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06 -
06.10.2009
SUMÁRIO
-
TERCEIRA CONGREGAÇÃO GERAL (TERÇA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO DE DE 2009 -
ANTEMERIDIANO)
- AVISOS
TERCEIRA CONGREGAÇÃO GERAL (TERÇA-FEIRA, 6 DE OUTUBRO
DE 2009 - PARTE DA MANHÃ)
-
REFLEXÃO DO DELEGADO FRATERNO SUA SANTIDADE ABUNA PAULOS, PATRIARCA
DA IGREJA TEWAHEDO ORTODOXA ETÍOPE (ETIÓPIA)
- VOTAÇÃO
PARA A COMISSÃO PARA A MENSAGEM
- INTERVENIENTES NA SALA
(INÍCIO)
Às 09.00 horas do dia de hoje, 6 de Outubro de 2009, memória
facultativa de S. Bruno, monge, na presença do Santo Padre, com o
canto da Hora Terça, aconteceu a Terceira Congregação Geral, para a
Votação para a Comissão para a Mensagem e para o início das
intervenções dos Padres sinodais na Sala sobre o tema sinodal A
Igreja na África a serviço da reconciliação, da justiça e da paz
“Vós sois o sal da terra ... Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13.14).
O Presidente Delegado de turno S.Em. Card. Wilfrid Fox NAPIER,
O.F.M., Arcebispo de Durban (ÁFRICA DO SUL) apresentou Sua Santidade
Abuna PAULOS, Patriarca da Igreja Tewahedo Ortodoxa Etíope
(ETIÓPIA), com as seguintes palavras: “Estou certo de expressar os
sentimentos de gratidão de todos vós quando afirmo que estamos muito
agradecidos ao Santo Padre por ter convidado Sua Santidade Abuna
Paulos, Patriarca da Igreja Ortodoxa da Etiópia, a discursar nesta
Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos.
Em Sua Santidade Abuna Paulos, ouviremos a voz de uma Igreja que
durante quase dois mil anos viveu e testemunhou o Evangelho na
África, dando vida a uma civilização cristã de homens e mulheres
santos, de valores e instituições sociais e culturais que formaram e
informaram o coração das populações e da nação.
Justamente quando o continente africano enfrenta enormes desafios,
as Igrejas na África enfrentam provas dolorosas e processos. Sua
Santidade provou pessoalmente as durezas da prisão e do exílio. A
riqueza da vida monástica, espiritual, litúrgica e cultural da
Igreja na Etiópia é uma herança da tradição cristã que todos nós
devemos custodiar e amar.
Sua Santidade, ouviremos suas palavras com estima e gratidão.”
[00031-06.03] [IN000] [Texto original: inglês]
Então, Sua Santidade Abuna PAULOS fez uma reflexão que publicamos a
seguir.
No fim, o Santo Padre Bento XVI saudou o Patriarca, com as seguintes
palavras: “Sua Santidade,
Agradeço-lhe do fundo do coração pela sua atenciosa apresentação e
por ter aceitado o meu convite para participar desta Segunda
Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos. Tenho a
certeza de que a minha gratidão e o meu apreço são partilhados por
todos os membros da Assembleia.
A sua presença é uma eloquente testemunha da antiguidade e das ricas
tradições da Igreja na África. Desde os tempos apostólicos, entre as
várias pessoas ansiosas por escutar a mensagem de salvação estavam
também pessoas vindas da Etiópia (cf. At 8:26-40). A fidelidade do
seu povo ao Evangelho continua a ser evidente não só na sua
obediência à sua lei de amor, mas também, como nos lembrou, na
perseverança no meio das perseguições e do supremo sacrifício do
martírio em nome de Cristo.
Sua Santidade relembrou que a proclamação do Evangelho não pode ser
separada do compromisso de construir uma sociedade segundo a vontade
de Deus, que respeite as bênçãos da sua criação e proteja a
dignidade e a inocência de todas as suas crianças. Em Cristo nós
sabemos que a reconciliação é possível, que a justiça pode
prevalecer e que a paz poder durar! Esta é a mensagem de esperança
que nós somos chamados a proclamar. Esta é a promessa que os povos
de África há muito esperam ver cumprida aos nossos dias.
Oremos, então, para que as nossas Igrejas possam estar mais próximas
da unidade que é dom do Espírito Santo, e para que sejam testemunhas
da esperança trazida pelo Evangelho. Continuemos a trabalhar para o
desenvolvimento integral de todos os povos da África, fortalecendo
as famílias que são o bastião da sociedade africana, instruindo os
jovens que são o futuro da África e contribuindo para a formação de
sociedades que se distingam graças à honestidade, à integridade e à
solidariedade. Que as nossas deliberações durante estas semanas
possam ajudar os seguidores de Cristo em todo o continente a serem
exemplos convincentes de rectidão, misericórdia e paz, e a luz que
guia o caminho das futuras gerações.
Sua Santidade, agradeço-lhe mais uma vez pela sua presença e pelas
suas válidas reflexões. Possa a sua participação deste Sínodo ser
uma bênção para as nossas Igrejas.”
[00032-06.03] [RE000] [Texto original: inglês]
A esta Congregação Geral, que se concluiu às 12.30 horas com a
oração do Angelus Domini, estavam presentes 226 Padres.
REFLEXÃO DO DELEGADO FRATERNO SUA SANTIDADE ABUNA PAULOS, PATRIARCA
DA IGERJA TEWAHEDO ORTODOXA ETÍOPE (ETIÓPIA)
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!
Queridos participantes desse grande congresso de Cardeais e Bispos.
Sinto-me honrado e privilegiado em ser convidado para este grande
Sínodo e dar uma breve intervenção sobre a África e as Igrejas nesse
continente. Sou especialmente grato a Sua Santidade, Papa Bento XVI,
que me quis entre os senhores hoje e quem pessoalmente me
testemunhou seu amor pela África e sua estima pela Igreja Ortodoxa
Etíope Tewahedo, durante nosso último fraternal encontro aqui em
Roma.
A África é o segundo maior continente. É a casa de todos os tipos de
pessoas com uma grande variedade de cores que vivem em harmonia e
igualdade.
Este espectro de cores é um dos de Deus para a África e adiciona
beleza ao continente. É, mais que isso, a prova de que a África é um
continente onde todos os tipos de pessoas vivem em igualdade não
obstante as diferenças de cor e raça.
Antropólogos, filósofos e acadêmicos confirmaram que a África em
geral, e a Etiópia em particular, é sem dúvida o berço da
humanidade. E a Bíblia Sagrada confirma esta profunda convicção. A
história, de acordo com o calendário etíope começa em Adão e Noé.
Isso mostra que para os etíopes o início da humanidade, nosso
presente e nosso futuro está marcado hoje e para sempre por Deus e
Sua salvação.
A África, cuja dignidade ancestral de seu povo está escrita nas
pedras do obelisco de Axum, nas pirâmides egípcias, em monumentos e
manuscritos, não somente foi uma fonte da civilização. De acordo com
a Bíblia Sagrada, a África também foi refúgio para pessoas que foram
atingidas pela fome: este é o caso de Judeus no tempo de Jacó quando
passaram sete anos no Egito.
A Bíblia Sagrada estabelece que os Judeus e o profeta Jeremias que
sofreram grandes agressões dos Babilônios foram salvos na Etiópia e
no Egito. Pessoas que viveram no Oriente Médio foram aliviadas de
sua fome na Etiópia e no Egito.
O próprio Jesus Cristo e Santa Maria foram recebidos no Egito,
enquanto fugiam da armadilha cruel de Herodes. Está claro que os
africanos cuidam da humanidade!
A África permanece um continente religioso no qual vivem pessoas que
acreditam em Deus Todo-poderoso há séculos. A Rainha de Sabá ensinou
a seus compatriotas sobre o Antigo Testamento que ela aprendeu de
Israel. Desde então, a Arca da Aliança está na Etiópia, na cidade de
Axum.
O filho da Rainha de Sabá, Manlike I, seguiu seu exemplo e tratou de
trazer a Arca da Aliança de Moisés para a África, para a Etiópia.
A história do eunuco e forte etíope, bom seguidor das Leis de
Moisés, e as práticas e culturas religiosas que existem na Etiópia
indicam que a Lei de Moisés foi praticada costumeiramente na Etiópia
mais que em Israel. Isso ainda pode ser testemunhado pelo estudo
cultural e pelo estilo de vida dos Etíopes.
Foi em Alexandria, no Egito, onde a Bíblia Sagrada foi traduzida em
linguagens não hebraicas. Essa tradução africana é conhecida como a
“Tradução das Setenta Escolas”. (´Sebeka Likawunt´)
A Sagrada Escritura indica que como nos antigos tempos do Antigo
Testamento, os Africanos têm o costume da adoração pela lei de
consciência no período do Novo Testamento.
O então rei dos reis etíope, imperador Bazen, foi um dos reis que
foram a Belém para adorar o menino Jesus.
O Evangelho nos fala que havia na África, um homem da Líbia, chamado
Simão de Cirene que tomou sobre si a Cruz de Jesus enquanto Ele ia
para o Gólgota.
E vejam, um eunuco Etíope veio a Jerusalém em 34 AD para adorar a
Deus de acordo com a Lei de Moisés. Por ordem do Espírito Santo, o
eunuco foi batizado por Felipe. Após seu retorno para a África, o
eunuco pregou o Cristianismo a sua nação. Então a Etiópia se tornou
a segunda nação depois de Israel a acreditar em Cristo; e a Igreja
Etíope se tornou a primeira Igreja na África.
Grandes histórias de fé marcaram os primeiros séculos do
Cristianismo na África porque os africanos sempre viveram uma
profunda caridade e uma grande devoção ao Novo Testamento.
A África é a região da qual celebraram os escolásticos e os padres
religiosos, de onde S. Agostinho, S. Tertuliano, S. Cipriano, como
também, S. Atanásio e S. Kerlos vieram. Esses padres são celebrados
em todos os continentes em no mundo todo.
S. Yared que compôs lindos hinos da Igreja e quem o mundo reconhece
por sua criatividade fora do comum, também é originário da África.
S. Yared é um filho da Etiópia. Os hinos de S. Yared estão entre as
maravilhas do mundo pelo que a Etiópia é conhecida no mundo. Os
feitos desses Padres caracterizam a África.
De acordo com os escolásticos é na África que o primeiro Cânon da
Bíblia Sagrada foi definido.
A história também nos relembra do martírio de Cristãos no Norte da
África quando, seu rei, um descrente, baixou a espada contra eles na
tentativa de destruir completamente o Cristianismo. Ao mesmo tempo,
Cristãos que foram maltratados e perseguidos em diferentes partes do
mundo vieram para a África, especialmente para a Etiópia que viveram
em paz na região.
Devotados etíopes demonstraram também sua incrível hospitalidade aos
nove Santos e outras dezenas de centenas de cristãos que foram
perseguidos na Europa do Leste e vieram para a África em grupos. As
residências e as tumbas desses cristãos perseguidos foram mantidas
como santuários sagrados em várias partes da Etiópia.
Na África e na Etiópia temos partes da Santa Cruz. A parte direito
da Cruz foi mantida na Etiópia, em um lugar chamado Montanha Goshen.
A Cruz de Cristo foi carregada também por cristãos da África. Penso
agora na minha Igreja que recentemente sofreu uma dura perseguição
durante a ditadura comunista, com muitos novos mártires entre eles o
Patriarca Theophilos, e antes dele, abuna Petros, durante o período
colonial. Eu mesmo, quando bispo, passei longos anos na cadeia antes
de ser exilado. Quando me tornei Patriarca, após o fim do comunismo,
havia muito que reconstruir. Este tem sido nosso trabalho, através
da ajuda de Deus, da oração de nossos monges e da generosidade dos
fiéis.
A África é potencialmente um continente saudável, com solo fértil,
recursos naturais, e uma variedade de espécimes de plantas e
animais. A África tem um clima adaptável e possui muitos minerais
preciosos. Por que tem sido um continente com muitos recursos
naturais inexplorados, muitos mantém seus olhos aí. Isso é também
inegável que o ganho da civilização de outras partes do mundo é
resultado do trabalho e dos recursos da África.
Os africanos fizeram esse abençoado trabalho para o mundo. O que o
mundo fez por eles?
A África foi pessimamente colonizada e seus recursos foram
explorados. As nações ricas que exploram os recursos da África só se
lembram da África quando precisam de algo dela. Eles não ajudam o
continente em sua luta pelo desenvolvimento total.
Cada e toda nação do continente tem vários problemas e desafios. O
problema pode ser social, político, econômico, bem como espiritual.
Enquanto a qualidade de vida do povo africano é menor que a do resto
do mundo, existem algumas razões porque tais padrões de vida pobres
ficam piores e se espalham por todo o continente. A falta de acesso
à educação é o maior problema no qual a juventude, como resultado,
falha em ter suficiente educação. Nenhuma nação e povo chega ao
desenvolvimento a a prosperidade sem educação e conhecimento.
Da mesma forma estamos preocupados, a pandemia de HIV/SIDA não pode
ser evitada sem grandes esforços. Entretanto, deveríamos encorajar
todas as experiências que nos mostram como curar e resistir ao mal,
a dar esperança para a sinergia criadora e providenciar à África os
mesmos tratamentos que a Europa recebe. Ao mesmo tempo outros tipos
de doenças são constantemente tratadas de modo inadequado. Clamamos
ao mundo para que trabalhe em harmonia sobre esse aspecto. O
Conselho das Igrejas Africanas está a realizando esforços para
diminuir os problemas que ocorrem no continente, especialmente o
caos criado por extremistas. Líderes religiosos do Cristianismo e
fiéis em geral deveriam dar-se as mãos nessa empreitada.
Em muitos países africanos, as necessidades básicas como alimento,
água potável, e segurança não existem. Muitos africanos são
vulneráveis devido a falta de muitos serviços básicos. A África
declarou a sua liberdade do colonialismo há muito tempo, mas ainda
depende muito das nações ricas. A prática tradicional da agricultura
e uma insatisfatória introdução dos sistemas de agricultura modernos
e a dependência da chuva causam um impacto negativo na segurança
alimentar, a migração e a fuga de cérebros está a afectar seriamente
o continente.
A África está acorrentada por pesadas dívidas globais que nem a
presente geração nem a futura poderão suportar.
Em que modo poderíamos denunciar as guerras civis que são combatidas
habitualmente por crianças-soldado, que também são vítimas desses
trágicos atos violentos? Como podemos condenar o deslocamento e a
latente migração das populações?
A Declaração Internacional dos Direitos do Homem claramente
estabelece que qualquer pessoa menor de 18 anos não pode ser membro
de um grupo armado porque ele é uma ‘criança’. Entretanto, alguns
países estão constantemente forçando crianças menores de 18 anos a
entrarem no serviço militar. Isto é uma clara violação dos direitos
humanos. Logo, é imperativo para os líderes das Igrejas Africanas
chorar em uma só voz para que esse comportamento pare de uma vez.
Então, gostaria de usar o palco para urgir a todos os líderes
religiosos a trabalharem pela paz e proteger os recursos naturais
que Deus nos deu, e defender a vida e a inocência das ciranças.
Em um significante número de países Africanos, as necessidades
básicas como comida e água potável, segurança não existem. Falando
em geral, muitos africanos vivem em uma situação na qual há um tipo
de escassez de muitas das necessidades e serviços humanos básicos.
Embora a África tenha declarado sua liberdade do colonialismo há
muito tempo, ainda existem muitas circunstâncias que a fazem
dependente de países ricos. A enorme dívida, a exploração de seus
recursos naturais por muitos, a prática da agricultura tradicional e
a insatisfatória introdução de sistemas modernos de agricultura, a
dependência de seu povo da chuva que causa um impacto negativo na
garantia da segurança alimentar, a migração e a vazão das mentes de
seu povo afetam enormemente o continente.
Estou esperançoso que como os cardeais e bispos Africanos discutiram
esse tema previamente, hoje este grande sínodo poderia discutir o
tema e propor possíveis soluções.
Acredito que nós, líderes religiosos e Cabeças das Igrejas, temos
uma única tarefa e responsabilidade: conhecer e sustentar, quando
crermos necessário, as sugestões que vêm do povo, como, ao
contrário, para as rejeitar quando contradizem o respeito e o amor
pelo Homem, que tem suas raízes no Evangelho.
Espera-se que os cristãos, de fato, sejam mensageiros de mudanças
para trazer a justiça, a paz, a reconciliação e o desenvolvimento.
Isto é o que vejo perseguido com determinação e humildade pela
Comunidade de Sant´Egídio em toda África: frutos de paz e cura são
possíveis, e eles minam todas as formas de violência, com a força e
a inteligência Cristã do amor. Os líderes religiosos africanos não
só tem que estar preocupados com esses trabalhos sociais mas também
responder às grandes necessidades espirituais das mulheres e dos
homens da África.
O Apostolado e o trabalho social não podem ser tratados
separadamente. O trabalho social é o significado do apostolado. Cada
palavra deve ser traduzida em prática. Portanto, após cada palavra e
promessa, ações práticas precisam seguir. Espera-se também dos
padres religiosos que aumentem a percepção do público em honrar os
direitos humanos, a paz e a justiça. A sociedade precisa de
ensinamentos de seus padres religiosos em uma oferta de ajudá-los a
resolver seus problemas em unidade e a livrá-los de serem alvos de
um problema.
Então, líderes das Igrejas Africanas, com o poder de Deus
Todo-poderoso e do Espírito Santo, precisam falar a linguagem da
Igreja. É também necessário ver quando, como e a quem falar. Isto
deveria ser feito da segurança das Igrejas.
Estou verdadeiramente feliz em participar deste Sínodo da Igreja
Católica para a África. Sou africano. Minha Igreja é a mais velha da
África: uma Igreja de Mártires, Santos e monges. Trago o meu apoio
como amigo e irmão a este empenho da Igreja para a África. Agradeço
mais uma vez Sua Santidade pelo convite e desejo-lhe uma vida longa
e um ministério frutuoso.
Falemos do Evangelho de Jesus Cristo ao coração dos Africanos e
Jesus retornará a África, como ele fez quando era um menino, junto
da Virgem Maria. E paz, misericórdia e justiça virão junto com
Jesus!
Que Deus abençoe as Igrejas na África e os seus pastores! Amém!
[00014-06.12] [RE000] [Texto original: inglês]
VOTAÇÃO PARA A
COMISSÃO PARA A MENSAGEM (I)
Depois do intervalo teve lugar a primeira votação para a eleição dos
membros da Comissão para a Mensagem, presidida por nomeação
pontifícia por S. E. R. Dom John Olorunfemi ONAIYEKAN, Arcebispo
bispo de Abuja (NIGÉRIA) e Vice-Presidente S. E. R. Dom Youssef
Ibrahim SARRAF, Bispo do Cairo dos Caldeus (EGIPTO). A votação foi
feita de forma electrónica.
O uso da votação de forma electrónica
Para a votação de forma electrónica, os Padres sinodais usam um
dispositivo - usado também para a contagem das presenças - com o
qual podem ser feitos dois tipos de votações: a votação simples e a
votação múltipla.
Votação simples. Quando se vota uma só moção para a qual se requer o
consenso, usam-se as teclas “PLACET”, “NON PLACET”, “ABSTINEO” o
“PLACET IUXTA MODUM”. Depois de ter feito a própria opção,
confirma-se com a tecla verde “CONFIRMO”.
Votação múltipla. Quando numa votação se requer uma escolha entre
várias moções, usam-se as teclas numéricas, carregando na tecla
numérica correspondente à opção e confirma-se com a tecla
“CONFIRMO”. No caso de erro na digitação, aparece na tela a frase
“NoValido”.
Em caso de erro na digitação, ou se se quer modificar a opção já
feita, carrega-se na tecla vermelha “DELEO”, digita-se novamente a
opção e confirma-se com a tecla verde “CONFIRMO”. Esta operação pode
ser repetida até o Presidente decidir que o tempo à disposição
acabou.
INTERVENIENTES NA SALA
(INÍCIO)
Depois da reflexão do Patriarca, intervieram os seguintes Padres:
-
S. Em. R. Card. Angelo SODANO, Decano do Colégio dos Cardeais
(CITADE DO VATICANO)
-
S. Em. R. Card. Polycarp PENGO, Arcebispo de Dar-es-Salaam,
Presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e
Madagascar (S.E.C.A.M.) (TANZÂNIA)
-
S. E. R. Dom Lucas ABADAMLOORA, Bispo de Navrongo-Bolgatanga,
Presidente da Conferência Episcopal (GANA)
-
S. E. R. Dom Fidèle AGBATCHI, Arcebispo de Parakou (BENIN)
-
S. Em. R. Card. Franc RODÉ, C.M., Prefeito da Congregação para os
Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica
(CIDADE DO VATICANO)- S. E. R. Dom Maroun Elias LAHHAM, Bispo de
Tunis (TUNÍSIA)
-
S. E. R. Dom Simon-Victor TONYÉ BAKOT, Arcebispo de Yaoundé,
Presidente da Conferência Episcopal (CAMARÕES)
Damos aqui a seguir os resumos das intervenções:
- S. Em. R. Card. Angelo SODANO, Decano do Colégio dos Cardeais
(CITADE DO VATICANO)
No dia 15 de Setembro de 1965 o saudoso Papa Paulo VI instituía um
novo organismo de comunhão eclesial entre os Bispos e o Sucessor de
Pedro. É o nosso "Synodus Episcoporum ".
1. Esta Instituição já se tornou adulta com os seus 44 anos de vida
e parece-me que as suas assembleias (até agora foram 22)
contribuíram enormemente aos fins específicos que o Legislador lhe
havia atribuido, na direcção indicada pelo Concílio Ecuménico
Vaticano II. São as finalidades que o novo Código de Direito
Canónico, em 1993, depois sintetizou nos seguintes três pontos:
a. favorecer uma estreita união entre o Romano Pontífice e os
Bispos;
b. prestar ajuda à missão do Romano Pontífice;
c. estudar conjuntamente os problemas que se referem à actividade da
Igreja no Mundo (Cân. 342).
Pessoalmente eu fui testemunha da grande importância de tais
encontros, tendo participado nas últimas 12 Assembleias Sinodais,
algumas gerais e outras especiais.
Agora o Santo Padre quis novamente me convidar para ser membro do
Sínodo, para representar o Colégio Cardinalício, outra milenária
Instituição eclesial que é igualmente chamada a ajudar o Romano
Pontífice em sua missão de Pastor da Igreja universal (cf. Cân.
349).
Certamente, entre nós existem vários Confrades Cardeais,
provenientes, sobretudo, da África. Estou feliz de poder aqui
representar simbolicamente todos os 185 Cardeais do mundo inteiro,
que neste momento nos estão próximos com suas orações e com seus
compromissos apostólicos comuns.
2. Todo Sínodo, como todo Consistório, é destinado a ser um momento
de intensa comunhão eclesial. Em tal contexto, gostaria de mencionar
o Cap. IV de nosso "Instrumentum laboris", onde se fala de pessoas e
de instituições católicas chamadas a trabalhar na realidade
africana, em favor da reconciliação, da justiça e da paz. Em tal
capítulo se ressalta a necessidade de colaboração dos Bispos com as
Conferências Episcopais e delas com o Simpósio das Conferências
Episcopais da África e Madagascar.
É bom lembrar que, em primeiro lugar, existe a necessidade de uma
estreita colaboração, com a Sé Apostólica, ou seja, com o Romano
Pontífice e seus Colaboradores.
Como é conhecido, em vários países da África existem os
Representantes Pontifícios: são 26 generosos Núncios Apostólicos que
mantêm contatos com os Bispos do Continente e instauram um diálogo
construtivo também com as Autoridades Civis, a fim de favorecer a
liberdade da Igreja e contribuir na obra da reconciliação, da
justiça e da paz: as três finalidades deste Sínodo.
Recordando aqui a missão dos Representantes Pontifícios, gostaria
também de homenagear convosco o falecido Núncio Apostólico Dom
Michael Courtney, que foi barbaramente assassinado no Burundi em 29
de dezembro de 2003, enquanto se interessava pela reconciliação
entre os diferentes grupos étnicos do país. Infelizmente, ele pagou
com o sangue o seu abnegado serviço pela pacificação daquela Região.
3. Justamente por isto, observei com prazer que o tema da
reconciliação tem prioridade entre os três grandes temas a serem
estudados neste Sínodo: reconciliação, justiça e paz.
Na realidade, hoje vemos claramente a grandeza dos desastres
provocados pelo nacionalismo e pela exaltação do conceito de raça.
Nós aqui na Europa fizemos uma triste experiência no decorrer dos
séculos, até chegar à última guerra mundial, que em cinco anos
provocou 55 milhões de mortos!
Agora devemos todos trabalhar para que tais tragédias do passado não
se repitam mais. Como se esquecer que também na África a fúria
homicida entre os diferentes grupos étnicos devastou países
inteiros? Bastaria pensar em Ruanda e nos Países limítrofes! Em 1994
e nos anos sucessivos a ideologia nacionalista chegou a provocar
mais de 800.000 mortos, entre os quais três generosos membros do
Episcopado, com outros membros do clero e de várias congregações
religiosas.
Acredito que devemos repetir a todos, com mais insistência, que o
amor pela própria Nação (em concreto, ao próprio povo, à própria
gente) é certamente um dever do cristão, mas devemos também
acrescentar que o desvio do nacionalismo é totalmente anti-cristão.
Certo, o conceito de Nação é muito nobre. Ele se formou no ambiente
cristão, segundo muitos históriadores, visto que na antiguidade
prevaleciam mais as pessoas da pequena tribo, por um lado, e do
vasto Império do outro. O Cristianismo favoreceu a agregação de
pessoas de uma determinada região, dando vida ao conceito de povo ou
Nação, com uma específica identidade cultural. O Cristianismo sempre
condenou toda deformação de tal conceito de Nação, uma deformação
que frequentemente caía no nacionalismo ou absolutamente no racismo,
verdadeira negação do universalismo cristão. Na realidade, os dois
princípios basilares da convivência humana cristã foram sempre os
seguintes: a dignidade de toda pessoa humana, por um lado, e a
unidade do género humano, por outro. São os dois confins
intransponíveis, sobre os quais podem se desenvolver os vários
conceitos de nação, segundo os tempos e lugares. E na realidade
vemos hoje na Europa que muitas Nações vão se integrando, com a
finalidade de uma convivência mais sólida, e isso com o apóio dos
Episcopados locais e também da Sé Apostólica.
4. Concluindo, gostaria de dizer que as atuais 53 Nações africanas
terão um grande futuro, no âmbito das 192 Nações que compõem hoje
toda a família humana, se souberem superar as divisões e trabalhar
juntos pelo progresso material e espiritual de seus povos. Por outro
lado, este Sínodo quer demonstrar mais uma vez aos nossos irmãos e
irmãs da África que a Igreja está próxima a eles e deseja ajudá-los
na missão de serem artífices da reconciliação, da justiça e da paz
em todo o Continente.
[00024-06.06] [IN001] [Texto original: italiano]
- S. Em. R. Card. Polycarp PENGO, Arcebispo de Dar-es-Salaam,
Presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e
Madagascar (S.E.C.A.M.) (TANZÂNIA)
O tema deste Sínodo é hoje particularmente urgente para a Igreja
africana. A fim de desenvolver e aprofundar tal tema, como nos foi
pedido, problemas como o egoísmo, a avidez e a riqueza material, as
questões étnicas que desembocam em conflitos e outras instâncias que
estão na origem da falta de paz em muitas sociedades africanas,
devem ser enfrentados corajosamente e abertamente, e acompanhados
por específicas directivas pastorais. As guerras e os conflitos que
afligem o nosso continente dividem os nossos povos, semeando uma
cultura da violência e destruindo o tecido espiritual, social e
moral de nossas sociedades. É triste ter que reconhecer que alguns
de nós pastores foram acusados de envolvimento em tais conflitos ou
por omissão ou por participação directa. Neste Sínodo devemos ter a
coragem de denunciar, até mesmo contra nós mesmos, o abuso de função
e da prática de poder, o tribalismo e o etnocentrismo, a formação
política dos chefes religiosos etc... A Igreja africana não poderá
falar em uma só voz de reconciliação, justiça e paz se no continente
é evidente a falta de unidade, de comunhão e de devido respeito em
relação ao SECAM por parte dos singulares bispos, mas também das
conferências episcopais nacionais e regionais. Precisamos de uma
maior comunhão e de uma maior solidariedade pastoral no seio da
Igreja africana.
Foi programado que, justamente antes desta segunda Assembleia
Especial, o SECAM deveria realizar a sua 15º assembleia plenária em
Frascati, sobre o tema “Autonomia: o caminho da Igreja africana”.
Infelizmente, e com o nosso embaraço, a assembleia teve que ser
cancelada no último momento pela falta de apoio financeiro de muitos
membros das Conferências Episcopais - tudo isso enquanto estamos
celebrando os 40 anos do SECAM.
Expresso a minha esperança e oração para que este Sínodo nos ajude a
empenharmo-nos mais pelo SECAM!
[00026-06.04] [IN002] [Texto original: inglês]
- S. E. R. Dom Lucas ABADAMLOORA, Bispo de Navrongo-Bolgatanga,
Presidente da Conferência Episcopal (GANA)
Geralmente temos papéis políticos e econômicos e devemos contribuir
para a educação e os temas de saúde à luz da fé de alguém. Como
pessoa, o cristão vem de um distinto ambiente cultural o qual pode
ter algumas linhas duras e pode se opor à fé de alguém. Geralmente a
pessoa pode encontrar-se em oposição por muitos fatores, os quais o
impedem de fazer alguma coisa. É óbvio que o cristão pertence
concorrentemente à Igreja e à Sociedade em suas várias dimensões.
Como um tipo de membro multifacetado com muitas frentes, ele pode,
algumas vezes, encontrar dificuldade em saber o que fazer e qual
frente ter de respeitar.
Na primeira Assembleia focamos sobre a Igreja como família universal
de Deus. A Assembleia estabelece um número de condições para dar
credibilidade a seu testemunho: reconciliação, justiça e paz. Nessa
luz tem-se, portanto, recomendado, entre outras coisas: a formação
dos cristãos na justiça e na paz, que é uma afirmação do papel
profético da Igreja. Isso toca nos seguintes temas: um salário justo
para os trabalhadores e o estabelecimento de Comissões “Justiça e
Paz”.
Os princípios sublinhados no documento Ecclesia in Africa são muito
claros e foram citados por muitas Igrejas particulares como linhas
guia para suas reflexões. Mas, particularmente, eles não tocam o
fundo do tema. Não é a experiência de muitos Bispos, padres e leigos
da África, que viajam para os EUA e Europa e para algumas partes do
mundo. Nossa experiência da Igreja na Europa e na América e mesmo de
nossos Irmãos Bispos e padres sugere que somos membros de segunda
classe da família, ou que pertencemos a um Igreja diferente. A
impressão criada é que precisamos deles mas eles não precisam de
nós. A teoria da fraternidade e comunidade é forte mas a prática é
fraca.
A dinâmica da Igreja que insiste que a Igreja comunidade seja
praticamente integrada na teoria e prática de maneira que todos
pertençam e se sintam em casa, deve ser continuada da mesma forma
neste segundo sínodo. A presente Assembleia Sinodal deve considerar
oportuno continuar a dinâmica do precedente Sínodo. Este é o caso no
qual não só os sujeitos são discutidos colegialmente mas também a
perspectiva cristã é requerida.
Para isto acontecer, alguns sugerem usar o rádio, a palavra impressa
e as novas tecnologias de informação e comunicação. Esforços devem
ser feitos para receber essa mensagem, que sempre permanece
pertinente e a tempo.
[00025-06.04] [IN003] [Texto original: inglês]
- S. E. R. Dom Fidèle AGBATCHI, Arcebispo de Parakou (BENIN)
Nota-se claramente que a presente Assembleia consiste em uma feliz
réplica da de 1994. Se aquela tinha sido concluída pela Exortação
pós-sinodal Ecclesia in Africa, esta agora exprime o mesmo tema: A
Igreja na África ao serviço da reconciliação, da justiça e da paz.
Esta formulação, por mais positiva que seja, não chega a dissimular
as discórdias familiares, as tensões interétnicas de raiz histórica,
as guerras e a corrupção em larga escala que prejudicam o
Continente.
Continuando tudo o que de bom tem sido feito a favor deste
continente, fazemos votos para que os Padres sinodais, para além dos
aspectos práticos abundantemente sublinhados no Instrumentum
Laboris, vejam também como fundamentar exegeticamente e
teologicamente a reconciliação, a justiça e a paz sobre o único Deus
Trindade e sobre a sua obra ao longo da Revelação, desde o Antigo
Testamento até ao dia do Filho do Homem. Uma tal acção dos Padres
sinodais vai ajudar a África a assumir a sua responsabilidade
histórica perante o Evangelho que ela recebeu e ao qual ela tem o
dever de se dar, situando-se resolutamente na dinâmica da sua
metanoia. Esta responsabilidade vai conduzi-la a libertar-se do
medo.
De facto, a África tem medo e vive de medo. Guardando ciosamente
para si própria as conclusões das suas descobertas sobre o mundo e
sobre a natureza, ela deixa-se evidentemente levar pela
desconfiança, pela suspeita, pela atitude de auto-defesa, pela
agressão, pelo charlatanismo, pela adivinhação, o ocultismo e o
sincretismo, tudo coisas que contribuem para obnubilar a busca do
verdadeiro Deus por entre as coisas milenárias. Quantas esperanças
portanto confiadas neste continente, mãe de todos, claridade mais
radiosa ainda do que a luz de Cristo morto e ressuscitado! Eu desejo
a este Sínodo um futuro pascal e, depois de tantos sofrimentos, a
ressurreição da África!
[00027-06.03] [IN004] [Texto original: francês]
- S. Em. R. Card. Franc RODÉ, C.M., Prefeito da Congregação para os
Institutos de vida consagrada e as Sociedades de vida apostólica
(CIDADE DO VATICANO)
O Instrumentum laboris, no n. 113, sublinha o “forte crescimento das
vocações” religiosas “sinal do dinamismo da Igreja na África” e
junto a energia espiritual que provém dos Mosteiros de vida
contemplativa.
Os bispos africanos em visita ad limina testemunharam o
insubstituível empenho apostólico e missionário dos consagrados,
homens e mulheres, que oferecem a própria vida pelo Evangelho. A
presença dos consagrados/as é ainda hoje absolutamente predominante,
de modo particular no campo da saúde, do ensino e da caridade.
Este empenho louvável não pode não ter em conta os grandes desafios
da Igreja na África, antes de mais nada, o discernimento vocacional
e a formação inicial e permanente. A vida consagrada na África tem,
portanto, necessidade de formadores e formadoras preparados e, junto
a esses, de uma comunidade educadora: o testemunho da vida religiosa
das Comunidades, a fidelidade aos conselhos evangélicos, às
Constituições e ao carisma próprio, representam uma condição
indispensável para formar verdadeiros discípulos de Cristo.
Os religiosos e as religiosas africanas, por outro lado, são
chamados a viver em plenitude o valor e a beleza dos conselhos
evangélicos, em uma cultura na qual é difícil ser testemunha de
pobreza, obediência e caridade, vividos livremente e por amor.
As Conferências dos Superiores Maiores em âmbito nacional, e dois
organismos se ocupam da animação dos consagrados e das consagradas
africanas, e representam um válido instrumento para o diálogo com os
Bispos.
[00028-06.04] [IN005] [Texto original: italiano]
- S. E. R. Dom Maroun Elias LAHHAM, Bispo de Tunis (TUNÍSIA)
O tema da minha intervenção são as relações entre Islão e África. O
primeiro ponto a salientar é que o Instrumentum laboris fala de
Islão em apenas um parágrafo (102), em termos genéricos e que tocam
o Islão na África sub-sahariana. Ora, a maioria dos muçulmanos
africanos vive na África do Norte, zona geográfica totalmente
ausente do Instrumentum laboris. Um outro ponto é que cerca de 80%
dos 350 milhões de árabes muçulmanos vivem nos países da África do
Norte.
Isto para dizer que as relações islâmico-cristãs na África do Norte
são diferentes dessas relações na Europa e na África sub-sahariana,
e mesmo nos países árabes do Médio Oriente. Este silêncio sobre as
Igrejas da África do Norte, ao falar de África e sobretudo de Islão,
surpreende-nos; nós já tínhamos chamado a atenção das instâncias
competentes.
A especificidade das relações islâmico-cristãs nas Igrejas da África
do Norte pode enriquecer as experiências de diálogo feitas noutros
lugares (na Europa ou na África sub-sahariana) e acabar com as
reacções de medo e de rejeição em relação ao Islão que se começa a
sentir em certos países. Todos nós sabemos que o medo é mau
conselheiro.
Em que é que consiste a especificidade da experiência das Igrejas da
África do Norte?
- É uma Igreja de encontro. Mesmo se ela não goza de toda a
liberdade de que gostaria, não é perseguida.
- É uma Igreja que vive quase 100% em países muçulmanos e onde a
grande maioria dos fieis é composta por estrangeiros que não ficam,
a maior parte, mais do que alguns anos.
- É uma Igreja que, depois da independência dos países da África do
Norte, comprometeu-se muito no serviço humano, social, cultural e
educativo dos países que a acolhiam.
- É uma Igreja que goza de um espaço de liberdade bastante amplo
para o exercício do culto cristão para os seus milhares de fieis, na
Tunísia, por exemplo.
- É uma Igreja que vive em países muçulmanos onde está a nascer um
movimento de pensamento crítico em relação ao Islão rigorista e
fanático. Há até uma escola «magrebina» de estudo racional de textos
e de tradições muçulmanas.
- A presença da Igreja é muito solicitada nesta nova maneira de
pensar e de viver o Islão. Esta solicitação é feita a padres e a
bispos que passaram muitos anos nos países do Maghreb, e esta
solicitação aumentou após a nomeação de bispos árabes para certas
sedeS episcopais.
Duas proposições:
- Que o sínodo para o Médio Oriente previsto para Outubro de 2010
envolva também as dioceses da África do Norte, sobretudo no que diz
respeito às minorias cristãs e às relações e ao diálogo com o Islão.
- Um colóquio sobre o Islão na África que considere a variedade das
experiências africanas, que vão de Túnis a Joanesburgo.
[00029-06.04] [IN006] [Texto original: francês]
-
S. E. R. Dom Simon-Victor TONYÉ BAKOT, Arcebispo de Yaoundé,
Presidente da Conferência Episcopal (CAMARÕES)
Os bantos do sul do Camarões atribuem uma importância peculiar à
vida em comunidade. Pode-se ser isolados após uma falta grave e
procurar reencontrar a comunhão com todos. Este é o sentido do
perdão dado ou recebido, depende se se foi ofendido ou se é culpado
de uma falta.
Chega-se lá através de um ritual, cujas etapas essenciais são as
seguintes: tomar a palavra, a confissão pública, as palavras rituais
de concessão do perdão, a reconciliação e a comida comunitária. Isto
é o que nós chamamos de cultura da paz e da reconciliação. O grupo
do clã sabe restabelecê-la todas as vezes em que a comunidade se
encontra em desequilíbrio.
A eucaristia, fonte e apogeu da vida cristã, promete a paz e a
reconciliação, mas ainda não alcançou a mesma capacidade de
conversão entre os cristãos que dela participam, porque o beijo de
paz oferecido durante a missa revela discordâncias bastante grandes
entre os fieis. Pode-se até chegar a virar as costas a quem oferece
a paz.
Deve-se fazer uma boa catequese apropriada entre os pastores para
que compreendam todos os que se tornaram irmãos e irmãs de sangue,
já que o mesmo sangue de Cristo tomado na comunhão escorre pelas
nossas veias, nós deveríamos compreender que este sangue nos
purifica de todas as nossas impurezas e deveria falar mais alto do
que a tradição do clã. Infelizmente ainda não é este o caso. Devemos
tender para isto cada vez mais.
[00030-06.03] [IN007] [Texto original: francês]
Além disso, intervieram os seguintes Padres, dos quais não recebemos
os resumos antes do presente Boletim ser encerrado. Publicaremos os
resumos no próximo número do Boletim.
- S. Em. R. Card. Zenon GROCHOLEWSKI, Prefeito da Congregação para a
Educação Católica (CIDADE DO VATICANO)
- S. Em. R. Card. Emmanuel WAMALA, Arcebispo emérito de Kampala
(UGANDA)
- S. E. R. Dom Vincent LANDEL, S.C.I. di Béth., Arcebispo de Rabat,
Presidente da Conferência Episcopal Régional do Norte da África
(C.E.R.N.A.) (MARROCOS)
- S. E. R. Dom Jean-Noël DIOUF, Bispo de Tambacounda, Presidente da
Conferência Episcopal (SENEGAL)
- S. E. R. Dom Giorgio BERTIN, O.F.M., Bispo de Djibouti,
Administrador Apostólico "ad nutum Sanctæ Sedis" de Mogadiscio
(SOMÁLIA)
- S. E. R. Dom Michael Dixon BHASERA, Bispo de Masvingo (ZIMBÁBUE)
- S. E. R. Dom Sithembele Anton SIPUKA, Bispo de Umtata (ÁFRICA DO
SUL)
- S. E. R. Dom Jean MBARGA, Bispo de Ebolowa (CAMARÕES)
- S. E. R. Dom Thomas KABORÉ, Bispo de Kaya (BURKINA FASO)
AVISOS
- CALENDÁRIO DOS TRABALHOS
- COLETIVAS DE IMPRENSA
- “BRIEFING”
- “POOL”
- BOLETIM SYNODUS EPISCOPORUM
- COBERTURA TV AO VIVO
- NOTICIÁRIO TELEFÓNICO
-
HORÁRIO DE ABERTURA DA SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ
CALENDÁRIO DOS TRABALHOS
Uma delegação de Padres Sinodais será recebida no Capitólio de Roma
pelo Prefeito, Gianni Alemanno, depois de amanhã, 7 de Outubro, às
9.30h. O encontro foi agendado pela Prefeitura em vista do dia
dedicado à África: 19 de Outubro, quando haverá um Seminário na Sala
da Promoteca, no Capitólio (das 9h às 13h), sob o tema “África: que
parcerias para a reconciliação, a justiça e a paz?”. À noite, (21h)
está previsto um concerto-recital no Auditorium da Conciliação,
intitulado “África: Cruz no meio do mar”.
Os participantes da II Assembleia Especial para a África do Sínodo
dos Bispos assistirão também ao concerto “Os jovens contra a guerra
- 1939-2009", quinta-feira, 8 de Outubro de 2009, às 18.30hs, no
Auditorium da Conciliação, com a presença do Santo Padre Bento XVI.
O evento, que marca o 70º aniversário do início da Segunda Guerra
Mundial, é promovido pelo Pontifício Conselho para a Promoção da
Unidade dos Cristãos e pela Comissão para as relações com o
Judaísmo, pela Embaixada alemã junto à Santa Sé e pelo KulturForum,
de Mainau. O evento é patrocinado pelo Comité Hebraico Internacional
para as Consultas Inter-religiosas e financiado por entidades
italianas e alemãs. A orquestra, composta por jovens músicos
provenientes de 10 nações, executará obras dos compositores Gustav
Mahler e de Felix Mendelssohn Bartholdy, ambos judeus de nascimento
e sucessivamente batizados. Mahler e Mendelssohn, respectivamente
católico e protestante, sofreram o
anti-semitismo. Por ocasião do
concerto, a Congregação Geral da tarde será suspensa às 17h.
[00023-06.04] [00000] [Texto original: italiano]
COLETIVAS DE IMPRENSA
A Segunda Coletiva de Imprensa (com a tradução simultânea em
italiano, inglês, francês e português) realizar-se-à quarta-feira 14
de outubro 2009, por volta das 12h45, na Sala João Paulo II da Sala
de Imprensa da Santa Sé.
Os nomes dos participantes serão comunicados apenas será possível.
Os fotógrafos e operadores audiovisuais (cinegrafistas e técnicos)
para obter a permissão de acesso devem se dirigir ao Pontifício
Conselho para as Comunicações Sociais.
As próximas Coletivas de Imprensa serão realizadas:
- Sexta-feira 23 de outubro 2009 (após o Nuntius)
- Sábado 24 de outubro 2009 (após o Elenchus finalis propositionum)
“BRIEFING”
O primeiro “Briefing” para os grupos linguisticos realizar-se-á (nos
lugares e com os Assessores de Imprensa indicados no Boletim N. 2)
amanhã, terça-feira 6 de Outubro de 2009 por volta das 13h10.
Recorda-se que os operadores audiovisuais (cinegrafistas e técnicos)
e os fotógrafos devem se dirigir ao Pontifício Conselho para as
Comunicações Sociais para a permissão de acesso (muito limitado).
Em linha de máxima, os Assessores de Imprensa realizarão o
“Briefing” por volta da 13h10:
- Quinta-feira 8 de Outubro de 2009
- Sexta-feira 9 de Outubro de 2009
- Sábado 10 de Outubro de 2009
- Segunda-feira 12 de Outubro de 2009
- Terça-feira 13 de Outubro de 2009
- Quinta-feira 15 de Outubro de 2009
- Sábado 17 de Outubro de 2009
- Terça-feira 20 de Outubro de 2009
Algumas vezes os Assessores de imprensa poderão estar acompanhados
por um Padre sinodal ou por um perito.
Os nomes dos participantes e eventuais variações das datas e
horários acima citados serão divulgados apenas será possível.
“POOL”
São previstos “Pools” de jornalistas credenciados para entrar na
Sala do Sínodo, em linha de máxima para a oração de abertura das
Congregações Gerais no início da manhã, nos seguintes dias:
- Quinta-feira 8 de Outubro de 2009
- Sexta-feira 9 de Outubro de 2009
- Sábado 10 de Outubro de 2009
- Segunda-feira 12 de Outubro de 2009
- Terça-feira 13 de Outubro de 2009
- Quinta-feira 15 de Outubro de 2009
- Sábado 17 de Outubro de 2009
- Terça-feira 20 de Outubro de 2009
- Sexta-feira 23 de Outubro de 2009
- Sábado 24 de Outubro de 2009
No Escritório de Informação e Credenciamento da Sala de Imprensa da
Santa Sé (na entrada, a direita) serão colocadas à disposição dos
jornalistas listas de inscrição aos “Pools”.
Para os “Pools” os fotógrafos e os operadores TV devem se dirigir ao
Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.
Os participantes nos “Pools” devem estar às 08h30 no Setor Imprensa,
montado diante da entrada da Sala Paulo VI, de onde serão
acompanhados por um membro da Sala de Imprensa da Santa Sé (para os
redatores) e por um membro do Pontifício Conselho das Comunicações
Sociais (para os fotógrafos e operadores TV). É solicitado um traje
apropriado à circunstância.
BOLETIM SYNODUS EPISCOPORUM
A oitava edição do Boletim - com resumos dos discursos proferidos no
Parlamento pelos Padres sinodais, no quarto Congregação Geral - será
publicado na abertura da Assembléia Geral da Congregação
Quinta-feira, outubro 7, 2009.
COBERTURA TV AO VIVO
Serão transmitidas aos vivo através de monitores na Sala das
Telecomunicações, na Sala dos jornalistas na Sala João Paulo II da
Sala de Imprensa da Santa Sé:
- Sábado 10 de Outubro de 2009 (18h): Oração do Terço com os
Universitários dos Ateneus Romanos (Sala Paulo VI)
- Domingo 11 de Outubro de 2009 (10h): Solene Concelebração
Eucarística com Canonização (Basílica de São Pedro)- Terça-feira 13
de Outubro de 2009 (09h): Parte da Congregação Geral durante a qual
será apresentada a Relatio post disceptationem
- Domingo 25 de Outubro de 2009 (09h30): Solene Concelebração da
Santa Missa de encerramento do Sínodo (Basílica de de São Pedro)
Eventuais variações serão publicadas apenas será possível
NOTICIÁRIO TELEFÓNICO
Durante o período sinodal estará em função um noticiário telefónico:
- +39-06-698.19 com o Boletim ordinário da Sala de Imprensa da Santa
Sé;
- +39-06-698.84051 com o Boletim do Sínodo dos Bispos, parte da
manhã;
- +39-06-698.84877com o Boletim do Sínodo dos Bispos, parte da
tarde.
HORÁRIO DE ABERTURA DA SALA DE IMPRENSA DA SANTA SÉ
A Sala de Imprensa da Santa Sé, por ocasião da II Assembleia
Especial para a África do Sínodo dos Bispos permanecerá aberta
conforme o seguinte horário, de 2 a 25 de outubro de 2009:
- Até Sexta-feira 9 de Outubro: 09h – 16h
- Sábado 10 de Outubro: 09h -19h
- Domingo 11 de Outubro: 09h – 13h
- Segunda-feira 12 de Outubro: 09h – 16h
- Terça-feira 13 de Outubro: 09h – 20h
- De quarta-feira 14 de Outubro a sábado 17 de Outubro: 09h – 16h
- Domingo 18 de Outubro: 11h – 13h
- De segunda-feira 19 de Outubro a sábado 24 de Outubro: 09h – 16h
- Domingo 25 de Outubro: 09h – 13h
Os funcionários do Escritório informação e credenciamento estarão à
disposição (na entrada a direita):
- Segunda a sexta-feira: 09h – 15h
- Sábado: 09h – 14h
Eventuais mudanças serão comunicadas, apenas será possível, através
de anúncios no quadro de avisos da Sala dos jornalistas na Sala de
Imprensa da Santa Sé, no Boletim da Comissão para a informação da II
Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos e na área
Comunicações de serviço do site Internet da Santa Sé. |