DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ
DICASTÉRIO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS CRISTÃOS
DICASTÉRIO PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
NOTA
UM CAMINHO DE ESPERANÇA
Sessenta anos de diálogo e fraternidade inter-religiosa
à luz da Declaração conciliar
Nostra aetate
Índice
I. Introdução
Origem e alcance da Nostra aetate. Uma resposta à Shoah
A especificidade do diálogo com os judeus
II. Desenvolvimentos pós-conciliares: uma continuidade enriquecida pelos Papas
sucessivos
São Paulo VI
São João Paulo II
Bento XVI
Francisco
Leão XIV
III. Os frutos e os desafios da Declaração Nostra aetate hoje
Frutos visíveis e silenciosos
Resistências e mal-entendidos persistentes
Aprofundar a pedagogia do diálogo
IV. Perspectivas e orientações para o futuro do diálogo inter-religioso
V. Conclusão
_______________________________
I. Introdução
1. Em 28 de outubro de 1965, a Declaração do Concílio Vaticano II Nostra aetate
«sobre a Igreja e as religiões não-cristãs» abria um novo capítulo na história
das relações entre católicos, judeus e pertencentes a outras denominações de fé
e tradições espirituais. Muito mais que um simples texto, ela marcava uma
profunda mudança na compreensão e na expressão do relacionamento entre a Igreja
e os crentes de outras religiões. Em tal Declaração, a Igreja afirmava, de modo
explícito, que «nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo», convidando os fiéis a considerar com estima e respeito «esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas»[1]. Redigida no contexto da vitalidade criativa e fraterna do Concílio, a
Declaração mantém uma grande atualidade em um mundo marcado, de um lado, por
atitudes generalizadas de fechamento e, do outro lado, pela busca de convivência
no âmbito de uma cidadania universal fundada sobre a fraternidade e o
reconhecimento recíproco.
2. Nesta perspetiva, a Nostra aetate se coloca na mesma linha da outra
Declaração conciliar Dignitatis humanae, centrada sobre o direito à
liberdade religiosa. Nenhuma relação respeitosa com as demais religiões é
sincera e praticável sem um concomitante respeito pela liberdade religiosa dos
outros: «Esta exigência de liberdade na sociedade humana diz respeito
principalmente ao que é próprio do espírito, e, antes de mais, ao que se refere
ao livre exercício da religião na sociedade»[2]. Esta convicção nos leva a pedir a mesma liberdade para os cristãos nos países
onde eles são minoria[3].
3. A sessenta anos de distância da sua publicação, Nostra aetate continua a
inspirar as escolhas pastorais e teológicas da Igreja e a alimentar aquele
diálogo que é a própria forma do realizar-se da vida humana e que se tornou
ainda mais indispensável nas sociedades do nosso tempo. Tal diálogo, porém,
constitui um desafio permanente: como conjugar fidelidade à identidade cristã e
abertura sincera à alteridade? Como viver concretamente o apelo à fraternidade
universal em sociedades marcadas pela crescente diversidade cultural e
religiosa, pela guerra e pela violência e caracterizadas pelo impulso crescente
à secularização? Este documento comemorativo deseja repercorrer as etapas
essenciais do diálogo inter-religioso depois de Nostra aetate, avaliando
suas conquistas e seus desafios, e traçar algumas perspectivas para o futuro.
Origem e alcance da Nostra aetate. Uma resposta à Shoah
4. A Declaração Nostra aetate nasceu depois da Segunda Guerra Mundial e
inicialmente não se referia ao diálogo com as outras religiões, mas se colocava
como resposta às trágicas consequências do antissemitismo culminado na Shoah.
São João XXIII, já muito sensível a esta temática, depois de um encontro com o
judeu Jules Isaac, tornado possível pela mediação da fundadora do Secretariado
para Atividades Ecumênicas, Maria Vingiani, encarregou o cardeal Augustin Bea de
redigir um texto conciliar voltado a sanar e renovar a relação entre a Igreja e
o povo judeu. Tal projeto foi desenvolvido nas sessões do Concílio Vaticano II e
encontrou uma forma concreta em um texto que, como o grão de mostarda do
Evangelho (cf. Mc 4, 31-32), cresceu além de todas as previsões, até
tornar-se uma grande árvore que incluiu, além da relação com o judaísmo, o
diálogo com as diversas religiões. Nele, pode-se reconhecer o desígnio de uma
acolhida sempre mais universal, que a Igreja deseja oferecer aos irmãos e irmãs
das outras tradições religiosas, no respeito e na busca partilhada da verdade.
5. O diálogo católico-judaico, na sua forma oficial e institucional, tem o seu
fundamento no n. 4 da Declaração. Trata-se da primeira expressão magisterial que
reconhece claramente as raízes hebraicas do cristianismo. Nela, faz-se
referência à passagem de Rm 9, 4-5, na qual se afirma que os
patriarcas pertencem aos israelitas e que Cristo provém deles segundo a carne. A
Declaração afirma também «que os Apóstolos, fundamentos e colunas da Igreja, nasceram do povo judaico, bem
como muitos daqueles primeiros discípulos, que anunciaram ao mundo o Evangelho
de Cristo»[4]. A tal propósito, falando da pessoa de Jesus, um documento da Comissão para
as relações religiosas com o Judaísmo do Secretariado para a União dos
Cristãos (hoje Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos) especifica
que: «Jesus é judeu e o é para sempre […]. Jesus é plenamente um homem do seu
tempo e do seu ambiente hebraico palestinense do I século, cujas alegrias e
esperanças partilhou. Isto sublinha, como nos foi revelado na Bíblia (cf. Rm
1, 3-4; Gl 4,4-5), seja a realidade da Encarnação, seja o significado
mesmo da história da salvação»[5]. Para dizer com o evangelista João (cf. Jo 1,14), segundo a
reinterpretação do teólogo protestante K. Barth, a Palavra se fez «carne
hebraica»[6] e veio habitar entre nós. Esta morada de Jesus é o judaísmo do seu tempo,
que é o terreno originário de que se desenvolveu a Ecclesia ex circumcisione
e depois a Ecclesia ex gentibus (veja-se a propósito o mosaico da
Basílica de Santa Sabina em Roma).
O diálogo com as religiões
6. Desde a abertura do Concílio Vaticano II, em 1962, São João XXIII, considerado o
«precursor do diálogo»[7], convidou explicitamente a promover não só a unidade dos cristãos, mas também
uma fraternidade mais ampla com os crentes de outras religiões, fundada «na estima e no respeito»[8] recíprocos. Esta visão, autenticamente humana e profundamente evangélica,
se impôs progressivamente com evidência teológica e pastoral: o encontro
respeitoso com o outro é condição indispensável para viver plenamente o
Evangelho. Poucos meses depois, na encíclica Pacem in terris, o Pontífice
convidou todos ao respeito pela dignidade de cada um[9].
7. São Paulo VI confirmou tal orientação na encíclica Ecclesiam suam,
convidando a Igreja a «estabelecer um diálogo com a sociedade humana na qual
vive»[10]. Segundo tal encíclica, a Igreja é chamada a assumir, com renovado fervor, uma
preparação para dialogar «com todos os homens de boa vontade, dentro e fora do
seu âmbito próprio»[11], sem excluir ninguém e no respeito pelas especificidades das dinâmicas próprias
dos diversos contextos do diálogo. O entendimento de um diálogo
metodologicamente estruturado em diversos círculos – o diálogo pela paz, o
diálogo com os que creem em Deus e o diálogo com os irmãos cristãos separados[12] – revelou-se programática para o desenvolvimento do diálogo ecumênico,
inter-religioso e intercultural no período pós-conciliar. Esta proposta é
considerada componente essencial da missão da Igreja, baseada sobre a clareza
doutrinal, a escuta sincera e o profundo respeito pelos interlocutores dos
cristãos[13]. Assim, a Igreja afirma com clareza: a via do diálogo não é nem uma
estratégia circunstancial nem uma renúncia à própria identidade, mas um
autêntico caminho evangélico.
8. A particular contribuição da Nostra aetate foi sublinhada por São Paulo
VI na conclusão do Concílio Vaticano II: «E queiram contemplar também esta manifestação do rosto embelezado da Igreja os
nossos queridos irmãos ainda separados da plena comunhão conosco; queiram
igualmente contemplá-lo os adeptos de outras religiões, e entre todos, aqueles a
quem nos une o parentesco de Abraão, especialmente os judeus, para nunca mais
objeto de reprovação ou desconfiança, mas de respeito, amor e esperança. Assim é
que a Igreja progride na firmeza da verdade e da fé, na expansão da justiça e da
caridade. Assim é que a Igreja vive»[14].
9. Nostra aetate destaca um princípio essencial. O respeito e a estima são os fundamentos
imprescindíveis do diálogo inter-religioso e das relações com o judaísmo e
permitem superar atitudes de exclusão, desprezo ou indiferença que por longo
tempo tinham prevalecido: «Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a
tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. […] A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e
qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor,
condição ou religião»[15]. Neste sentido, a Declaração se coloca na antropologia relacional de Gaudium
et spes, na qual o outro não é percebido como ameaça, mas reconhecido como
interlocutor com quem construir, em espírito de reciprocidade, uma sociedade
mais justa e fraterna.
A especificidade do diálogo com os judeus
10. Tanto o
judaísmo hodierno quanto o cristianismo contemporâneo baseiam-se na Palavra
revelada no Primeiro Testamento e afundam suas raízes no judaísmo dos tempos de
Jesus. Este, depois da destruição do templo de Jerusalém no ano 70 d.C.,
transformou-se sobretudo em judaísmo rabínico, enquanto o cristianismo primitivo
se desenvolveu a partir do movimento começado por Jesus e seus discípulos,
distinguindo-se das várias formas de judaísmo ao longo do tempo. Com o judeu
Jesus, os primeiros cristãos adotaram efetivamente os princípios do judaísmo de
então, adaptando-os à nova situação pós-pascal. A Declaração Nostra aetate
afirma pois: «Sendo assim tão grande o patrimônio espiritual comum aos cristãos e aos judeus,
este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento
e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e
teológicos e com os diálogos fraternos»[16]. Este rico patrimônio comum é uma sólida base, verdadeiro tesouro para o
diálogo judaico-cristão.
11. Mas o que
Jesus introduziu no cristianismo como herança hebraica faz parte da própria
estrutura teológica cristã. Na seção intitulada Temas fundamentais das
Escrituras do povo hebraico e seu acolhimento na fé em Cristo (nn.
19-65), o documento da Pontifícia Comissão Bíblica de 24 de maio de 2001, O
povo hebraico e as suas Sagradas Escrituras na Bíblia cristã, faz referência
aos principais aspectos escriturísticos e à sua interpretação. Trata-se de um
texto de alto valor.
12. Com
efeito, que o Deus de Israel tenha se revelado na sua Palavra, dirigindo-se aos
seres humanos, é uma convicção comum a judeus e cristãos. Que Deus, como criador
do céu e da terra, tenha criado o espaço vital para o ser humano e que circunde
e preserve tal espaço; que o ser humano, enquanto “imagem de Deus” (cf. Gn
1, 26-27), seja o seu administrador e deva assumir a justa responsabilidade
diante da criação e que seja responsável pelo bem de seus irmãos, especialmente
dos pobres, são verdades comuns ao judaísmo e ao cristianismo[17]. Todo ensinamento ético para a correta relação do ser humano com Deus, com o
mundo que o circunda e com o próximo, tem a sua origem em Deus mesmo e na
dignidade de cada pessoa, derivada do seu ser “imagem de Deus”: como o judaísmo
rabínico, também o cristianismo adotou os “Dez Mandamentos”. Estes se tornaram
um patrimônio moral reconhecido por muitas outras pessoas. O duplo mandamento do
amor ensinado por Jesus, ou seja, amar a Deus com todo o coração e com toda a
alma, com toda a mente e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo
(cf. Mc 12, 30-31, Mt 22, 37-39, Lc 10, 27), é tirado do
Primeiro Testamento, mesmo que ali os dois mandamentos não tenham sido
explicitamente associados (cf. Dt 6, 5 e Lv 19, 18). Por isto,
Papa Bento XVI considerava os judeus como nossos “pais na fé”[18] e sublinhava que o diálogo entre as duas comunidades deve começar pela
gratidão dos cristãos para com os judeus, porque, não obstante as dificuldades
atravessadas, eles conservaram a fé no Deus único. Portanto, o então Cardeal Ratzinger podia afirmar que «o diálogo, para ser
frutuoso, deve começar com uma oração ao nosso Deus para que conceda, antes de
tudo, a nós, cristãos, maior estima e amor para com este povo, os israelitas»[19].
13. Levando-se
em conta este rico patrimônio espiritual comum a judeus e cristãos, é fácil
entender que o diálogo judaico-cristão não pode ser considerado uma prática
secundária para os cristãos, tendo como finalidade somente conhecer melhor o
judaísmo ou cultivar relações diplomáticas e de simples amizade com o povo
hebraico: trata-se antes de tomar plena consciência da própria identidade
originária. A aliança de Deus com o povo hebraico é irrevogável[20], o que interpela constantemente a Igreja. Isto não significa para os cristãos
que existam duas vias de salvação[21] e que a aliança com o povo hebraico seja paralela à via de salvação
cristã: a Igreja ensina que Cristo é o único Redentor[22]. Todavia, tal aliança irrevogável tem um significado teológico. Quanto mais um
cristão conhece e ama as raízes judaicas da sua própria tradição, tanto mais ele
compreende a si mesmo na sua prática de fé, fortalecendo sua identidade
religiosa. Mas, para que isso aconteça, é essencial que o cristão conheça bem a
própria tradição de fé e que esteja bem enraizado nela. Quando, em referência ao
judaísmo, afirmamos que não podemos ignorar uns aos outros, isto implica também
que a religiosidade dos atuais judeus – e não só aquela ligada ao Primeiro
Testamento – é relevante para os cristãos. Assim se expressa Papa Francisco: «Deus continua a operar no povo da Primeira Aliança»[23]. A religiosidade hebraica pode ser considerada como um efeito da Palavra
revelada, sempre viva e eficaz, que eles acolheram, e por esta razão se
trata de um valor atual e dinâmico, que sempre pode nos enriquecer (cf. Rm
11, 29). Por isso, é de fundamental importância o aprofundamento bíblico,
exegético, litúrgico e teológico da relação com o judaísmo, segundo os
princípios expostos nas Constituições conciliares Dei Verbum e Lumen
gentium.
14. Tal
solidariedade com o povo hebraico inclui também a luta comum contra o
antissemitismo. Já Nostra aetate declara abertamente que a Igreja «deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de antissemitismo, seja
qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu»[24], confirmando e dando um passo ulterior a quanto já declarado pela Suprema
Sagrada Congregação do Santo Ofício, em 25 de março de 1928[25]. O antissemitismo se manifestou em modos cruéis ao longo da história, também
nos nossos tempos, mas o seu ponto mais obscuro é representado certamente pelo
evento da Shoah (holocausto). A esse respeito, permanecem muito precisas
e fortes as expressões utilizadas por Bento XVI durante a Audiência Geral de 28
de janeiro de 2009, no contexto da celebração anual do “Dia da Memória”: «Nestes dias em que recordamos a Shoah, voltam-me à memória as imagens
recolhidas nas minhas várias visitas a Auschwitz, um dos lagers onde se
consumiu o feroz massacre de milhões de judeus, vítimas inocentes de um cego
ódio racial e religioso. Enquanto renovo com afeto a expressão da minha plena e
indiscutível solidariedade para como os nossos irmãos destinatários da primeira
Aliança, desejo que a memória da Shoah leve a humanidade a refletir sobre
o poder imprevisível do mal, quando conquista o coração do homem. A Shoah seja
para todos uma admoestação contra o esquecimento, a negação e o reducionismo,
para que a violência feita contra um só ser humano é violência contra todos.
Nenhum homem é uma ilha, escreveu um famoso poeta. A Shoah ensine, quer
às velhas gerações quer às novas, que somente o árduo caminho da escuta e do
diálogo, do amor e do perdão leva os povos, as culturas e as religiões do mundo
à almejada meta da fraternidade e da paz na verdade. A violência nunca mais
humilhe a dignidade do homem!»[26].
15. Os
conflitos que nos últimos anos incendeiam o Oriente Médio deixaram a sua marca
também no diálogo judaico-cristão. Muitas pontes de comunicação vacilaram e
continuam a ser colocadas à prova pela diferente leitura dos eventos
acontecidos, frequentemente não unívoca mesmo no interior das respectivas
comunidades religiosas. Todavia, as colunas do diálogo de fé, edificadas nos
sessenta anos de trabalho conjunto, permanecem firmes. Sobre elas, é possível e
necessário construir, inspirando-nos mais uma vez nas recomendações dos Padres
conciliares para crescer no mútuo conhecimento e estima « sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos»[27].
II. Desenvolvimentos pós-conciliares: uma continuidade enriquecida pelos Papas
sucessivos
São Paulo VI
16. O novo
comportamento da Igreja diante das outras crenças e tradições religiosas oriundo
do Concílio Vaticano II foi colocado por São Paulo VI no quadro do «diálogo com
o mundo» delineado na encíclica Ecclesiam suam, ulteriormente desenvolvido no magistério sucessivo.
Como recorda o Pontífice na Encíclica Populorum Progressio, o «desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento econômico. Para ser
autêntico, deve ser integral, quer dizer, promover todos os homens e o homem
todo»[28]. Disso deriva um forte convite à fraternidade, sustentado pelo diálogo
constante com as culturas, as religiões e as consciências, em vista do
desenvolvimento solidário, aberto à transcendência e orientado à fraternidade
universal[29]. Nesta perspectiva, São Paulo VI deu um impulso decisivo ao diálogo
inter-religioso, inserindo-o nas próprias estruturas da Cúria Romana.
17. Por isto,
já em 1964, o Papa instituiu o Secretariado para os Não-Cristãos, que se tornou
o atual Dicastério para o Diálogo Inter-religioso[30]. Nascido em pleno período conciliar, antes mesmo da promulgação da Nostra
aetate e da Carta encíclica Ecclesiam suam, este organismo foi
encarregado de orientar, sustentar e coordenar as relações da Igreja com os
seguidores das outras religiões. Ainda hoje se empenha em promover «entre todos
os homens uma verdadeira busca de Deus»[31].
18. São Paulo
VI sublinhou com força que as religiões não-cristãs não deveriam mais ser vistas
como adversárias, mas como companheiras de caminho e «de futura e já iniciada
amizade»[32]. Na mesma dinâmica, uma década mais tarde, foram instituídas duas comissões
específicas: uma para as relações religiosas com o judaísmo e outra para aquelas
com o islamismo[33], com o objetivo de aprofundar o encontro com judeus e muçulmanos e reforçar a
colaboração também em relação às outras confissões cristãs[34]. Por vontade de São Paulo VI, o diálogo se enraizou nas instituições da Igreja,
mas também no seu coração missionário. Tornou-se componente relevante da vida
cristã: um autêntico estilo de testemunho evangélico, em harmonia com um mundo
sempre mais atravessado pela pluralidade das crenças e das culturas.
São João Paulo II
19. São João
Paulo II deu grande visibilidade à intuição conciliar do diálogo
inter-religioso. Sua ação para colocar em prática os princípios da Nostra
aetate foi determinante, em particular com a organização do histórico
encontro de Assis, em 27 de outubro de 1986. Pela primeira vez, responsáveis
religiosos provenientes de todo o mundo se encontraram, exprimindo cada qual a
própria fé, para rezar pela paz. Este momento, profundamente simbólico, foi um
chamado claro e forte a considerar as religiões não mais como fontes de divisão,
mas como atores essenciais de uma paz duradoura, baseada sobre a estima
recíproca e sobre a cooperação fraterna[35]. Na conclusão daquele Dia mundial de oração, diante dos representantes das
diversas religiões, o Papa declarou: «Talvez nunca como agora na história se
tornou evidente para todos a relação intrínseca entre a atitude autenticamente
religiosa e o grande bem da paz […] A humanidade entrou em uma era de maior
solidariedade e de aspiração pela justiça social»[36].
20. A
propósito do diálogo com os judeus, São João Paulo II, quando visitou a sinagoga
de Roma em 13 de abril de 1986, pôde afirmar diante dos seus interlocutores
hebraicos que «a religião judaica não nos é “extrínseca”, mas em certo modo, é
“intrínseca” à nossa religião. Temos, pois, com ela liames que não temos com
nenhuma outra religião. Sois os nossos irmãos prediletos e, em certo sentido,
seria possível dizer os nossos irmãos mais velhos»[37]. Porque Jesus era judeu, a Igreja e o judaísmo têm uma relação única, que não
existe com as outras religiões.
21. Além
disso, São João Paulo II, promovendo aquele que foi chamado «o espírito de
Assis»[38], concordava com São Paulo VI quanto a necessidade de esclarecer alguns aspectos
da relação entre diálogo e evangelização. O seu pontificado foi marcado pela
publicação de diversos documentos fundamentais, como Diálogo e missão
(1984), do Secretariado para os Não-Cristãos[39], e a Carta encíclica Redemptoris missio (1990), que reafirma o valor
permanente do mandato missionário, seguida por Diálogo e anúncio (1991),
redigido pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso em colaboração
com a Congregação para a Evangelização dos Povos[40].
22. Em linha
com o Concílio Vaticano II, estes textos articulam duas exigências incindíveis,
cuja atualidade permanece viva. Àqueles que seriam tentados a insistir
exclusivamente sobre a obrigação de anunciar Cristo, recorda-se que a Declaração
Nostra aetate inclui a necessidade do diálogo com as outras tradições
religiosas, dado que atualmente ele «faz parte da missão evangelizadora da
Igreja»[41]. Àqueles que, ao contrário, tendem a relativizar a sua identidade, a mesma
Declaração recorda a exigência da fidelidade a Jesus Cristo, «caminho, verdade e
vida» (Jo 14, 6)[42]. O diálogo pressupõe a clara consciência da própria identidade religiosa e
cultural, junto com a real abertura à alteridade, condição indispensável para a
convivência nas sociedades pluralísticas. Deve ser sem ambiguidade, evitando o
relativismo e o sincretismo, no máximo respeito pela identidade e no máximo
empenho pela compreensão mútua.
23. Uma das
preocupações principais do pontificado de São João Paulo II foi, sem dúvida, a
promoção de um verdadeiro «diálogo entre as culturas»[43] a serviço da paz no mundo, sobretudo diante dos sempre mais numerosos
episódios de violência cometidos em nome de Deus. No início do ano 2000, o
Pontífice repetiu com veemência que cabe às pessoas de fé demonstrar que as
religiões não são um obstáculo à paz, mas constituem um seu elemento essencial.
Toda instrumentalização da religião para fins violentos é uma grave distorção da
sua essência. A religião jamais deve ser pretexto para conflitos: «A religião e a paz caminham a par e passo: declarar guerras em nome da religião
é uma evidente contradição»[44]. Por conseguinte, o apelo claro aos responsáveis religiosos: compete a eles
testemunhar, com os fatos e o empenho, que é a sua própria fé que os impele a
trabalhar pela paz.
Bento XVI
24. Sempre no
espírito da Nostra aetate, e por ocasião do vigésimo aniversário do
evento de Assis, em 2006, Papa Bento XVI repetiu que «não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a
tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem»[45], porque a fé em Deus não pode não encorajar relações de fraternidade universal
entre todos os seres humanos[46]. A perseverança no diálogo inter-religioso quer ser a demonstração de que o
fundamentalismo é uma falsificação das religiões, que se contrapõe à sua vocação
profunda. Em um conhecido discurso, retomando as palavras de um Imperador
bizantino, ele afirmou que «não é razoável a difusão da fé mediante a violência. Esta está em contraste com
a natureza de Deus e a natureza da alma»[47].
25. Associando
estreitamente a busca da paz às exigências da razão e da verdade, Bento XVI
afirmou com constância que nenhuma religião ou cultura pode legitimamente
justificar o fanatismo ou o recurso à violência. Por isto, as pessoas de fé
devem continuar a encontrar-se e têm o dever comum de servir à verdade e à
humanidade. Em particular, o «diálogo inter-religioso e intercultural entre os cristãos e os muçulmanos não
pode reduzir-se a uma opção ocasional. Com efeito, ele constitui uma necessidade
vital, da qual depende em boa parte o nosso próprio futuro»[48].
26. Por outro
lado, o diálogo deve desenvolver-se também com as culturas, as ciências e as
instituições políticas, em vista de uma compreensão mais profunda do ser humano
em toda sua complexidade. Este diálogo “alargado” tem como finalidade o
desenvolvimento integral da pessoa e a harmonia da sociedade. Porque, na
verdade, o verdadeiro perigo não reside tanto no conflito entre blocos
religiosos, quanto naquele entre culturas incapazes de compreender-se e
dialogar.
Francisco
27. Papa
Francisco prosseguiu a atuação da Nostra aetate segundo o ensinamento dos
seus predecessores, afirmando que «três diretrizes fundamentais que, se forem bem conjugadas, podem ajudar o
diálogo: o dever da identidade, a coragem da alteridade e a sinceridade das
intenções»[49]. O diálogo com as outras tradições religiosas deve ser caracterizado pela
atitude de abertura na verdade e na caridade[50], «apesar dos vários obstáculos e dificuldades». E reiterou que tal diálogo é «uma condição necessária para a paz no mundo e, por conseguinte, é um dever para
os cristãos e também para outras comunidades religiosas»[51].
28. E a
propósito das características específicas do diálogo com os judeus, Papa
Francisco, desde o início do seu pontificado, se referiu ao fundamento teológico
do diálogo judaico-cristão, quando afirmou, sobre a base da Nostra aetate:
«Este fundamento é teológico, e não simplesmente expressão do nosso desejo de
respeito e estima recíprocos; por conseguinte, é importante que o nosso diálogo
seja sempre caracterizado profundamente pela consciência que temos das nossas
relações com Deus»[52].
29. De grande
importância são os três parágrafos dedicados à relação com o judaísmo na
Exortação apostólica Evangelii gaudium[53]¸
que constitui o documento fundamental para interpretar seu pontificado. Alguns
dos temas que o Pontífice quis destacar para definir a compreensão da relação
entre a Igreja Católica e o judaísmo são: o acolhimento da Palavra revelada
junto ao povo hebraico, para ajudar-nos «mutuamente a desentranhar as riquezas da Palavra»[54]; o diálogo e a amizade como parte da vida dos discípulos de Jesus; a tristeza
pelas terríveis perseguições de que foi alvo o povo hebraico, particularmente
aquelas que envolveram os cristãos; bem como a partilha de muitas convicções
éticas e a comum preocupação pela justiça e o desenvolvimento dos povos.
30. Com Papa
Francisco, o diálogo inter-religioso entrou em uma nova fase, profundamente
impregnada pela visão da “fraternidade universal”[55], no sentido próprio de fraternidade que se encontra em São Francisco de Assis.
Como se lê na Encíclica Fratelli tutti, «a fé cumula de motivações inauditas o reconhecimento do outro, pois quem
acredita pode chegar a reconhecer que Deus ama cada ser humano com um amor
infinito»[56]. Em continuidade com o princípio pelo qual «a unidade é superior ao conflito»[57], o Pontífice afirma: «a cultura do diálogo como caminho; a colaboração comum como conduta; o
conhecimento mútuo como método e critério»[58]. Diante da tentação de fragmentar o mundo em universos culturais e religiosos
herméticos, Papa Francisco exortou a abater os «muros de separação»[59] e a fazer a firme escolha pelo encontro: «O isolamento, não; a
proximidade, sim. Cultura do confronto, não; cultura do encontro, sim»[60].
31. As pessoas
e os povos podem realmente produzir frutos bons só se aceitam abrir-se aos
outros com criatividade e generosidade. Nesta perspectiva, Papa Francisco
recordou também que é impossível compreender plenamente a si mesmo, ou conhecer
a fundo a realidade do próprio país, da própria Igreja ou da própria comunidade,
sem um confronto respeitoso com quem é diferente. A alteridade torna-se então
uma fonte de enriquecimento recíproco, com a condição de que as outras crenças,
tradições espirituais e culturas não sejam percebidas como ameaças.
32. Todavia, é
preciso recordar que o «“diálogo” não é uma fórmula mágica»[61]. Não é automático e aqueles que nele se empenham não devem ser ingênuos, nem
idealistas cegos: eles são chamados a ser os «heróis do futuro»[62]. Refutando seja o fechamento identitário, seja a lógica da agressividade, tomam
uma via intermédia, exigente mas fecunda: aquela da construção paciente da
fraternidade humana[63]. Um princípio fundamental deve sempre guiar a sua ação: a consciência que crer
em Deus e adorá-lo não garantem necessariamente uma vida conforme à sua vontade[64]. Por isso a importância de um critério de discernimento universal, que pode ser
encontrado nos textos sagrados das diversas religiões: o acolhimento ou a
rejeição da pessoa ferida à beira da estrada. A atenção concreta aos mais
vulneráveis é o indicador essencial para avaliar a correção de todo projeto,
seja ele político, econômico, social, acadêmico, religioso ou cultural. O pobre
– em todas as suas formas de precariedade – é a bússola que nos permite saber se
estamos procedendo na direção certa[65].
Leão XIV
33.
Na sua primeira mensagem ao Corpo diplomático, o Papa Leão XIV recordou as três
palavras-chave que devem acompanhar toda forma de diálogo: paz, justiça, verdade[66]. Seguindo os passos dos seus antecessores, o Papa Leão XIV fez memória do
sexagésimo aniversário da Declaração Nostra aetate afirmando que com este
documento «foi plantada uma semente de esperança para o diálogo inter-religioso»[67]. O Pontífice recordou também que houve mártires do diálogo, que deram a vida
para opor-se à violência e ao ódio[68]. Além disso, ele sublinhou que «podemos conduzir os nossos povos a tornarem-se profetas do nosso tempo – vozes
que denunciam a violência e a injustiça, curam a divisão e proclamam a paz a
todos os nossos irmãos e irmãs»[69]. Enfim, na Audiência Geral de 29 de outubro de 2025, dedicada à
Nostra aetate, o Santo Padre reafirmou: «Este Documento luminoso ensina-nos a encontrar os
seguidores de outras religiões não como estranhos, mas como companheiros de
viagem no caminho da verdade; a honrar as diferenças, afirmando a nossa
humanidade comum; e a discernir, em qualquer busca religiosa sincera, um reflexo
do único Mistério divino que abraça toda a criação»[70].
34. O Papa
Leão XIV, no seu primeiro discurso aos Representantes de outras Igrejas e
Comunidades eclesiais e de outras religiões, em 19 de maio de 2025, resumiu o
núcleo do diálogo judaico-cristão e sublinhou também a importância do diálogo
teológico: «Devido às raízes judaicas do cristianismo, todos os cristãos têm uma relação
especial com o judaísmo. A Declaração conciliar Nostra Aetate(n. 4) sublinha a grandeza do patrimônio espiritual partilhado por cristãos e
judeus, encorajando o conhecimento e a estima recíprocos. O diálogo teológico
entre cristãos e judeus, que é sempre importante, eu tomo-o muito a peito. Mesmo
nestes tempos difíceis, marcados por conflitos e incompreensões, é necessário
prosseguir com coragem este nosso precioso diálogo»[71]. Cristãos e judeus, não podendo ignorar uns aos outros, deveriam percorrer
juntos tal caminho, até o fim do tempo terreno. E, juntos, deveriam esperar o
dia «só de Deus conhecido, em que todos os povos invocarão a Deus com uma só voz e “o
servirão debaixo dum mesmo jugo” (Sf 3, 9)»[72].
35. O tema do
diálogo com as diversas religiões a ser promovido e cultivado é claramente
retomado, entre outros, na declaração conjunta com o Patriarca Ecumênico
Bartolomeu I de 29 de novembro de 2025: «rejeitamos qualquer uso da religião e do nome de Deus para justificar a
violência. Acreditamos que o diálogo inter-religioso autêntico, longe de ser
causa de sincretismo e confusão, é essencial para a coexistência de povos de
diferentes tradições e culturas. Tendo em mente o 60º aniversário da declaração Nostra Aetate, exortamos todos os homens e mulheres de boa vontade a trabalharem juntos para
construir um mundo mais justo e solidário e a cuidarem da criação, que nos foi
confiada por Deus. Só assim a família humana poderá superar a indiferença, o
desejo de domínio, a ganância pelo lucro e a xenofobia»[73]. Em tal perspectiva, o diálogo que se abre no sulco da Nostra aetate não é
um exercício meramente teórico, mas um empenho ético e espiritual partilhado,
orientado à paz, à justiça e ao cuidado da casa comum.
36. Sobretudo
no atual contexto internacional, infelizmente marcado por tantas guerras, que
causam cada dia numerosas vítimas e situações de enorme e injusto sofrimento, o
Papa Leão XIV quis reforçar o papel decisivo do diálogo entre as religiões em
refutar a lógica da violência: «Quem, para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra, usa o nome de Deus,
trai a sua imagem: fazer guerra em nome da religião significa, na realidade,
ferir a própria religião. O “espírito de Assis”, suscitado por São João Paulo II
e continuado pelo esforço do Papa Francisco – no diálogo, por exemplo, com o
Grande Imã de al-Azhar –, mostra que os crentes podem haurir das fontes mais
autênticas das suas tradições espirituais, onde não há lugar para o ódio
sacralizado»[74].
III. Os frutos e os desafios da Declaração Nostra aetate hoje
Frutos visíveis e silenciosos
37. Sessenta
anos depois da sua promulgação, são evidentes os frutos que a Nostra aetate
produziu nas relações com o judaísmo e no diálogo com o islã e as outras
religiões. Em referência a estas últimas, por exemplo, neste arco de tempo, a
Igreja Católica dialogou e colaborou – em diversos âmbitos e em vários níveis –
com os seguidores do hinduísmo, do budismo, do jainismo, do sikhismo, do
shintoísmo, do taoísmo, do confucionismo e do zoroastrismo, além das religiões
tradicionais, em particular aquelas africanas.
38. Um dos
efeitos mais significativos da Nostra aetate foi, sem dúvida, uma transformação do olhar, que teve importantes
consequências. Foram instauradas relações duradouras de amizade entre
responsáveis religiosos, encaminhados projetos educativos e sociais conjuntos,
publicadas declarações comuns diante de dramas humanitários, guerras ou crises
ambientais[75]. Onde outrora reinavam a rejeição, a desconfiança ou a ignorância, estes gestos
concretos contribuíram para construir uma cultura do diálogo e uma «cultura do
encontro»[76]. A revista Pro Dialogo, publicada pelo Dicastério para o Diálogo
Inter-religioso, faz regularmente eco a estas numerosas iniciativas, recolhendo
e difundindo os múltiplos frutos destes encontros em todo o mundo. Por outro
lado, o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso envia mensagens de
felicitações aos amigos das outras tradições religiosas por ocasião das suas
festas principais, para revigorar e reforçar os laços de estima recíproca e
colaboração. O mesmo faz a Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo.
39. Como
consequência da reflexão teológica e da evolução pastoral do diálogo
inter-religioso, seguindo a intuição originária de São Paulo VI, o diálogo[77] é atuado em vários âmbitos, recebidos no documento intitulado Diálogo e
anúncio: o diálogo na vida, que abraça a cotidianidade multirreligiosa, seja
nas aldeias, seja nas cidades, grandes e pequenas; o diálogo na ação com
iniciativas comuns, que os seguidores das diversas religiões podem realizar de
comum acordo; o diálogo teológico – feito pelos especialistas – que consiste no
confronto entre os conhecimentos religiosos em um nível prevalentemente
doutrinal; enfim, o diálogo da experiência religiosa, levado adiante sobretudo
pelos monges que aderem ao Diálogo Inter-religioso Monástico[78].
40. Entre os
frutos do diálogo iniciado com a Nostra aetate, podem ser recordados a
Women’s Network for Interreligious Dialogue, promovida pelo Dicastério para
o Diálogo Inter-religioso, a fim de ampliar a participação das mulheres, e a
colaboração, já de várias décadas, entre o mesmo Dicastério e a Comissão para o
Diálogo Inter-religioso do Conselho Ecumênico das Igrejas, que produziu
documentos importantes como O testemunho cristão em um mundo multirreligioso:
Recomendações de conduta (2011).
41. Estes
frutos são frequentemente vividos também no silêncio e na discrição, enraizados
na cotidianidade. Hoje em dia, sacerdotes, religiosos e leigos vivem em bairros
multirreligiosos, onde o simples fato de viver em paz, de estar presentes um
para o outro – como vizinhos – é já um testemunho. Casais inter-religiosos,
grupos de jovens, comunidades locais inventam sempre novas formas de
convivialidade. Todos estes resultados, talvez embrionários, invisíveis, mas
fecundos, encarnam a intuição da Nostra aetate: viver no mundo como
testemunhas do amor de Deus, em diálogo com todos.
42. Em
continuidade com tal intuição e com o ensinamento do Magistério recente,
espera-se que se promovam, com renovado discernimento, conversas e formas de
colaboração também com membros dos “novos movimentos religiosos” e com os
representantes de novas experiências religiosas. Tais encontros fraternos, que
não podem ser entendidos nem como diálogo ecumênico, nem como diálogo
inter-religioso, fundados sobre a clareza da própria identidade e o respeito
recíproco, podem oferecer concretas oportunidades para trabalhar juntos na
promoção de valores compartilhados e à busca do bem comum. Eles podem, ainda,
contribuir para uma compreensão mais atenta das aspirações espirituais
contemporâneas, ampliando os espaços de testemunho, de recíproco conhecimento e
de cooperação a serviço da dignidade humana, da paz social e do cuidado pela
criação.
43.
Finalmente, é importante referir a crescente consciência crítica face às
manifestações de islamofobia, que não distinguem adequadamente os casos de
fundamentalismo e violência da existência pacífica dos outros fiéis muçulmanos
que se integram e trabalham nos países que os acolhem. Devemos agradecer às
comunidades cristãs que cresceram no espírito de acolhimento e também de melhor
conhecimento e estima para com os fiéis muçulmanos que, como recorda Nostra
aetate, adoram «o Deus Único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador
do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos,
procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, que a fé
islâmica de bom grado evoca. […]. Têm, por isso, em apreço a vida moral e prestam culto a Deus, sobretudo com a
oração, a esmola e o jejum»[79].
Resistências e mal-entendidos persistentes
44. Não
obstante estes progressos, as dificuldades do diálogo permanecem. Alguns
ambientes continuam a duvidar da sua oportunidade, temendo o relativismo
doutrinal ou a diluição da identidade religiosa. Mesmo após a publicação do
documento Diálogo e Anúncio, persistem incompreensões sobre a própria
natureza do diálogo. Há quem ainda se questione se se trata de um problema
pastoral, de um ato de caridade, de um intercâmbio teológico ou da necessidade
de um empenho político para o bem comum.
45. Para além
dos confins eclesiais, os mal-entendidos não são menores. Em algumas regiões, as
relações entre fiéis de diferentes religiões são historicamente conflituosas, e
a lembrança das feridas antigas torna difícil a confiança recíproca, não
obstante o que exorta a Declaração Nostra aetate quando diz «que, esquecendo o passado, sinceramente se exercitem na compreensão mútua»[80], em particular entre cristãos e muçulmanos. A este propósito, podem-se
recordar as palavras de Papa Francisco: «Para sustentar o diálogo com o Islão é indispensável a adequada formação dos
interlocutores, não só para que estejam sólida e jubilosamente radicados na sua
identidade, mas também para que sejam capazes de reconhecer os valores dos
outros, compreender as preocupações que subjazem às suas reivindicações e fazer
aparecer as convicções comuns. Nós, cristãos, deveríamos acolher com afeto e
respeito os imigrantes do Islão que chegam aos nossos países, tal como esperamos
e pedimos para ser acolhidos e respeitados nos países de tradição islâmica.
Rogo, imploro humildemente a esses países que assegurem liberdade aos cristãos
para poderem celebrar o seu culto e viver a sua fé, tendo em conta a liberdade
que os crentes do Islão gozam nos países ocidentais»[81]. Em outros lugares, o crescimento dos fundamentalismos, a permanência dos
preconceitos, a manipulação política das pertenças religiosas ou as violências
em nome de Deus minam as bases do diálogo. Nas sociedades secularizadas, o
discurso religioso é, às vezes, marginalizado ou instrumentalizado, reduzido a
folclore, à opinião subjetiva ou totalmente ofuscado.
46. O caminho
continua desafiador: requer humildade, coragem e discernimento. Para o cristão,
esta exigência não é surpreendente, porque o verdadeiro fiel não é movido pela
arrogância; «pelo contrário, a verdade torna-o humilde, sabendo que, mais do que possuirmo-la
nós, é ela que nos abraça e possui. Longe de nos endurecer, a segurança da fé
põe-nos a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos»[82]. Este diálogo requer frequentemente uma «paciência inexaurível»[83] e não pode ser reduzido a um simples e genérico consenso. Enraizado na
missão evangelizadora da Igreja – de que é uma dimensão essencial – ele
pressupõe o empenho sincero, o conhecimento profundo do outro e o reconhecimento
da liberdade de consciência como fundamento de toda autêntica relação[84]. Não se trata, pois, de renunciar à verdade, mas de anunciá-la de modo
evangélico: com estima, escuta e caridade. É uma verdadeira partilha daquilo que
habita o próprio coração: «Falar de Cristo, pelo testemunho ou pela palavra, de tal modo que os outros não
tenham de fazer um grande esforço para o amar, é o maior desejo de um
missionário da alma. Não há proselitismo nesta dinâmica de amor, as palavras do
enamorado não perturbam, não impõem, não forçam, apenas levam os outros a se
perguntarem como é possível um tal amor. Com o maior respeito pela liberdade e
pela dignidade do outro, o enamorado limita-se a esperar que lhe seja permitido
narrar esta amizade que preenche a sua vida»[85].
47. Por
último, mas certamente não menos importante, é necessário evidenciar as
perseguições que os cristãos sofrem em várias partes do mundo por parte de
grupos religiosos extremistas. Toda perseguição por razões religiosas é sempre
uma violação da dignidade humana, para a qual urge encontrar uma resposta comum
que, no espírito da Nostra aetate, promova em todos e para todos o
respeito, o diálogo e a convivência pacífica.
Aprofundar a pedagogia do diálogo
48. Diante dos
desafios contemporâneos, a Igreja é chamada a renovar e intensificar a sua
pedagogia do diálogo. Isto pressupõe, antes de tudo, a formação aprofundada nos
seminários, nos institutos teológicos e nos percursos pastorais. Não basta
somente proclamar a importância do diálogo: é preciso agora vivê-lo, fornecer
aos fiéis os instrumentos para dele participar de modo informado, crítico e
sereno. O conhecimento das religiões, a história das relações inter-religiosas,
a elaboração de linhas-guia para o diálogo e a promoção da competência religiosa
(religious literacy) são fatores que favorecem e sustentam o encontro e o
diálogo inter-religioso, assim como é necessário integrar a compreensão das
questões culturais e geopolíticas contemporâneas na formação cristã.
49.
Paralelamente, é preciso valorizar as iniciativas concretas levadas adiante nas
Igrejas locais, que estão na linha de frente. São elas que, no próprio
território, desenvolvem as formas mais criativas e corajosas de encontro:
comissões de diálogo, projetos comuns, ações educativas ou humanitárias,
celebrações compartilhadas. Recolhendo, compartilhando e colocando em rede estas
experiências, a Igreja universal pode não só enriquecer-se, mas também
individuar e orientar novos percursos pastorais.
50. Particular
atenção deve ser reservada à dimensão espiritual do diálogo, dado que o fim ao
qual se tende não é um simples exercício intelectual, mas um encontro autêntico
– encontro com uma alteridade crente, em espírito de paz, amizade e busca
partilhada da verdade e do bem[86]. O diálogo sincero exclui toda forma de instrumentalização. Visa à compreensão
recíproca, à descoberta daquilo que é justo e autêntico para todos. Dialogar, no
espírito de Nostra aetate, pressupõe o olhar contemplativo voltado ao
“outro diferente”: «Aproximar-se, expressar-se, ouvir-se, olhar-se, conhecer-se, esforçar-se por
entender-se, procurar pontos de contacto: tudo isto se resume no verbo
“dialogar”»[87].
51. Neste
sentido, o diálogo inter-religioso pode tornar-se ocasião para uma maior
fidelidade ao amor universal de Deus, manifestado em Jesus Cristo. Transforma as
pessoas, as comunidades e talvez as estruturas eclesiais. Longe de ser um tema
marginal, ele é um lugar teológico, onde o Espírito Santo quer fazer-se ouvir,
através do encontro com o outro[88].
IV. Perspectivas e orientações para o futuro do diálogo inter-religioso
52. O futuro
do diálogo inter-religioso requer hoje uma reflexão renovada e compromissos
particularmente claros. Se as décadas sucessivas ao Concílio Vaticano II
permitiram instaurar relações mais serenas entre as diversas tradições
religiosas, as mudanças geopolíticas, culturais e ecológicas dos últimos anos
oferecem desafios inéditos. As tensões identitárias, o fechamento das
comunidades, as ideologias fundamentalistas, os conflitos por questões
religiosas, a manipulação política do fato religioso, mas também a indiferença
crescente em muitos países para com toda forma de espiritualidade, obrigam a
renovar as modalidades do diálogo num mundo em rápida transformação.
53. Na
verdade, não se trata de fundar uma grande religião mundial na qual todas as
crenças sejam niveladas. Tal possibilidade deve ser excluída por respeito a si
mesmos e aos outros. Trata-se, pelo contrário, de construir uma sociedade
fraterna, capaz de aceitar as diferenças. Esta intenção permanece no coração do
diálogo inter-religioso, tal como já se encontrava na Declaração Nostra
aetate e nos esforços nesse sentido, que caracterizaram as décadas que se
seguiram à sua promulgação. Dialogar não consiste só em expor as próprias
doutrinas ou em confrontar as próprias visões de mundo; hoje, diante de quem
fomenta divisões e prepara conflitos, os fiéis das diversas tradições, e in
primis os seus líderes, conscientes das suas irredutíveis diferenças, são
chamados a buscar, com lucidez e esperança, as condições de uma convivência
pacífica.
54. Para
alcançar esta meta, é necessário operar uma verdadeira transformação das
mentalidades: abandonar as lógicas de defesa, de hostilidade ou de conquista,
para adotar uma atitude aberta, benévola, corajosa. Os modelos monolíticos e
isolados, que encorajam a visão fechada da realidade se mostram sempre mais
inadequados e, em última análise, fonte de violência e de sofrimento para os
mais fracos. A defesa antipática da própria posição e o proselitismo, como única
modalidade de encontro com o “outro”, não têm mais sentido num mundo que se
parece sempre mais a uma aldeia global, interconectado e em contínua ebulição. O
Papa Francisco recordou-o em 2019, na Universidade Chulalongkorn, de Bangkok,
diante de responsáveis religiosos budistas, muçulmanos, hindus, sikhs e
cristãos: «Acabaram-se os tempos em que a lógica da insularidade podia predominar na
concepção do tempo e do espaço e impor-se como mecanismo válido para a resolução
dos conflitos. Hoje é tempo de ousar imaginar a lógica do encontro e do diálogo
mútuo como caminho, a colaboração comum como conduta e o conhecimento recíproco
como método e critério. E, assim, oferecer um novo paradigma para a resolução
dos conflitos, contribuir para o entendimento entre as pessoas e para a
salvaguarda da criação. Penso que as religiões como também as universidades, sem
precisar de renunciar às próprias caraterísticas peculiares e aos próprios dons
particulares, têm muito para contribuir e oferecer neste campo; tudo o que
fizermos neste sentido é um passo significativo para garantir às gerações mais
jovens o seu direito ao futuro, e será também um serviço à justiça e à paz»[89].
55. Ao
contrário daquelas atitudes rígidas que pretendem resolver os conflitos com a
força, é o momento de promover uma nova ética do diálogo: uma cultura da
complexidade, da flexibilidade e da amizade. Não é mais o caso de temer ou de
manter distância de quem não crê como eu, da outra civilização, do outro modo de
pensar, mas de ousar o encontro. Aquele que há algum tempo era percebido como
ameaça, inimigo a temer, a respeitar de longe ou mesmo a destruir, pode
tornar-se interlocutor, aliado, amigo e mesmo um «peregrino da verdade»[90] com quem partilhar um trecho de estrada. As civilizações e as religiões
podem certamente entrar em tensão, mas podem também entrar em ressonância, numa
dinâmica criativa, sabendo transformar a diversidade em solidariedade. A
alteridade não deve mais ser vivida como um obstáculo, mas como um desfio a
enfrentar. Num mundo fechado na asfixia da imanência, os crentes, pertencentes a
diversas religiões, não queiram renunciar a apresentar a verdade da
transcendência e o amor de Deus para todos os seres humanos. Isto é importante
especialmente num tempo em que às vezes «desprezam-se os escritos que surgiram no âmbito duma convicção crente,
esquecendo que os textos religiosos clássicos podem oferecer um significado para
todas as épocas, possuem uma força motivadora que abre sempre novos horizontes,
estimula o pensamento, engrandece a mente e a sensibilidade»[91].
56. Um modelo
de diálogo mais rico e articulado não só é desejável para o futuro, mas se
encontra já em gestação no interior da Igreja e nas suas relações com outras
tradições religiosas. Este modelo, com múltiplas facetas, poderia ser comparado
a um poliedro: requer confrontar-se contemporaneamente com outras dimensões,
mostrar paciência, lucidez, como também imaginação e criatividade[92]. É nesta interação que se constrói um futuro comum, no qual paz e amizade não
são mais utopias, mas frutos maduros do encontro.
V. Conclusão
57. Sessenta
anos depois da Declaração Nostra aetate, a Igreja Católica revê o caminho
percorrido com profunda gratidão. Em seis décadas, este texto, breve, mas audaz,
transformou radicalmente a face das relações inter-religiosas. A Igreja passou
de uma atitude muitas vezes reservada ou distante a um corajoso caminho de
diálogo sincero, de encontro respeitoso e de cooperação fraterna. Esta herança
constitui um patrimônio vivente e irrenunciável, que continua a interpelar os
fiéis de hoje e os compromete a prosseguir esta aventura humana e espiritual,
tão vital para o nosso tempo.
58. Num mundo
profundamente interconectado e, ao mesmo tempo, fragmentado, a mensagem da
Nostra aetate permanece de grande atualidade. A fraternidade entre crentes
de diversas tradições religiosas não é um simples ideal, mas uma exigência
moral, espiritual e social. Diante dos desafios contemporâneos – extremismos
religiosos, migrações globais, secularização, crises ecológicas e sociais – as
religiões são chamadas a transformar o mundo e a sociedade para que sejam
expressões fraternas da vontade de Deus. Este empenho passa necessariamente
através da renovada educação ao diálogo, em particular junto às jovens gerações,
para superar medos e preconceitos e enraizar a verdadeira cultura do encontro.
59. Celebrando
o 60° aniversário da Declaração Nostra aetate, a Igreja reafirma com
convicção a própria determinação a prosseguir este caminho exigente, na escuta
do Espírito Santo, sempre em ação na história e no interior das diversas
culturas e religiões dos povos, nas quais, segundo modalidades que só Ele
conhece, acende a chama da sabedoria e dispensa os seus múltiplos dons. A Igreja
convida todos a tornarem-se «construtores de pontes, não de muros»[93], artesãos de paz e de fraternidade, capazes de acolher o outro na sua
diferença, de reconhecer as riquezas espirituais e de colaborar na construção de
uma sociedade mais justa e mais humana. Como afirmou o Papa Leão XIV: «O testemunho da nossa fraternidade, que espero possamos demonstrar com gestos
eficazes, contribuirá certamente para a construção de um mundo mais pacífico,
como todos os homens e mulheres de boa vontade desejam em seu coração»[94].
60. Hoje, mais
que nunca, é necessário avançar resolutamente nesta direção, sustentados pela
graça de Deus e pelo tesouro espiritual das tradições religiosas. A Nostra aetate, «há sessenta anos, […] trouxe esperança ao mundo depois da segunda guerra mundial. Hoje somos chamados
a refundamentar esta esperança no nosso mundo devastado pela guerra e no nosso
ambiente natural degradado»[95]. Este caminho de esperança permanece aberto, e todos somos convidados a
percorrê-lo juntos, com coragem.
O Sumo Pontífice Leão XIV, na Audiência concedida no dia 22 de junho de 2026 aos
abaixo-assinados Prefeitos e Secretários do Dicastério para a Doutrina da Fé, do
Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e do Dicastério para o
Diálogo Inter-religioso, aprovou a presente Nota e ordenou a sua publicação.
Dado em Roma, junto das sedes do Dicastério para a Doutrina da Fé, do Dicastério
para a Promoção da Unidade dos Cristãos e do Dicastério para o Diálogo
Inter-religioso, em 16 de setembro de 2026, Memória litúrgica dos Santos
Cornélio, papa, e Cipriano, Bispo, Mártires.
|
Víctor Manuel Card. Fernández
Prefeito
|
Kurt Card. Koch
Prefeito |
|
George Jacob Card. Koovakad
Secretário
|
|
Mons. Armando Matteo
Secretário
|
S.E. Mons. Flavio Pace
Secretário |
|
Mons. Indunil Janakaratne Kodithuwakku Kankanamalage
Secretário
|
Ex Audientia Die 22 Iunii 2026
Leo PP XIV
[1] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 2:
AAS 58
(1966), 741.
[2] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Dignitatis humanae (7 de dezembro de 1965), n. 1:
AAS 58 (1966), 929-930.
[3] Cf. Francisco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de
2013), n. 253: AAS 105 (2013), 1121.
[4] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 4: AAS 58
(1966), 742.
[5] Secretariado para a União dos Cristãos,
Ebrei ed ebraismo nella Chiesa Cattolica (24 de junho de 1985), III, 1:
EV 9, 1639.
[6] Cf. K. Barth,
Die Kirchliche Dogmatik, IV/1, 1953, 181.
[7] J.-L. Tauran,
«Cinquant’anni di dialogo interreligioso»:
Pro
Dialogo 151-52 (2016), 71.
[8] João XXIII,
Discurso para a solene abertura do Concílio ecumênico Vaticano II (11
de outubro de 1962), n. 8.2: AAS 54 (1962), 794.
[9] Cf. João XXIII, Carta enc.
Pacem in terris (11 de abril de 1963),
n. 83: AAS 55 (1963), 299.
[10] Paulo VI, Carta enc.
Ecclesiam suam (6 de agosto de 1964), n. 67: AAS 56
(1964), 639.
[11] Paulo VI, Carta enc.
Ecclesiam suam (6 de agosto de 1964), n. 97: AAS 56
(1964), 649.
[12] Cf. Paulo VI,
Carta enc. Ecclesiam suam (6 de agosto de 1964), nn. 110-115:
AAS 56 (1964), 654-657.
[13] Cf. Paulo VI,
Carta enc. Ecclesiam suam (6 de agosto de 1964), n. 83:
AAS 56 (1964), 644-645. Assim, como
afirma o Santo Padre, o diálogo é um «modo de exercer a missão apostólica, arte
de comunicação espiritual». O Pontífice define também as suas características:
antes de tudo, a clareza; depois a doçura: «o diálogo não é orgulhoso, não é
pungente, não é ofensivo. A autoridade vem-lhe da verdade que expõe. […] é
pacífico, evita os modos violentos, é paciente e é generoso». Em seguida, vem a
confiança e, enfim, a prudência pedagógica para ter em conta as condições
psicológicas e morais do interlocutor.
[14] Paulo VI,
Omelia per la promulgazione di cinque documenti
conciliari (28 de outubro de 1965): AAS 57
(1965), 903.
[15] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 5: AAS 58
(1966), 743-744.
[16] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 4: AAS 58
(1966), 743.
[17] Cf. N. Hofmann,
«Nella “Giornata dell’ebraismo”. Tradizioni, valori e
impegni comuni»: L’Osservatore Romano, 17 gennaio
2023, 5.
[18] Cf. Bento XVI,
Discurso aos membros da Conferência dos Presidentes das
Organizações judaico-americanas maiores (12 de fevereiro de 2009):
Insegnamenti, V/1 (2009), 235; Bento XVI – P. Seewald,
Luce del mondo.
Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi, Città del
Vaticano 2010, 123.
[19] J. Ratzinger,
«L’eredità d’Abramo: dono di Natale»:
L’Osservatore
Romano, 29 dicembre 2000, 1.
[20] Cf.
Catecismo da Igreja Católica, n. 121.
[21] Cf. Secretariado para a União dos Cristãos,
Ebrei ed ebraismo nella
Chiesa Cattolica (24 giugno 1985), I, 7: EV 9, 1623.
[22] Cf. Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos cristãos,
“Perché i doni e la chiamata di Dio sono irrevocabili” (Rm 11,29). Riflessioni
su questioni teologiche attinenti alle relazioni
cattolico-ebraiche in occasione del 50° anniversario di
Nostra aetate (n. 4) (10 de dezembro de 2015), n.
35: EV 31, 2055; Congregação para a Doutrina da Fé,
Decl. Dominus Iesus (6 de agosto de 2000):
AAS 92 (2000) 742-765.
[23] Francisco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), n. 249:
AAS 105 (2013), 1120.
[24] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 4:
AAS 58 (1966), 743.
[25] Cf.
AAS 20 (1928), 103-104.
[26] Bento XVI,
Audiência Geral, (28 de janeiro de 2009), Insegnamenti,
V/1 (2009), 157.
[27] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 4:
AAS 58 (1966), 743.
[28] Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio (26 de março de 1967), n. 14:
AAS 59 (1967), 264.
[29] Cf. Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio (26 de março de 1967), n. 42:
AAS 59 (1967), 278.
[30] O Secretariado para os Não-Cristãos foi instituído por São Paulo VI em 19
de maio de 1964, com a Carta apostólica em forma de “Motu proprio”
Progrediente Concilio (cf. AAS 56 [1964], 560), com a finalidade de
prestar atenção «a quantos são privados da religião cristã, e aos quais
igualmente parecem referir-se as palavras do Senhor: “E tenho também ovelhas que
não são deste redil; também a elas devo conduzir” (Jo 10, 16)» (ibid.).
A sua criação foi necessária «sobretudo nestes tempos em que entre os homens de
toda raça, língua e religião se desenvolvem múltiplas relações» (ibid.).
Em 1988, o Secretariado assumiu o nome de Pontifício Conselho para o Diálogo
Inter-religioso (cf. João Paulo II, Const. ap. Pastor Bonus [28 de junho
de 1988], artt. 159-162: AAS 80 [1988], 902) e, sucessivamente, em
2022, de Dicastério para o Diálogo Inter-religioso (cf. Francisco, Const. ap.
Praedicate Evangelium [19 de março de 2022], artt. 147-152:
AAS 114
[2022], 426-427).
[31] Francisco, Const. ap.
Praedicate Evangelium (19 de março de 2022), art. 149 §1:
AAS 114 (2022), 426.
[32] Paulo VI,
Allocuzione di apertura della III Assemblea Generale
del Sinodo dei Vescovi (27 de setembro de 1974): AAS 66 (1974), 561.
[33] A Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo e a Comissão para as
Relações Religiosas com os Muçulmanos foram criadas no mesmo dia, em 22 de
outubro de 1974.
[34] Cf. P. Rossano, «Le cheminement du dialogue interreligieux de
Nostra
aetate à nos jours»: Pro Dialogo 74 (1991), 131-142; S. Schmidt,
«Cardinal Bea and Interreligious Dialogue»: Pro Dialogo 74 (1991),
143-149.
[35] Cf. João Paulo II,
Audiência geral (22 de outubro de 1986), n. 5:
Insegnamenti, IX/2 (1986), 1147: «Depois de terem sido frequentemente
causa de divisões, todas desejariam agora cumprir um papel decisivo na
construção da paz mundial».
[36] João Paulo II,
Discurso aos Representantes das Igrejas cristãs e Comunidades eclesiais e
das Religiões mundiais reunidas em Assis (27 de outubro de 1986), nn. 6.8:
Insegnamenti, IX/2 (1986), 1268.1269.
[37] João Paulo II,
Discurso por ocasião do encontro com a comunidade judaica na sinagoga da
cidade de Roma (13 de abril de 1986), n. 4: Insegnamenti, IX/1
(1986), 1027.
[38] João Paulo II,
Mensagem pela XXI Jornata Mundial da Paz (1 de janeiro de 1988), n. 4:
AAS 80 (1988), 284-285.
[39] O documento
Diálogo e missão costitui uma referência essencial para
compreender a visão da Igreja sobre o diálogo inter-religioso. Ele afirma que o
diálogo é uma dimensão integrante da missão evangelizadora da Igreja,
precisando, todavia, que ele não substitui o anúncio explícito de Cristo, mas o
acompanha e o enriquece. O documento distingue quatro níveis complementares: o
diálogo da vida, que consiste na convivência respeitosa e fraterna entre crentes
de religiões diversas; o diálogo das obras, baseado na colaboração concreta a
serviço da justiça e da paz; o diálogo teológico, que favorece os intercâmbios
intelectuais e doutrinais entre especialistas e responsáveis religiosos; e enfim
o diálogo espiritual, fundado no autêntico encontro das tradições religiosas na
oração e na contemplação. Precisando estes níveis, o texto põe as bases para um
empenho concreto e diversificado da Igreja ao interno das sociedades
pluralísticas.
[40] O documento
Diálogo e anúncio aprofunda a reflexão sobre a relação
entre diálogo inter-religioso e anúncio explícito do Evangelho. Mesmo recordando
claramente que o anúncio de Cristo permanece o coração da missão cristã,
sublinha que o diálogo inter-religioso não só é compatível com este anúncio, mas
constitui uma sua dimensão essencial e complementar. O diálogo é apresentado
como um autêntico percurso espiritual, um meio privilegiado para os cristãos
testemunharem sua fé no respeito e na escuta sincera do outro. O documento
insiste no fato que diálogo e anúncio jamais se opõem: são antes duas vias
complementares de uma única missão eclesial, enraizada no amor de Deus e no
profundo reconhecimento da dignidade e da liberdade de cada pessoa.
[41] João Paulo II, Carta enc.
Redemptoris missio (7 de dezembro de 1990), n. 55:
AAS
83 (1991), 302.
[42] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de
1965), n. 2: AAS 58 (1966), 741.
[43] João Paulo II,
Mensagem para a XXXIV Jornada Mundial da Paz (1 de janeiro de 2001):
AAS 93 (2001), 234-247.
[44] João Paulo II,
Discorso ai partecipanti alla cerimonia conclusiva
dell’Assemblea interreligiosa (28 de outubro de
1999), n. 3: Insegnamenti, XXII/2 (1999), 653.
[45] Conc. Ecum. Vat. II, Decl..
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 5:
AAS 58 (1966), 743.
[46] Cf. Bento XVI,
Lettera a S.E. Mons. Domenico Sorrentino in occasione
del XX anniversario dell’Incontro interreligioso di
preghiera per la pace (2 de setembro de 2006): AAS 98 (2006), 750, que cita Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 5: AAS 58
(1966), 743.
[47] Bento XVI,
Discorso in occasione dell’incontro con i
rappresentanti della scienza (12 de setembro de
2006): Insegnamenti, II/2 (2006), 259.
[48] Bento XVI,
Discorso ai rappresentanti di alcune comunità
musulmane (20 de agosto de 2005): Insegnamenti,
I (2005), 448. Cf. Id., Discorso ad
Ambasciatori dei Paesi a maggioranza musulmana
accreditati presso la Santa Sede e ad alcuni esponenti
delle comunità musulmane in Italia [25 de setembro
de 2006]: AAS 98 [2006], 705.
[49] Francisco,
Discorso ai partecipanti alla Conferenza
Internazionale per la Pace (28 de abril de 2017): AAS 109 (2017), 495.
[50] Cf. Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso,
Dialogo nella verità e nella carità. Orientamenti
pastorali per il dialogo interreligioso (19 de maio
de 2014): EV 30, 843-928.
[51] Francisco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), n. 250: AAS
105 (2013), 1120.
[52] Francisco,
Discorso alla delegazione dell’“American Jewish
Committee” (13 de fevereiro de 2014): Insegnamenti, II/1 (2014), 166.
[53] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), nn.
247-249: AAS 105 (2013), 1119-1120.
[54] Francisco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), n. 249: AAS
105 (2013), 1120.
[55] Cf.
Documento firmado por Papa Francesco e Ahmad Al-Tayyeb sobre a fraternidade
humana para a paz mundial e a convivência comum (4 de fevereiro de 2019):
AAS 111 (2019), 349-356.
[56] Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n. 85: AAS
112
(2020), 998.
[57] Francisco, Carta enc.
Lumen fidei (29 de junho de 2013), n. 55: AAS
105
(2013), 592. Cf. Id., Exort. ap. Evangelii gaudium (24 de novembro de
2013), nn. 226-230: AAS 105 (2013), 1112-1113.
[58] Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n. 285: AAS
112 (2020), 1073, que cita Documento firmado por Papa Francisco e Ahmad Al-Tayyeb
sobre a fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum (4 de
fevereiro de 2019): AAS 111 (2019), 350.
[59] Francisco,
Discorso in occasione del Convegno “La Teologia dopo
Veritatis Gaudium nel contesto del Mediterraneo” (21
de junho de 2019): AAS 111 (2019), 1098.
[60] Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n. 30: AAS
112
(2020), 980. Citação de Discurso ao mundo académico e cultural (Cagliari –
Itália 22 de setembro de 2013): L´Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa
de 29/IX/2013), 8.
[61] Francisco,
Discorso in occasione del Convegno “La Teologia dopo
Veritatis Gaudium nel contesto del Mediterraneo” (21
de junho de 2019): AAS 111 (2019), 1101.
[62] Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n. 202: AAS
112 (2020), 1041.
[63] Cf. Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n.
199: AAS 112 (2020), 1040.
[64] Cf. Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n.
74: AAS 112 (2020), 995.
[65] Cf. Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n.
69: AAS 112 (2020), 993.
[66] Cf. Leão XIV,
Udienza al Corpo Diplomatico accreditato presso la
Santa Sede (16 maggio 2025): L’Osservatore
Romano, 16 de maio de 2025, 1-3.
[67] Leão XIV,
Discorso per il 60° anniversario di Nostra aetate
“Camminando insieme nella speranza” (28 de outubro
de 2025): L’Osservatore Romano, 29 ottobre
2025, 4.
[68] Cf. Leão XIV,
Discorso per il 60° anniversario di Nostra aetate
“Camminando insieme nella speranza” (28 outubro de
2025): L’Osservatore Romano, 29 ottobre 2025,
4-5.
[69] Leão XIV,
Discorso per il 60° anniversario di Nostra aetate
“Camminando insieme nella speranza” (28 de outubro
de 2025): L’Osservatore Romano, 29 ottobre
2025, 5.
[70] Leão XIV,
Audiência Geral. Catechesi in occasione del 60°
anniversario della Dichiarazione conciliare Nostra aetate
(29 de outubro de 2025): L’Osservatore Romano,
29 ottobre 2025, 2.
[71] Leão XIV,
Discorso ai rappresentanti di altre Chiese e Comunità
ecclesiali e di altre religioni (19 de maio de
2025): L’Osservatore Romano, 19 de maio de
2025, 6.
[72] Conc. Ecum. Vat. II, Decl.
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 4:
AAS 58 (1966), 743.
[73] La
Dichiarazione congiunta firmata dal Papa Leone XIV e dal
Patriarca ecumenico (Istanbul, 29 novembre 2025):
L’Osservatore Romano, 29 novembre 2025, 3.
[74] Leão XIV,
Carta enc. Magnifica humanitas (15 de maio de
2026), n. 223, que cita Francisco, Appello di pace ad
Assisi per la Giornata mondiale di preghiera per la
pace. “Sete di pace. Religioni e culture in dialogo”
(20 de setembro de 2016): AAS 108 (2016), 1124.
[75] Cf.
Documento assinado pelo Papa Francesco e pelo Grão Imame de Al-Azhar Ahmad
Al-Tayyeb sobre a fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum
(Abu Dhabi, 4 de fevereiro de 2019); Dichiarazione
finale del VII Congresso dei leader delle religioni
mondiali e tradizionali (Nur-Sultan, 15 de setembro
de 2022); Dichiarazione congiunta di Istiqlal firmata
da Papa Francesco e dal Grande imam Nasaruddin Umar (Jacarta, 5 de setembro de 2024). Todos estes textos testemunham o empenho contínuo pela compreensão recíproca, a
colaboração concreta e a convivência pacífica entre pessoas de diversas
tradições religiosas.
[76] Francisco,
Discorso alla Sessione conclusiva delle “Rencontres Méditerranéennes”
(23 de setembro de 2023): AAS 115 (2023), 1146.
[77] Falando do contexto do pluralismo religioso, o diálogo significa «“o
conjunto das relações inter-religiosas, positivas e construtivas, com pessoas e
comunidades de outras crenças, para um mútuo conhecimento e um recíproco
enriquecimento”, na obediência à verdade e no respeito da liberdade. Isto inclui
seja o testemunho, seja a descoberta das respectivas convicções religiosas» (Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso – Congregação para a
Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e anúncio [19 de maio de 1991],
n. 9: AAS 84 [1992], 417-418; que cita o Secretariado para os Não-Cristãos,
L’atteggiamento della Chiesa nei confronti dei
seguaci delle altre religioni: Riflessioni e
Orientamenti su Dialogo e Missione: Bollettino
del Segretariato per i non-Cristiani 56 [1984/2], n.
13).
[78] Cf. Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso – Congregação para a
Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e anúncio (19 de maio de 1991),
n. 42: AAS 84 (1992), 428.
[79] Conc. Ecum. Vat. II, Decl..
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 3: AAS 58
(1966), 741.
[80] Conc. Ecum. Vat. II, Decl..
Nostra aetate (28 de outubro de 1965), n. 3:
AAS 58 (1966), 742.
[81] Francesco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), n. 253: AAS
105 (2013), 1121.
[82] Francisco, Carta enc.
Lumen fidei (29 de junho de 2013), n. 34: AAS
105
(2013), 577.
[83] G.C. Anawati, O.P., «Excursus on Islam», in H. Vorgrimler, ed.,
Commentary on the Documents of Vatican II, vol. III (London 1969), 154.
[84] Cf. Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso – Congregação para a
Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e anúncio (19 de maio de 1991),
n. 77: AAS 84 (1992), 441-442.
[85] Francisco, Carta enc.
Dilexit nos (24 de outubro de 2024), n. 210: AAS 116
(2024), 1435-1436.
[86] Cf. Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n.
271: AAS 112 (2020), 1066.
[87] Francisco, Carta enc.
Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), n. 198: AAS
112 (2020), 1039.
[88] Cf. Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso – Congregação para a
Evangelização dos Povos, Instr. Diálogo e anúncio (19 de maio de 1991),
n. 38: AAS 84 (1992), 427.
[89] Francisco,
Discorso nell’Incontro con i Leader cristiani e di altre religioni (22
de novembro de 2019): AAS 111 (2019), 1957.
[90] Bento XVI,
Intervento alla
Giornata di riflessione, dialogo e preghiera per la pace
e la giustizia nel mondo “Pellegrini della verità,
Pellegrini della pace” (Assis, 27 de outubro de 2011):
Insegnamenti, VII/2 (2011), 514.
[91] Francisco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de 2013), n. 256: AAS
105 (2013), 1123.
[92] Cf. Francisco, Exort. ap.
Evangelii gaudium (24 de novembro de
2013), n. 236: AAS 105 (2013), 1115.
[93] Francisco, Mensagem
Urbi et orbi (21 de abril de 2019): AAS 111 (2019),
731.
[94] Leão XIV,
Discorso ai Rappresentanti di altre Chiese e comunità
ecclesiali e di altre religioni (19 de maio de
2025): L’Osservatore Romano, 19 de maio de
2025, 6.
[95] Leão XIV,
Audiência Geral. Catechesi in occasione del 60°
anniversario della Dichiarazione conciliare Nostra aetate
(29 de outubro de 2025): L’Osservatore Romano,
29 ottobre 2025, 3.