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COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL

A CONSCIÊNCIA QUE JESUS TINHA DE SI MESMO E DE SUA MISSÃO

(1985)

 

Sumário

Nota preliminar

INTRODUÇÃO

QUATRO PROPOSIÇÕES

PRIMEIRA PROPOSIÇÃO

SEGUNDA PROPOSIÇÃO

TERCEIRA PROPOSIÇÃO

QUARTA PROPOSIÇÃO

 

Nota preliminar

A sessão plenária da Comissão Teológica Internacional (CTI) de 1985, realizada de 2 a 7 de outubro, permitiu redigir a versão definitiva do documento de eclesiologia e proceder à terceira votação estatutária. Ela se dedicou sobretudo ao estudo de alguns aspectos da teologia da “ciência” ou das “ciências” de Jesus Cristo. Esses difíceis temas teológicos já haviam sido abordados desde o início do terceiro quinquênio (1980-1985). O estudo dos problemas eclesiológicos havia posto em evidência um aspecto novo da atual pesquisa teológica e pastoral: como se deve apresentar aos cristãos de hoje a consciência que Jesus teve de ser o Filho de Deus e de fundar a Igreja, a “comunhão” que ele resgatava com o seu sangue?[1] Não se trata apenas de um problema de escola, pois quem interpela os teólogos e os pastores é agora o grande público cristão.

Por isso, desde 1983 foi posto em estudo um novo projeto de pesquisa para esclarecer dois problemas: qual é o conteúdo das “ciências-conhecimentos” de Cristo, Deus e homem? Qual é o seu estatuto psicológico e ontológico?  Ou, para dizê-lo com a antiga terminologia técnica: Quid scitur a Jesu Christo? Quomodo haec cognoscuntur a Verbo Incarnato? [O que é conhecido por Jesus Cristo? Como essas coisas são conhecidas pelo Verbo encarnado?] Essa tarefa foi confiada a uma subcomissão que realizou numerosas reuniões. Ela era presidida pelo Rev. Pe. Christophe von Schönborn, O.P., professor em Friburgo, Suíça; eram membros os Revmos. Profs. Ferenc Gál, Walter Kasper, Carl Peter, Cándido Pozo, S.J., Bernard Sesboué, S.J., e Jan Walgrave, O.P. Também contribuíram para a primeira redação do documento, submetido à discussão na reunião plenária de outubro de 1985, Suas Excias. Dom Jorge Medina-Estévez e Dom José Boaventura Kloppenburg, e o Rev. Pe. John Thornhill, S.M., membros da Comissão Teológica Internacional.[2]

Para que se pudesse alcançar esse resultado no término de um quinquênio bastante movimentado, foi necessário reduzir o projeto inicial. Assim, o texto redigido e votado pelos membros da Comissão Teológica Internacional limita-se à primeira das duas perguntas formuladas, somente ao quid, e remete a estudos ulteriores o quomodo. Portanto, não foram tratadas aqui as ciências divina, infusa, humana, mística e profética do Verbo encarnado. A Comissão Teológica Internacional estudou esses temas, mas o tempo insuficiente não lhe permitiu oferecer respostas que fossem, ao mesmo tempo, conformes à doutrina da Igreja e às pesquisas que tantos teólogos e filósofos cristãos conduziram sobre esse assunto desde o início do último século. Por outro lado, julgou-se oportuno, para não dizer necessário, reafirmar os dados da fé, da revelação e da tradição sobre alguns pontos fundamentais: que consciência tinha Jesus de sua própria pessoa, de sua missão, do Reino que concretizava numa Igreja que é, ao mesmo tempo, comunhão de homens terrenos e “Reino dos céus”, “Reino de Deus”, corpo místico do qual participam, de modo diverso mas real, todos os fiéis, quer se encontrem na condição corporal e temporal, quer estejam na vida com Deus e no éon divino e eterno.

A essa expressão de sua fé, que é a fé da Igreja, os membros da Comissão Teológica Internacional quiseram dar um caráter sistemático. Isso explica a divisão da doutrina em quatro proposições fundamentais. O comentário que necessariamente delas decorre situa-se, antes de tudo, no plano da grande tradição da Igreja, a qual se expressa na Sagrada Escritura e no ensinamento do Magistério. Numa época em que, como dizíamos, alguns cristãos se perguntam o que ainda se deve crer, os membros da Comissão Teológica Internacional oferecem a resposta da tradição cristã, sem prejuízo daqueles estudos mais aprofundados já iniciados. Aos docentes de teologia cabe, de fato, não apenas explicar a fé, mas também explicitá-la. Foi isso que se tentou fazer aqui.

Roma, 31 de maio de 1986
Philippe Delhaye, Protonotário Apostólico
Secretário-Geral da CTI

INTRODUÇÃO

A Comissão Teológica Internacional já se ocupou duas vezes de cristologia.[3] No relatório publicado em 1980, alguns membros falavam de uma síntese que precisava ser elaborada pelos teólogos para que à doutrina do Concílio de Calcedônia sobre a pessoa e as duas naturezas de Jesus Cristo se acrescentasse uma perspectiva soteriológica. No mesmo contexto, fez-se menção à dificílima questão da consciência e da ciência de Cristo.[4] Posteriormente tratou-se da preexistência de Jesus Cristo e do aspecto trinitário de sua paixão. Sem querer prejulgar o futuro, a Comissão observou que o estudo sobre a consciência e a ciência humana de Jesus ainda permanece por completar.[5]

Como no passado, a Comissão deseja ainda hoje “pôr melhor em luz o lugar que, na salvação dos homens, ocuparam a humanidade de Cristo e os diversos 'mistérios' de sua vida terrena, como o batismo, as tentações e a 'agonia' do Getsêmani”.[6] Daí a decisão de empreender uma nova pesquisa sobre a vida cognoscitiva e afetiva daquele que conhece o Pai e quis revelá-lo aos outros. A Comissão não pretende tratar todos os aspectos relativos a esse tema, por mais importantes que sejam; o espírito do tempo, porém, exige que se dê uma resposta ao menos a algumas das perguntas que, a respeito de Jesus Cristo, agitam hoje os pensamentos e os corações dos homens.

Que pessoa sensata aceitaria depositar sua esperança em alguém que fosse desprovido de alma ou de inteligência humana? Não se trata de um problema que deva ser deixado apenas aos homens do século IV,[7] pois ele conserva ainda toda a sua atualidade, embora em contexto diverso.

A aplicação do método histórico-crítico aos Evangelhos suscita perguntas sobre Jesus Cristo: sobre a consciência que ele tinha de sua divindade, de sua vida e de sua morte salvífica, de sua missão, de sua doutrina e, sobretudo, de seu projeto de fundar a Igreja. Os especialistas que aplicam esse método deram respostas diversas e às vezes contrapostas. E as controvérsias não diminuíram com o passar do tempo, pois esses temas continuam sendo discutidos não somente nas revistas científicas, mas também, ao menos de vez em quando, nos jornais diários ou semanais, em toda uma literatura popular e nos modernos meios de comunicação.

Isso mostra quanto tais perguntas são importantes não apenas para públicos muito variados, mas também para os cristãos. Por isso, muitas vezes é difícil para estes dar uma resposta satisfatória a quem lhes pede a razão da esperança que neles existe (cf. 1Pd 3,15). Com efeito, quem desejaria, ou melhor, quem poderia confiar num Salvador que tivesse ignorado ser tal, ou que não tivesse querido sê-lo?

Compreende-se então que a Igreja atribua extrema importância ao problema da consciência e da ciência humanas de Jesus, pois se trata, tanto em um caso quanto no outro, não de temas teológicos puramente especulativos, mas do próprio fundamento da mensagem e da missão próprias da Igreja. Ela, de fato, ao anunciar o Reino de Deus, convida os homens à penitência; evangeliza; propõe e fornece os meios necessários à libertação, à reconciliação e à salvação; quer comunicar a todos os homens a revelação de Deus Pai, no Filho, mediante o Espírito. Não teme apresentar-se ao mundo inteiro como investida dessas tarefas. Declara abertamente ter recebido essa missão e essa doutrina de seu Senhor Jesus. E, àqueles que se perguntam se as coisas são realmente assim, apressa-se a responder exprimindo sua fé e sua certeza. Daí a importância teológica e pastoral, hoje, das perguntas sobre a consciência e a ciência humanas de Jesus.

Quando se enfrentam essas perguntas teológicas e pastorais tão importantes, emergem das discussões atuais dois grupos de questões. É preciso mencionar antes de tudo a relação entre a exegese eclesiástico-dogmática e a exegese histórico-crítica da Escritura, pois essas difíceis questões de hermenêutica são particularmente agudas no campo de nossa pesquisa. Segundo a doutrina do Vaticano II, a exegese da Sagrada Escritura “deve investigar o que os hagiógrafos realmente quiseram significar”. Ora, ao pesquisar as intenções primeiras das afirmações, é preciso levar em conta também “o conteúdo e a unidade de toda a Escritura”, que deve ser interpretada “tendo em devida conta a viva tradição de toda a Igreja e a analogia da fé”.[8] Precisamente nesse sentido global, a Comissão, para tratar o tema, pretende começar, seguindo a indicação do Concílio, pelos temas bíblicos. O estudo da Sagrada Escritura deve ser, de fato, “como a alma de toda a teologia”.[9]

Outro problema, não menos difícil, apresenta-se quando se estuda a viva tradição da Igreja. De fato, vivendo na história, a Igreja e sua teologia, para propor uma explicação da fé transmitida uma vez por todas, devem servir-se necessariamente da linguagem filosófica de seu próprio tempo, e de modo apropriado e crítico. As controvérsias sobre o problema que nos interessa provêm precisamente da diversidade das concepções filosóficas. Em sua exposição, a Comissão não pretende proceder a priori a partir de uma determinada terminologia filosófica, mas de uma pré-compreensão comum segundo a qual, enquanto homens, estamos presentes a nós mesmos em nosso “coração”, em todos os nossos atos. Todavia, sabemos que a consciência de Jesus participa da singularidade e do caráter misterioso de sua Pessoa e que, por isso, escapa a uma consideração puramente racional. O problema que nos é proposto só podemos tratá-lo à luz da fé, segundo a qual Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16).

 

QUATRO PROPOSIÇÕES

Nosso estudo se limitará, portanto, a algumas afirmações sobre aquilo de que Jesus tinha consciência relativamente à sua própria pessoa e à sua missão. As quatro proposições que seguem situam-se no plano daquilo que a fé sempre creu a respeito de Cristo. Deliberadamente, elas não entram nas elaborações teológicas que buscam dar razão desse dado de fé. Portanto, não se fará aqui nenhuma menção às tentativas de formular teologicamente como tal consciência pôde articular-se na humanidade de Cristo.

Os comentários às quatro proposições seguem, em linhas gerais, um esquema em três etapas: expor-se-á, antes de tudo, o que a pregação apostólica diz a respeito de Cristo; depois se procurará investigar aquilo que os Evangelhos sinóticos, mediante a convergência de suas diversas linhas, nos permitem dizer sobre a consciência de Jesus; por fim, examinar-se-á o testemunho do Evangelho de São João, que muitas vezes diz de forma mais explícita aquilo que os Evangelhos sinóticos contêm de modo mais implícito, sem que haja oposição entre eles.

 

PRIMEIRA PROPOSIÇÃO

A vida de Jesus testemunha a consciência de sua própria relação filial com o Pai. Seu comportamento e suas palavras, que são os do “servo” perfeito, implicam uma autoridade que supera a dos antigos profetas e que pertence somente a Deus. Jesus extraía essa autoridade incomparável de sua relação singular com Deus, a quem chama “meu Pai”. Ele tinha consciência de ser o Filho único de Deus e, nesse sentido, de ser ele próprio Deus.

1.1. A pregação apostólica pós-pascal, que proclama Jesus como Filho e como Filho de Deus, não é o resultado de um desenvolvimento tardio na Igreja primitiva; ela já se encontra no coração das formulações mais antigas do querigma, das confissões de fé ou dos hinos (cf. Rm 1,3s.; Fl 2,6ss.). São Paulo chega a resumir o conjunto de sua pregação na expressão: “o Evangelho de Deus acerca de seu Filho” (Rm 1,1.3; cf. Rm 1,9; 2Cor 1,19; Gl 1,16). Particularmente significativas a esse respeito são também as “fórmulas da missão”: “Deus enviou o seu próprio Filho” (Gl 4,4; Rm 8,3). A filiação divina de Jesus está, portanto, no centro da pregação apostólica. Ela pode ser compreendida como explicitação, à luz da cruz e da ressurreição, da relação de Jesus com o seu “Abba”.

1.2. De fato, a designação de Deus como “Pai”, que se tornou pura e simplesmente a maneira cristã de designar Deus, remonta ao próprio Jesus; trata-se de um dos dados mais seguros da pesquisa histórica sobre Jesus. Ele, porém, não chamou Deus apenas de “Pai” ou “meu Pai” em geral; dirigindo-se a ele na oração, invoca-o chamando-o “Abba” (Mc 14,36; cf. Rm 8,15; Gl 4,6), o que indica algo novo. Com efeito, a maneira de Jesus rezar (cf. Mt 11,25) e a que ele ensina aos discípulos (cf. Lc 11,2) sugerem a distinção - que se tornará explícita depois da Páscoa, cf. Jo 20,17 - entre “meu Pai” e “vosso Pai”, e o caráter único e intransmissível da relação que une Jesus a Deus. Antes da manifestação de seu mistério aos homens, havia na percepção humana da consciência de Jesus uma certeza singular e profundíssima: a de sua relação com o Pai. A invocação de Deus como “Pai” implica, consequentemente, a consciência que Jesus tinha de sua autoridade divina e de sua missão. Não é sem razão que reencontramos nesse contexto o termo “revelar” (Mt 11,27 par.; cf. Mt 16,17). Consciente de ser aquele que conhece perfeitamente Deus, Jesus sabe, portanto, ser ao mesmo tempo o mensageiro da revelação definitiva de Deus aos homens. Ele sabe e tem consciência de ser “o” Filho (cf. Mc 12,6; 13,32).

Em virtude dessa consciência, Jesus fala e age com uma autoridade que pertence propriamente somente a Deus. E a atitude dos homens diante dele, Jesus, decide sua salvação eterna (Lc 12,8; cf. Mc 8,38; Mt 10,32). Desde já, Jesus pode chamar ao seu seguimento (Mc 1,17); para segui-lo, é preciso amá-lo mais do que aos próprios pais (Mt 10,37), antepô-lo a qualquer bem terreno (Mc 10,29), estar pronto a perder a própria vida “por causa de mim” (Mc 8,35). Ele fala como legislador soberano (Mt 5,22.28), que se coloca acima dos profetas e dos reis (Mt 12,41s.). Não existe, portanto, outro mestre senão ele (Mt 23,8); tudo passará, exceto sua palavra (Mc 13,31).

1.3. O Evangelho de São João afirma de maneira mais explícita de onde Jesus recebe essa inaudita autoridade: porque “o Pai está em mim e eu no Pai” (10,38); “Eu e o Pai somos uma só coisa” (10,30). O “Eu” que aqui fala e legisla soberanamente possui a mesma dignidade do “Eu” de Javé (cf. Ex 3,14).

Mesmo de um ponto de vista histórico, podemos afirmar com fundada razão que a primitiva proclamação apostólica de Jesus como Filho de Deus está baseada na própria consciência que Jesus tinha de ser o Filho e o Enviado do Pai.

 

SEGUNDA PROPOSIÇÃO

Jesus conhecia o objetivo de sua missão: anunciar o Reino de Deus e torná-lo presente em sua pessoa, em seus atos e em suas palavras, para que o mundo seja reconciliado com Deus e renovado. Ele aceitou livremente a vontade do Pai: dar a própria vida pela salvação de todos os homens; sabia-se enviado pelo Pai para servir e dar sua vida “por muitos” (Mc 14,24).

2.1. A pregação apostólica da filiação divina de Cristo implica igualmente e inseparavelmente um significado soteriológico. Com efeito, o envio e a vinda de Jesus na carne (Rm 8,3), sob a Lei (Gl 4,4), seu abaixamento (Fl 2,7), têm em vista nossa elevação: tornar-nos justos (2Cor 5,21), ricos (2Cor 8,9) e filhos mediante o Espírito (Rm 8,15; Gl 4,5s.; Hb 2,10). Tal participação na filiação divina de Jesus, que se realiza na fé e se exprime em particular na oração dos cristãos ao Pai, supõe a consciência que Jesus mesmo tem de ser Filho. Toda a pregação apostólica se baseia na convicção de que Jesus sabia ser o Filho, o Enviado do Pai; e sem essa consciência de Jesus, não apenas a cristologia, mas também toda a soteriologia ficaria sem fundamento.

2.2. A consciência que Jesus possui de sua relação filial singular com “seu Pai” é o fundamento e o pressuposto de sua missão. Inversamente, de sua missão podemos deduzir sua consciência. Segundo os Evangelhos sinóticos, Jesus sabe que foi enviado para anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus (Lc 4,43; cf. Mt 15,24); para esse fim ele “saiu” (Mc 1,38, grego) e veio (cf. Mc 2,17 etc.).

Por meio de sua missão em favor dos homens, podemos ao mesmo tempo descobrir Aquele de quem ele é o Enviado (cf. Lc 10,16). Com gestos e palavras, Jesus manifestou o objetivo de sua “vinda”: chamar os pecadores (Mc 2,17), “buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10), não abolir, mas dar cumprimento à Lei (Mt 5,17), trazer a espada da separação (Mt 10,34), trazer fogo à terra (Lc 12,49). Jesus sabe que veio não para ser servido, mas para servir “e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).[10]

2.3. Essa “vinda” não pode ter outra origem senão em Deus. O Evangelho de São João o diz claramente, explicitando, em sua cristologia da missão (Sendungschristologie), os testemunhos mais implícitos dos sinóticos sobre a consciência que Jesus tinha de sua missão incomparável: ele sabe que “veio” do Pai (Jo 5,43), que “saiu” dele (8,42; 16,26). Sua missão, recebida do Pai, não lhe é imposta de fora; é-lhe própria a ponto de coincidir com todo o seu ser: ela é toda a sua vida (6,57), o seu alimento (4,34), aquilo que ele somente procura (5,30), pois a vontade daquele que o enviou é toda a sua vontade (6,38), suas palavras são as palavras de seu Pai (3,34; 12,49), suas obras são as obras do Pai (9,4), de modo que ele pode dizer de si mesmo: “Quem me viu, viu o Pai” (14,9). A consciência que Jesus tem de si mesmo coincide com a consciência de sua missão. E isso vai muito além da consciência de uma missão profética recebida em determinado momento, ainda que fosse “desde o seio materno” (como Jeremias, cf. Jr 1,5; o Batista, cf. Lc 1,15; Paulo, cf. Gl 1,15). Essa missão se enraíza muito mais em uma “saída” originária de Deus (“porque de Deus eu saí”: Jo 8,42), o que pressupõe, como condição de possibilidade, que ele tenha estado “desde o princípio” com Deus (Jo 1,1.18).

2.4. A consciência que Jesus tem de sua missão implica, portanto, a consciência de sua “preexistência”. A missão temporal, de fato, não é essencialmente separável da processão eterna; é seu “prolongamento”.[11] A consciência humana da própria missão “traduz”, por assim dizer, na linguagem de uma vida humana, a relação eterna com o Pai.

Essa relação do Filho encarnado com o Pai supõe, em primeiro lugar, a mediação do Espírito Santo, que deve, portanto, estar sempre incluído na consciência de Jesus enquanto Filho. Já sua pura existência humana é resultado de uma ação do Espírito. A partir do batismo de Jesus, toda a sua obra - quer se trate de ação ou de paixão entre os homens, quer de comunhão de oração com o Pai - realiza-se somente no Espírito e mediante o Espírito (Lc 4,18; At 10,38; cf. Mc 1,12; Mt 12,28). O Filho sabe que, no cumprimento da vontade do Pai, o Espírito o guia e o sustenta até a cruz. Ali, concluída sua missão terrena, ele “entrega” (paredoken) “o seu espírito” (pneuma) (Jo 19,30), no que alguns veem uma introdução ao dom do Espírito. Desde sua ressurreição e ascensão, ele se torna, como homem glorificado, aquilo que foi como Deus desde toda a eternidade: “espírito que dá vida” (1Cor 15,45; 2Cor 3,17), Senhor capaz de derramar soberanamente o Espírito Santo para nos elevar, nele, à dignidade de filhos.

Mas essa relação do Filho encarnado com o Pai exprime-se, ao mesmo tempo, de modo “kenótico”.[12] Para poder realizar a obediência perfeita, Jesus renuncia livremente (Fl 2,6-9) a tudo o que poderia obstaculizar tal atitude. Assim, por exemplo, ele não quer recorrer às legiões de anjos que poderia obter (Mt 26,53); quer crescer como homem “em sabedoria, idade e graça” (Lc 2,52); quer aprender a obedecer (Hb 5,8), enfrentar as tentações (Mt 4,1-11 par.), sofrer. Tudo isso não é incompatível com as afirmações de que Jesus “sabe tudo” (Jo 16,30) e de que “o Pai lhe mostrou tudo o que faz” (Jo 5,20; cf. 13,3; Mt 11,27), se tais afirmações forem entendidas no sentido de que Jesus recebe do Pai tudo o que lhe permite cumprir sua obra de revelação e de redenção universal (cf. Jo 3,11.32; 8,38.40; 15,15; 17,8).

 

TERCEIRA PROPOSIÇÃO

Para realizar sua missão salvífica, Jesus quis reunir os homens em vista do Reino e convocá-los para junto de si. Para esse fim, Jesus realizou atos concretos cuja única interpretação possível, tomados em seu conjunto, é a preparação da Igreja que será constituída definitivamente na época dos acontecimentos da Páscoa e de Pentecostes. É, portanto, necessário afirmar que Jesus quis fundar a Igreja.

3.1. Com base no testemunho apostólico, a Igreja é inseparável de Cristo. Segundo uma fórmula recorrente em São Paulo, as Igrejas estão “em Cristo” (1Ts 1,1; 2,14; 2Ts 1,1; Gl 1,22), são as “Igrejas de Cristo” (Rm 16,16). Ser cristão significa que “Cristo está em vós” (Rm 8,10; 2Cor 13,5), é “viver em Cristo Jesus” (Rm 8,2): “Todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Essa unidade exprime-se sobretudo mediante a analogia da unidade do corpo humano. O Espírito Santo constitui a unidade desse corpo: corpo de Cristo (1Cor 12,27), ou “em Cristo” (Rm 12,5), e até mesmo “Cristo” (1Cor 12,12). O Cristo celeste é o princípio de vida e de crescimento da Igreja (Cl 2,19; Ef 4,11-16), ele é “a cabeça do corpo” (Cl 1,18; 3,15 etc.), a “plenitude” (Ef 1,22s.) da Igreja.

Ora, essa unidade inquebrantável de Cristo com sua Igreja se enraíza no ato supremo de sua vida terrena: o dom de sua vida na cruz. Porque a amou, “entregou-se por ela” (Ef 5,25), pois queria “apresentar a si mesmo a sua Igreja toda gloriosa” (Ef 5,27; cf. Cl 1,22). A Igreja, corpo de Cristo, tira sua origem do corpo entregue na cruz, do “sangue precioso” (1Pd 1,19) de Cristo, que é “o preço de nosso resgate” (cf. 1Cor 6,20). Para a pregação apostólica, a Igreja é precisamente o objetivo da obra salvífica realizada por Cristo em sua vida terrena.

3.2. Ao pregar o Reino de Deus, Jesus não anuncia simplesmente a iminente grande transformação escatológica, mas convoca antes de tudo os homens a entrar no Reino. O germe e o início do Reino é o “pequeno rebanho” (Lc 12,32) daqueles que Jesus veio convocar em torno de si e de quem ele mesmo é pastor (Mc 14,27 par.; Jo 10,1-29; cf. Mt 10,16 par.), ele que veio reunir e libertar suas ovelhas (Mt 15,24; Lc 15,4-7). Jesus fala dessa convocação sob a imagem dos convidados ao banquete de núpcias (Mc 2,19 par.), da semeadura de Deus (Mt 13,24; 15,13), da rede de pesca (Mt 13,47; Mc 1,17). Os discípulos de Jesus formam a cidade situada no alto do monte, visível de longe (Mt 5,14); constituem a nova família da qual Deus mesmo é o Pai e na qual todos são irmãos (Mt 23,9); constituem a verdadeira família de Jesus (Mc 3,34 par.). As parábolas de Jesus e as imagens de que ele se serve para falar daqueles que veio convocar comportam uma “eclesiologia implícita”.

Não se trata de afirmar que essa intenção de Jesus implique uma vontade expressa de fundar e estabelecer todos os aspectos institucionais da Igreja tais como se desenvolveram ao longo dos séculos.[13] Antes, é necessário afirmar que Jesus quis dotar a comunidade que reunia em torno de si de uma estrutura que permanecerá até o pleno cumprimento do Reino. É preciso recordar aqui, em primeiro lugar, a escolha dos Doze e de Pedro como seu chefe (Mc 3,14s.). Essa escolha, além disso intencional, visa à fundação escatológica definitiva do povo de Deus, aberto a todos os homens (cf. Mt 8,11s.). Os Doze (Mc 6,7) e os outros discípulos (Lc 10,1s.) participam da missão de Cristo, de sua potestade, mas também de sua sorte (Mt 10,25; Jo 15,20). Neles, o próprio Jesus vem; e nele está presente Aquele que o enviou (Mt 10,40).

A Igreja terá também sua própria oração, aquela que Jesus lhe deu (Lc 11,2-4). Ela recebe sobretudo o memorial da Ceia, centro da “Nova Aliança” (Lc 22,20) e da nova comunidade reunida na fração do pão (Lc 22,19). Àqueles que convocou em torno de si, Jesus ensinou um “modo de agir” novo, diferente daquele dos antigos (cf. Mt 5,21 etc.), dos pagãos (cf. Mt 5,47) e dos grandes deste mundo (Lc 22,25s.).

Jesus quis fundar a Igreja? Certamente; mas essa Igreja é o povo de Deus que ele reúne antes de tudo a partir de Israel, por meio do qual visa à salvação de todos os povos. De fato, é precisamente “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10,6; 15,24) que Jesus sabe ter sido enviado antes de tudo e para as quais envia seus discípulos. Uma das expressões mais comoventes da consciência que Jesus tinha de sua dignidade e de sua missão é este lamento - o lamento do Deus de Israel!: “Jerusalém, Jerusalém... quantas vezes quis reunir teus filhos, como a galinha reúne a sua ninhada debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Lc 13,34; cf. 19,41-44). Deus, isto é, Javé, no Antigo Testamento, procura sem cessar reunir os filhos de Israel em um povo, seu povo. Aquele “vós não o quisestes” mudou não a intenção, mas o caminho que a convocação de todos os homens em torno de Jesus seguiria. Doravante será principalmente “o tempo dos pagãos” (Lc 21,24; cf. Rm 11,1-6) que marcará a ecclesia de Cristo.

Cristo tinha consciência de sua missão salvífica. Ela comportava a fundação de sua ecclesia, isto é, a convocação de todos os homens na “família de Deus”. A história do cristianismo se funda, em última instância, na intenção e na vontade de Jesus de fundar a sua Igreja.

3.3. À luz do Espírito, o Evangelho de São João vê toda a vida de Cristo como iluminada pela glória do Ressuscitado. Assim, a visão do círculo dos discípulos de Jesus já se abre a todos aqueles que “por sua palavra crerão em mim” (Jo 17,20). Aqueles que, durante sua vida terrena, estiveram com ele, aqueles que o Pai lhe havia dado (17,6), que ele havia guardado e pelos quais “consagrou a si mesmo” (17,19), entregando a própria vida, estes já representam todos os fiéis, todos aqueles que o terão recebido (1,12) e que terão crido nele (3,36). Mediante a fé, estão unidos a ele como os ramos à videira, sem a qual secam (15,6). Essa união última entre Jesus e os crentes - “vós em mim e eu em vós” (14,20) - tem, de um lado, sua origem no desígnio do Pai que “dá” os discípulos a Jesus (6,39.44.65), mas se realiza definitivamente mediante o livre dom de sua vida (10,18) “por seus amigos” (15,13). O mistério pascal continua sendo a fonte da Igreja (cf. Jo 19,34): “E eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim” (12,32).

 

QUARTA PROPOSIÇÃO

A consciência que Cristo tem de ser enviado pelo Pai para a salvação do mundo e para a convocação de todos os homens no povo de Deus implica, de modo misterioso, o amor por todos os homens, de tal modo que todos podemos dizer: “O Filho de Deus me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).

4.1. Desde suas primeiras formulações, a pregação apostólica implica a convicção de que “Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras” (1Cor 15,3), que “se entregou por nossos pecados” (Gl 1,4), e isso segundo a vontade de Deus Pai, que o “entregou à morte por nossos pecados” (Rm 4,25; cf. Is 53,6), “por todos nós” (Rm 8,32), “para nos resgatar” (Gl 4,5). Deus, que “quer que todos os homens sejam salvos” (1Tm 2,4), não exclui ninguém de seu desígnio de salvação, que Cristo abraça com todo o seu ser. Toda a vida de Cristo, desde sua “entrada no mundo” (Hb 10,5) até o dom de sua vida, é um único e mesmo dom “por nós”. Foi precisamente isso que a Igreja pregou desde o início (cf. Rm 5,8; 1Ts 5,10; 2Cor 5,15; 1Pd 2,21; 3,18 etc.).

Ele morreu por nós porque nos amou: “Cristo nos amou e se entregou por nós, oferecendo-se em sacrifício” (Ef 5,2). Esse “nós” indica todos os homens que ele quer reunir em sua Igreja: “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,25). Ora, esse amor a Igreja não entendeu apenas como uma atitude geral, mas como um amor tão concreto que cada um se torna objeto de consideração pessoal. Assim a Igreja vê as coisas quando ouve São Paulo recordar o respeito pelos “fracos”: “Guarda-te de arruinar, com teu alimento, alguém por quem Cristo morreu” (Rm 14,15; cf. 1Cor 8,11; 2Cor 5,14s.). Aos cristãos de Corinto, dilacerados por facções, o próprio Paulo pergunta: “Por acaso Cristo foi dividido? Foi Paulo crucificado por vós?” (1Cor 1,13). E precisamente a esse respeito Paulo - que, por outro lado, não conheceu Jesus “durante sua vida terrena” (Hb 5,7) - poderá afirmar: “Eu vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).

4.2. Os testemunhos apostólicos acima recordados a favor da morte sofrida por amor por Jesus, de modo personalíssimo, “por nós”, “por mim” e “por meus irmãos”, abrangem em um só olhar o amor sem limites do “Filho de Deus” (Gl 2,20) preexistente, aquele que é reconhecido ao mesmo tempo como o “Senhor” glorificado. Esse “por nós” cheio de amor de Jesus encontra, portanto, seu fundamento na preexistência e permanece até o amor do Glorificado que - depois de nos ter amado (cf. Rm 8,37) em sua encarnação e em sua morte - agora “intercede por nós” (Rm 8,34). O amor “proexistente” de Jesus constitui o elemento contínuo que caracteriza o Filho em todas essas três “etapas” - preexistência, vida terrena, existência glorificada.

Encontramos essa continuidade de seu amor expressa nas palavras de Jesus. Segundo Lc 22,27, Jesus exprime o conjunto de sua vida terrena e de seu comportamento na imagem “daquele que serve à mesa”. “Ser o servo de todos” (Mc 9,35 par.) é a regra fundamental no círculo dos discípulos. O amor de serviço atinge seu ápice na ceia de despedida, durante a qual Jesus se sacrifica e se entrega como aquele que deve morrer (Lc 22,19s. par.). Na cruz, sua vida de serviço transforma-se totalmente em uma morte de serviço “por muitos” (Mc 10,45; cf. 14,22-24). O serviço de Jesus na vida e na morte era também, em última análise, serviço ao “Reino de Deus” em palavras e atos, a ponto de ele poder até apresentar sua vida e sua obra em sua glória futura como um “serviço à mesa” (Lc 12,37) e como uma intercessão (Rm 8,34). O serviço era serviço do amor, que associa o amor radical de Deus ao amor cheio de abnegação pelo próximo (cf. Mc 12,28-34).

O amor de que toda a vida de Jesus é testemunho revela-se antes de tudo como universal, no sentido de que não exclui ninguém daqueles que vêm a ele. Esse amor procura “o que estava perdido” (Lc 15,3-10 e 11-32), os publicanos e pecadores (cf. Mc 2,15; Lc 7,34.36-50; Mt 9,1-8; Lc 15,1s.), os ricos (Lc 19,1-10) e os pobres (Lc 16,19-31), homens e mulheres (Lc 8,2-3; 7,11-17; 13,10-17), os doentes (Mc 1,29-34 etc.), os endemoninhados (Mc 1,21-28 etc.), os aflitos (Lc 6,21) e os oprimidos (Mt 11,28).

Essa abertura do coração de Jesus a todos quer intencionalmente superar os limites de sua geração, como aparece claramente na “universalização” de sua missão e de suas promessas. As bem-aventuranças ultrapassam os limites de seus ouvintes imediatos: contemplam todos os pobres, todos os famintos (cf. Lc 6,20s.). Jesus identifica-se com os pequenos e com os pobres (Mc 10,13-16): quem acolhe um desses pequenos acolhe o próprio Jesus e, nele, acolhe Aquele que o enviou (Mc 9,37). Somente no juízo final se verá abertamente até onde pôde chegar essa identificação, por ora escondida (Mt 25,31-46).

4.3. Esse mistério encontra-se no coração de nossa fé: a inclusão de todos os homens nesse amor eterno com que Deus amou o mundo, a ponto de dar o seu próprio Filho (Jo 3,16). “Nisto conhecemos o amor: ele [isto é, Cristo] deu a sua vida por nós” (1Jo 3,16). De fato, “o bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Jo 10,11); ele as conhece (Jo 10,14) e chama cada uma pelo próprio nome (Jo 10,3).

4.4. Precisamente por terem conhecido esse amor pessoal por cada um,[14] tantos cristãos se empenharam no amor aos mais pobres, sem discriminação, e continuam a testemunhar esse amor que sabe ver Jesus em cada um “destes meus irmãos menores” (Mt 25,40). “Trata-se de 'cada' homem, porque cada um foi incluído no mistério da Redenção e com cada um Cristo se uniu, para sempre, por meio desse mistério”.[15]

 


[1] A CTI quer aqui expressar sua gratidão à Pontifícia Comissão Bíblica pela colaboração que os dois organismos puderam realizar fraternalmente. É de todos conhecida a preciosa publicação da Commission Biblique Pontificale, Bible et Christologie, Cerf, Paris 1984, 294 pp.; tradução italiana: Pontificia Commissione Biblica, Bibbia e Cristologia, Edizioni Paoline, 1987, 298 pp.

[2] Nesta nossa época de dúvida, nunca se explica suficientemente. Por isso, queremos precisar que o texto agora publicado passou por três redações e por outras tantas votações. A primeira foi estudada e votada na reunião plenária de outubro de 1985; a segunda, emendada, foi preparada pela subcomissão e submetida a uma segunda votação escrita (novembro de 1985). A última, retocada com base nos modos e nas sugestões apresentadas logo depois da conclusão do Sínodo (8 de dezembro de 1985), foi aprovada por votação escrita, quase unanimemente, pelos membros da Comissão Teológica Internacional, e recebeu o placet do Card. Ratzinger, presidente da Comissão Teológica Internacional.

[3] CTI, Questões seletas de cristologia (1979); Id., Teologia, cristologia, antropologia (1981).

[4] CTI, Questões seletas de cristologia, cit., III, D. 6.1.

[5] CTI, Teologia, cristologia, antropologia, cit., II, nota 1.

[6] CTI, Questões seletas de cristologia, cit., II, C. 7.

[7] Naquela época enfrentava-se a pergunta sobre se Jesus Cristo tivera uma humanidade integral. Uma resposta válida encontra-se em São Gregório Nazianzeno, segundo o qual era pura loucura depositar a própria esperança em alguém que fosse desprovido de inteligência humana (cf. Ep. ad Cledonium, em PG 37, 181, C; SC 208, 51).

[8] DV 12; cf. também DV 9 e 10.

[9] OT 16; cf. DV 24.

[10] Cf. CTI, Questões seletas de cristologia, cit., IV, B-C.

[11] Cf. S. Tomás, In Sent. I d. 15, q. 4, a. 1 sol. I; q. 43, a. 2, ad. 2.

[12] Cf. Bible et Christologie, cit., 93-95 (n. 2.2.1.3.); cf. também 45.

[13] Cf. CTI, Temas seletos de eclesiologia, 1, 4.

[14] Cf. GS 22, § 3.

[15] Cf. João Paulo II, Encíclica Redemptor Hominis, n. 13 (em AAS 71 [1979] 283); cf. GS 22.