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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II
AOS MEMBROS DO PONTIFÍCIO CONSELHO
 PARA A PASTORAL DOS MIGRANTES E ITINERANTES

Sexta-feira, 25 de Julho de 1999

 

Venerados Irmãos no Episcopado
Caríssimos Irmãos e Irmãs!

1. Para mim constitui motivo de alegria acolher-vos no termo dos trabalhos da reunião plenária do Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes. Saúdo a todos com afecto e, enquanto vos agradeço a visita, exprimo vivo apreço pelo empenho que dedicais ao serviço da Santa Sé. Estou particularmente reconhecido a D. Stephen Fumio Hamao, Presidente desse Pontifício Conselho, pelas amáveis palavras que me dirigiu em vosso nome.

Durante estas jornadas, reflectistes sobre o papel que as peregrinações aos santuários desempenham na vida da Igreja. Estes lugares de oração, como já tive ocasião de ressaltar, são «as pedras miliares que orientam o caminho dos filhos de Deus sobre a terra» (Homilia aos fiéis de Corrientes, Argentina, 9/4/1987: Insegnamenti, X, 1 [1987], 1188). Olhando para a sua rica realidade, é fácil constatar que eles representam um grande dom de Deus à sua Igreja e à inteira humanidade.

2. O homem deseja ardentemente encontrar Deus e as peregrinações habituam-no a pensar no porto aonde ele pode chegar no decurso da sua busca religiosa. Ali o fiel pode cantar com o Salmista a sua sede e fome do Senhor: «Vós, Senhor, sois o meu Deus, anseio por Vós. A minha alma está sedenta de Vós, o meu corpo anela por Vós, numa terra árida, exausta, sem água. Desejo contemplar-Vos no santuário... O Vosso amor é mais precioso do que a vida» (Sl 63, 2-4).

Estes «oásis do espírito» oferecem assim à comunidade eclesial um clima singularmente favorável para meditar a Palavra de Deus e celebrar os Sacramentos, em particular da Penitência e da Eucaristia. Neles, além disso, é possível efectuar profícuas experiências de fé, assim como manifestar o próprio amor aos irmãos mediante obras de caridade e de serviço aos necessitados.

Nessa óptica, os Bispos nas várias partes do mundo sempre favoreceram os santuários como centros de profunda espiritualidade, nos quais os crentes, além de reavivarem a própria fé tomam consciência mais clara dos deveres que dela derivam no campo social e se sentem empenhados em oferecer a sua ajuda concreta, para que o mundo se transforme progressivamente naquele reino de justiça e de paz, que as inspiradas palavras de Isaías indicam: «De Sião sairá a lei, de Jerusalém, a palavra do Senhor... Das suas espadas forjarão relhas de arado, e das suas lanças, foices... Não haverá dano nem destruição em todo o meu Monte Santo, porque a terra está cheia da ciência do Senhor, tal como as águas que cobrem o mar» (2, 3; 11, 9).

A paz e a solidariedade entre os homens derivam, considerando as coisas em profundidade, da reconciliação da pessoa com Deus. É preciso, portanto, que os peregrinos encontrem nos santuários concretas possibilidades de oração e de silêncio, para favorecer o encontro com Deus e a íntima experiência da ternura do seu nome. Desta experiência têm particular necessidade os migrantes, os refugiados e os desabrigados, provados por situações dolorosas e injustas; sentem a sua necessidade os marítimos, o pessoal da aviação civil, os nómades e os circenses; dela haurem conforto espiritual todos os que, por diversas razões, estão longe dos próprios entes queridos.

3. Diversas são as atitudes interiores com que as pessoas chegam ao santuário. Muitos fiéis para lá se dirigem a fim de viverem momentos intensos de contemplação e oração, assim como de profunda renovação espiritual. Outros os frequentam de maneira irregular por ocasião de celebrações significativas. Outros ainda só os visitam em busca de repouso, por interesses culturais ou por simples curiosidade. Será tarefa do Ordinário do lugar para os santuários diocesanos e da Conferência Episcopal para os santuários nacionais, fixar as normas pastorais oportunas para fazer com que se ofereça uma adequada resposta às expectativas de cada um. É importante que a todos seja apresentada a iniciativa misericordiosa de Deus, que quer comunicar aos seus filhos a sua própria vida e o dom da salvação. No santuário ressoam as palavras de Cristo aos «pequeninos» e aos «pobres da terra»: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei» (Mt 11, 28).

Quando, depois, se tem a possibilidade de acolher meninos e jovens, isto deve impelir os responsáveis pela pastoral dos santuários, em colaboração com a inteira comunidade eclesial, a oferecerem um serviço ainda mais qualificado e adaptado à sua idade.

4. Caríssimos Irmãos e Irmãs, estamos a caminhar rumo ao Grande Jubileu do Ano 2000. No contexto do evento jubilar, a peregrinação assume o valor de sinal excelente do caminho que o cristão é chamado a percorrer e do empenho com o qual deve celebrar o Jubileu (cf. Incarnationis mysterium, 7). Enquanto de coração agradeço a cada um o empenho e a solicitude pastoral que manifestais nas vossas actividades quotidianas, confio os vossos esforços à activa intercessão da Virgem Maria, venerada e invocada nos inúmeros santuários que, em toda a parte do mundo, são testemunhas da sua presença materna no meio dos discípulos de Cristo.

Do encontro comunitário e pessoal com Maria, «Estrela da evangelização» (EN, 82), os peregrinos são incentivados a tornar-se, como Ela, anunciadores das «maravilhas» que Deus continua a realizar na sua Igreja. Maria faça sentir a sua presença materna no meio do Povo de Deus que se prepara para cruzar o limiar do terceiro milénio. Com estes sentimentos, concedo de bom grado a Bênção Apostólica a todos vós, aqui presentes, e a quantos vos são queridos.

 

© Copyright 1999 - Libreria Editrice Vaticana

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