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PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

O céu é um encontro

Sexta-feira, 27 de abril de 2018

 

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 19 de 10 de maio de 2018

Para os cristãos o céu não é «abstrato nem distante» mas é «o encontro pessoal com Jesus» o qual, enquanto «estamos a caminho», nos espera «e reza por cada um de nós».

Ao referir-se à pregação de Paulo na sinagoga de Antioquia de Pisídia, tal como é descrita no trecho evangélico dos Atos dos Apóstolos proposto pela liturgia (13, 26-33), o Pontífice citou a parte final: «E nós vos anunciamos que a promessa que foi feita aos pais, Deus a cumpriu a nós, seus filhos, ressuscitando a Jesus. Como também está escrito no segundo salmo: tu és meu Filho, hoje te gerei».

Trata-se «da promessa que Deus fizera» explicou o Papa. E «o povo pôs-se a caminho com esta promessa no coração». Por conseguinte, «o povo de Deus começou a caminhar com esta promessa no coração», «ciente de ser um povo eleito» que «sentia a eleição de Deus», como «uma certeza — porque «esta eleição dava uma certeza no selo da aliança que o povo de Deus fizera» — e também «com a esperança da promessa que Deus lhe dera».

Esta «promessa do povo de Deus a caminho desde o início, diz Paulo, concretizou-se porque Deus a realizou por nós, em Jesus Cristo» insistiu o Pontífice. E «o povo confiava na promessa — prosseguiu — porque sabia que Deus é fiel, tinha aquele conhecimento». De resto, «a infidelidade estava no povo; muitas, muitas infidelidades no caminho. Mas Deus permanecia sempre fiel e por isso» o povo «ia em frente, confiando na fidelidade de Deus».

«Também nós estamos a caminho» fez presente o Papa. «Estamos a caminho e quando» nos perguntamos: «mas a caminho» para onde, respondemos: «sim, para o céu». E «o que é o céu?». Eis que, afirmou Francisco, «começamos a escorregar nas respostas, não sabemos bem como dizer “o que é o céu”». Talvez «muitas vezes pensemos num céu abstrato, num céu distante, num céu» que «sim, onde se está bem».

Ao contrário «caminhamos rumo a um encontro: o encontro definitivo com Jesus» recordou o Pontífice. E assim «o céu é o encontro com Jesus e nós preparamos este encontro com os outros encontros que fazemos no caminho da vida com o Senhor». Mas «o encontro definitivo, pleno, que nos fará gozar toda a vida — como rezámos na oração da coleta — será sempre com Jesus: em encontro pessoal». Porque «Jesus, Deus e homem, Jesus, em corpo e alma, nos espera».

Francisco sugeriu que «reflitamos sobre este pensamento: “Eu estou a caminho na vida para encontrar Jesus”». Um pensamento «tão simples». Com uma consciência: «Jesus, entretanto», não está «sentado ali à nossa espera, à minha espera: não, ele mesmo, no Evangelho, nos disse o que faz: “crede também em mim. Vou preparar-vos um lugar. E quando eu for, e vos preparar um lugar, virei outra vez, e vos trarei para mim mesmo”». São as palavras proclamadas no trecho de João (14, 1-6) proposto pela liturgia do dia.

«Jesus prepara-nos um lugar, Jesus trabalha, neste momento, para nós» insistiu o Papa. E «o trabalho de Jesus» é «a intercessão, a oração de intercessão». Assim «o seu sacerdócio que se consumou na paixão, continua no céu com a intercessão: Jesus reza por mim, por cada um de nós». Mas «devemos repetir isto para nos convencermos: ele é fiel e reza por mim, neste momento». A ponto que «a imagem da intercessão — as mãos assim, para mostrar ao Pai as chagas da paixão — a levou consigo». Porque «Jesus reza por mim».

«Há um excerto do Evangelho, o da última Ceia, quando Jesus diz a Pedro: “e eu rezarei por ti”» recordou o Papa, frisando que «o que diz a Pedro o disse a todos nós: “Eu rezo por ti”». Por conseguinte «cada um de nós deve dizer: Jesus reza por mim, está a trabalhar, está a preparar-nos aquela morada». E «Ele é Jesus: faz isso porque o prometeu». Assim «o céu será este encontro com o Senhor que foi para preparar um lugar, o encontro de cada um de nós». E «isto infunde-nos confiança, faz crescer a confiança».

«Eu rezo mas Ele reza por mim» é a verdade que o Pontífice quis acentuar. «Por isso — explicou — quando rezamos dizemos sempre ao Pai “por nosso Senhor Jesus Cristo”, porque as orações chegam sempre através dele que está a rezar por nós». Trata-se precisamente da «intercessão, Jesus é o sacerdote intercessor: primeiro era o sacerdote que deu a vida por nós; agora é o sacerdote intercessor, até ao fim do mundo». E «isto deve infundir-nos confiança, fazer crescer a confiança» de que no céu «estão à minha espera» e que Jesus «está a rezar por mim» e está a preparar «uma morada para mim».

Em conclusão, Francisco expressou os votos de «que o Senhor nos conceda a consciência de estar a caminho com esta promessa na mão, mas também no coração». E «cientes de sermos eleitos, porque o Senhor nos elegeu a todos e a cada um». Um caminho a percorrer «procurando fazer, renovar continuamente a aliança de fidelidade, para sermos mais fiéis porque Ele é fiel». E assim, «o Senhor nos conceda esta graça de olhar para o alto e pensar: “o Senhor está a rezar por mim”».

 



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