Cuba junto da Santa Sé.

Nas palavras que acaba de pronunciar, Vossa Excelência referiu-se aos esforços que esta Sé Apostólica realiza em favor da paz e do bem-estar de todos os povos, especialmente dos mais desamparados e discriminados.

Com esta actuação, a Igreja quer dar aplicação às exigências da inata dignidade da pessoa humana, que ela sempre defendeu e continua a defender como fundamento dos invioláveis direitos do homem.

E como este não pode desenvolver-se a realizar-se como tal sem as devidas condições, por isso a Igreja se esforça por favorecer esse conjunto de circunstâncias ambientais que encontram o seu centro no respeito da pessoa, e dos seus valores espirituais que asseguram o bem-estar da mesma e a livre convivência, premissas imprescindíveis para a paz.

De facto, não se pode obter a paz entre as comunidades e povos, se antes não se garante o bem das pessoas. Mas convém ter em conta que todo o homem há-de ser não mero defensor da paz, mas antes, mais ainda activo construtor da paz, que inclua firme vontade de respeitar os demais homens e povos, assim como a sua dignidade e o solicito exercido da fraternidade (cf. Gaudium et Spes, n. 78).

É evidente, por outra parte, que, para alcançar este objectivo, os homens, embora pertençam a diferentes sociedades e culturas, devem poder comunicar entre si, com grande sentido de solidariedade, as riquezas do espírito e os êxitos do progresso humano e técnico.

O nobre povo cubano está particularmente presente no meu espírito. A história é testemunha do contributo que a Igreja prestou para o integral crescimento da Nação. Por outra parte, manifestando Cristo, a Igreja revela aos homens a verdade profunda da sua condição, da sua vocação e aspirações mais intimas; e por isso, "mesmo na história temporal da humanidade o Evangelho foi de facto fermento de liberdade e de progresso, e sempre de novo apresenta-se como o fermento da fraternidade, da unidade e da paz" (Ad gentes, n. 8).

Porque efectivamente, uma reflexão serena sobre a realidade externa desde a própria fé, educa a consciência social do cidadão, fomentando a sua colaboração activa para o bem comum, fortificando a unidade da família, a estima dos valores que ela encerra e a justa dimensão das exigências sociais, que requerem o consciente e livre empenho pessoal em favor da construção cada vez mais positiva da comunidade. Estas são as metas para uma sociedade ordenada, livre e pacífica.

Senhor Embaixador: ao formular calorosos votos pelo feliz cumprimento da sua alta missão e ao assegurar-lhe a minha benevolência para o desenvolvimento da mesma, imploro a constante assistência do Altíssimo sobre Vossa Excelência, sobre os Responsáveis e todos os filhos do seu querido Pais, para que seja realidade frutífera o comum esforço por criar uma sociedade em que sempre brilhem o respeito dos valores espirituais e humanos de cada um, o empenho pelo bem-estar de todos, a liberdade, a justiça e a paz.

 

© Copyright 1982 - Libreria Editrice Vaticana

 

top