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VIAGEM APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
À ARGÉLIA, CAMARÕES, ANGOLA E GUINÉ EQUATORIAL
(13 - 23 de abril de 2026)

SANTA MISSA

HOMILIA DO SANTO PADRE

Aeroporto de Bamenda
Quinta-feira, 16 de abril de 2026

[Multimídia]

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Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Venho até vós como peregrino da paz e da unidade, expressando a minha alegria por estar aqui a visitar a vossa terra e, sobretudo, por partilhar o vosso caminho, os vossos esforços e as vossas esperanças.

As manifestações festivas que acompanham as vossas liturgias e a alegria que brota da oração que elevais a Deus são o sinal do vosso abandono confiante n’Ele, da vossa esperança inquebrantável, do vosso agarrar-vos, com todas as forças, ao amor do Pai que se faz próximo e olha com compaixão para os sofrimentos dos seus filhos. No Salmo que rezámos juntos, é cantada esta confiança n’Ele, que somos hoje chamados a renovar: «O Senhor está perto dos corações contritos e salva os espíritos abatidos» (Sl 34, 19).

Irmãos e irmãs, são muitos os motivos e as situações que nos partem o coração e nos lançam na aflição. As esperanças num futuro de paz e reconciliação, em que cada um seja respeitado na sua dignidade e a cada um sejam garantidos os direitos necessários, são continuamente desvanecidas pelos muitos problemas que marcam esta belíssima terra: as numerosas formas de pobreza, que continuam a afetar inúmeras pessoas com uma crise alimentar em curso; a corrupção moral, social e política, ligada sobretudo à gestão da riqueza, que impede o desenvolvimento das instituições e das estruturas; os graves e consequentes problemas que atingem o sistema educativo e o sanitário, bem como a grande migração para o estrangeiro, em particular dos jovens. E às problemáticas internas, frequentemente alimentadas pelo ódio e pela violência, junta-se ainda o mal causado pelo exterior, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a pôr as mãos no continente africano para o explorar e saquear.

Tudo isto corre o risco de nos fazer sentir impotentes e de enfraquecer a nossa confiança. No entanto, este é o momento para mudar, transformar a história deste país. Hoje, não amanhã; agora, não no futuro! Chegou o momento de reconstruir, de recompor o mosaico da unidade, combinando as diversidades e as riquezas do país e do continente, de edificar uma sociedade onde reinem a paz e a reconciliação.

É verdade que, quando uma situação se consolida há muito tempo, o risco é o da resignação e da impotência, porque não esperamos nenhuma novidade; no entanto, a Palavra do Senhor abre espaços novos e gera transformação e cura, porque é capaz de colocar o coração em movimento, de pôr em crise o curso normal das coisas a que facilmente corremos o risco de nos habituar, e de nos tornar protagonistas ativos da mudança. Lembremo-nos disto: Deus é novidade, Deus cria coisas novas, Deus torna-nos pessoas corajosas que, desafiando o mal, constroem o bem.

Vemo-lo no testemunho dos Apóstolos, tal como ouvimos na Primeira Leitura: enquanto as autoridades do sinédrio interrogam os Apóstolos, os repreendem e ameaçam por estarem a anunciar publicamente Cristo, eles respondem: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens. O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem matastes, suspendendo-o num madeiro» (Act 5, 29-30).

A coragem dos Apóstolos torna-se consciência crítica, profecia, denúncia do mal, e este é o primeiro passo para mudar as coisas. Na verdade, obedecer a Deus não é um ato de submissão que nos oprime ou anula a nossa liberdade; pelo contrário, a obediência a Deus torna-nos livres, porque significa confiar-lhe a nossa vida e deixar que seja a sua Palavra a inspirar a nossa maneira de pensar e de agir. Assim, como ouvimos no Evangelho, que nos apresenta a última parte do diálogo entre Jesus e Nicodemos: «Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo» (Jo 3, 31). Quem obedece a Deus antes do que aos homens e ao modo humano e terreno de pensar, reencontra a própria liberdade interior, consegue descobrir o valor do bem e não se resignar ao mal, redescobre o caminho da vida e torna-se construtor de paz e fraternidade.

Irmãos e irmãs, o consolo para os corações despedaçados e a esperança na transformação da sociedade são possíveis se nos confiarmos a Deus e à sua Palavra. Devemos, porém, guardar sempre no coração e recordar o apelo do apóstolo Pedro: obedecer a Deus, mais que aos homens. Obedecer-lhe, porque só Ele é Deus. E isto convida-nos a promover a inculturação do Evangelho e a vigiar com atenção, também sobre a nossa religiosidade, para não cairmos no engano de seguir aqueles caminhos que misturam a fé católica com outras crenças e tradições de caráter esotérico ou gnóstico, que, na realidade, têm frequentemente objetivos políticos e económicos. Só Deus liberta, só a sua Palavra abre caminhos de liberdade, só o seu Espírito nos torna pessoas novas, que podem mudar este país.

Acompanho-vos com a minha incessante oração e abençoo, em particular, a Igreja aqui presente: tantos sacerdotes, missionários, religiosos e leigos que trabalham para ser fonte de consolação e esperança. Encorajo-vos a prosseguir por este caminho e confio-vos à intercessão de Maria Santíssima, Rainha dos Apóstolos e Mãe da Igreja.