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RADIOMENSAGEM DO PAPA
PAULO VI Sábado 27 de Fevereiro de 1971
Amados Filhos do Brasil Com alegria vos falamos, através desta cadeia televisiva, que atesta o vosso progresso tecnológico, depois que o último censo nacional confirmou, serdes, em número, um dos maiores países do mundo. Nesta hora, porém, a Campanha da Fraternidade, que parte para mais uma arrancada, intenta interpelar cada Brasileiro, em base sobretudo a longa e gloriosa tradição cristã. Ser cristão, como sabeis, é preocupar-se de fato pelo bem do próximo, por amor de Deus: é aceitar e viver a realidade de ser cada homem nosso irmão, porque o mesmo «Deus cuida paternamente de todos e quis que todos constituíssemos uma só família e nos tratássemos sempre com espírito fraternal» (Gaudium et Spes, 24), estimulando-nos a isso, pela «caridade de Cristo que nos impele» (Cfr. 2 Cor 5, 14). Mais: Deus fez-nos, por natureza, de tal modo solidários, que nenhum homem pode ser uma ilha de conforto e bem-estar, cercada de dor e pauperismo. Portanto, só numa vida plenamente humana, para todos, baseada na verdade, na justiça e na paz, iluminadas pelo amor que Cristo nos ensinou, se consolidará a prosperidade comum, em que todos os cidadãos têm a sua quota parte, como direito e como dever. Assim, hemos de «revestir sempre sentimentos de misericórdia, de benignidade e de humildade» e participar cristãmente, tanto nas amarguras como nas esperanças dos homens-irmãos; e, em seu favor fazer tudo ao nosso alcance, «por palavras e por obra, em nome do Senhor Jesus, dando por Ele gratas a Deus Pai»(Col 3, 12 e 17), num clima sereno de comunhão de família laboriosa. A Igreja «não deixa de esperar num mundo mais fraterno» (Gaudium et Spes, 82). Para isso, ouvindo a sua voz temos de percorrer, entre outros, o caminho da reconciliação: reconciliar-nos com Deus, pela fé, e com todos aqueles com que o Cristo das Bem-aventuranças quis identificar-se, pelo amor. E isto, confortados sempre pela esperança no Cristo da Reconciliação final de todas as coisas em Si, que nos dirá: «o que fizestes a um destes meus irmãos, mais pequenino, a Mim o fizestes» (Mt 25, 40). Reconciliemo-nos, pois, para promovê-los, com os pobres, com os que choram, com os doentes, com os sem-teto e sem-pão e com os que, abatidos, se encontram «à beira do caminho», à margem da civilização, do progresso e da sociedade. Em particular, reconciliemo-nos com os que não sabem ler nem escrever e não possuem a consciência da própria dignidade de homens e de filhos de Deus. Nada aproveita deter-se a perguntar, de quem é a culpa: se deles mesmos, se das condições adversas em que transcorre a sua vida. Eles são aos milhões, ao nosso lado. Sejamos generosos, pela única maneira eficaz de os ajudar; alfabetizando-os, conscientizando-os, com espírito evangélico. Cada um, isolado, poderá fazer pouco; mas, todos unidos, confiantes em Deus e movidos pelo amor cristão, empenhados nesta causa grandiosa, faremos muito. Eis o chamamento que vos faz a Igreja, por Nós, quando vos convoca para mais uma etapa da Campanha da Fraternidade. Atendei, atendei a este chamado! Que a isso vos anime a grata do Senhor, que imploramos, com a Nossa Bênção Apostólica: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo! Amen!
PAPA PAULO VI
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