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 Pontifical Council for the Pastoral Care of Migrants and Itinerant People

People on the Move - Supp. N° 93,  December 2003, p. 261

Brasil

Rev. Pe. André Luiz Ribeiro Dos SANTOS

Diretor Nacional

A Pastoral dos Nômades do Brasil, como em toda parte do mundo, caminha com muitas dificuldades. A primeira delas é a extensão territorial de nosso País. O Brasil é um país continental, o que torna também mais caro o custo das viagens dos agentes que visitam os ciganos.

Contamos no Brasil 800 mil ciganos, embora estes não sejam contados oficialmente pelo governo, entre estes a maioria sedentária, sendo que há também nômades e seminômades. Juntamente com estes, pastoralmente também atendemos aos parquistas e circenses, dentre os quais, muitos dos seus trabalhadores são ciganos.

A Pastoral dos Nômades, por estar inserida entre as Pastorais Sociais, visa promover a evangelização em meio aos ciganos, sem contudo esquecer da promoção humana deste povo que vive à margem da sociedade brasileira. No Brasil, as barracas ou mesmos as casas dos ciganos, não são invioláveis como determina a lei, pois temos uma polícia conhecida no mundo inteiro dentre aquelas que menos respeitam os direitos humanos.

Ouvimos dizer aqui, e acreditamos nisso, que os ciganos estão no coração da Igreja, que os ciganos estão no coração do Santo Padre, porém, os ciganos não estão no coração dos Bispos do Brasil, o que também dificulta nosso trabalho. Há dois anos atrás enviamos um formulário a todos os Bispos do Brasil, solicitando que designasse um sacerdote ou uma Paróquia de sua diocese como referencia para o atendimento aos ciganos. Pois bem, um dos bispos que tem os ciganos a acampar na Praça de sua Catedral e que não consegue ir de sua residência para a Cúria sem passar pelo acampamento dos ciganos, nos respondeu que esta não era uma pastoral necessária em sua diocese, pois ali não havia ciganos…

Temos de fato alguns bispos que nos apóiam e dois de modo integral: Dom Nei Paulo Moretto, Bispo de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul e nosso responsável junto à Conferencia dos Bispos do Brasil, e Dom José Edson Santana Oliveira, da Diocese de Eunápolis, Bahia.

Somos poucos agentes, alguns padres, religiosos, religiosas, leigos e seminaristas, mas estes poucos atendem aos ciganos com incansável ardor, e têm procurado tornar-se, cada vez mais, irmãos deste povo sofrido e ao mesmo tempo tão amado por Deus.
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